Seleção Brasileira

Parreira compara 7 a 1 a atentado de 11 de setembro nos EUA

Ex-cooredenador da Seleção admite problemas físicos e técnicos no grupo da Copa

Parreira disse que 7 a 1 não parecia um jogo real
Parreira disse que 7 a 1 não parecia um jogo real Foto : Jefferson Bernardes / Vipcomm / CP Memória
Ex-coordenador técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira esteve no olho do furacão que foi a derrota por 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo. Hoje, quase quatro meses depois, ainda é difícil explicar o que ocorreu. Na visão dele, foi algo comparado ao atentado de 11 de setembro de 2011, em Nova Iorque, quando as Torres Gêmeas vieram ao chão após choque de aviões .

“Não dá para sentir nada, você vê e não acredita. Parecia aquela história das Torres Gêmeas. Você vê a primeira sendo destruída e depois a segunda. Parecia uma ficção. Isso não era a realidade, foi tão rápido, não deu para absorver. Não deu tempo para fazer nada. Pensamos que ficaria de cinco. O time voltou compacto, consciente, Neuer fez defesas espetaculares, e eles ampliaram depois no contra-ataque. Se você me perguntar, digo que foi apagão. Tínhamos um time bom, não era o melhor da Copa, mas não era para ser 7 a 1”,afirmou Parreira, que deixou o futebol após a Copa.

Na visão dele, a campanha do Brasil foi atrapalhada pelas condições físicas e técnicas com as quais os jogadores se apresentaram na Granja Comary, em 26 de maio. “Foi a menor preparação em todas as Copas, só 14 dias. Paulinho, David Luiz, Willian, Oscar eram reservas em seus clubes. Fred um período longo sem jogar. Jô com altos e baixos e os jogadores não estavam na melhor forma física. Daniel Alves entrava e saía no Barcelona. Marcelo no Real Madrid também. Olha, são sete jogadores”, disse.

“Mas e aí, troca ou não? Só que esses jogadores estavam acostumados, entrosados, em um esquema e que ao longo da competição ajustaria na Copa do Mundo que foi muito intensa e disputada, com jogadores correndo até 15km por partida e quem não vinha atuando com frequência sentiu, Paulinho principalmente, e isso prejudicou o rendimento, isso influenciou”, seguiu Parreira, que ainda explicou o ufanismo usado no discurso pré-Copa.

“Lado emocional e psicológico são importantes. Pesquisa eleitoral decide alguma coisa? Não, mas elas criam clima de favoritismo, que é muito bom para quem está na frente. A gente achava que era importante. Na época do Mano, a Seleção estava há dois anos sem que ninguém falasse em ganhar a Copa em casa. Aí eu e Felipão pensamos: ‘Temos de levantar a bandeira e temos de ganhar a Copa.... somos favoritos’. A responsabilidade não aumentou, pois os jogadores sabem que em casa eles são favoritos, você falando ou não”.