Diretor de criptomoeda do Facebook diz que empresa "não age como hacker"
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Diretor de criptomoeda do Facebook diz que empresa "não age como hacker"

Um dos objetivos de Bertrand Perez é evitar que a libra caia na volatilidade das demais criptomoedas

Por
AFP

Empresa sofre pressão das autoridades financeiras europeias

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"Não temos intenção de agir como hackers" afirma Bertrand Perez, diretor-geral da associação Libra, lançada pelo Facebook, em entrevista à AFP. Ele procura procura tranquilizar sobre o projeto de criptomoeda da gigante americana e afirma que todas as legislações serão respeitadas. Um dos objetivos evitar que a libra caia na volatilidade das demais criptomoedas.

Seu projeto desperta comentários e preocupações a nível político. Você entende essas preocupações?
Falam do risco para as moedas das economias mais frágeis. Mas a primeira coisa que um Estado faz quando quer evitar que sua moeda se debilite é implementar um controle cambial, e nada impede de implementar um bloqueio das plataformas de intercâmbio da libra, se isso parecer necessário. É importante recordar que a cadeia de blocos (blockchain) permite um nível de transparência importante sobre as transações. É uma tecnologia nova, é normal que os reguladores estejam vigilantes, essa é a razão pela qual anunciamos o projeto Libra um ano antes de seu lançamento. Estávamos conscientes de que era preciso trabalhar com os reguladores. Mas se, por exemplo, o Banco Central Europeu (BCE) nos recusar o direito de operar na Europa, aceitaremos. Não temos a intenção de agir como hackers, respeitamos a legislação.

Como estão suas negociações com diferentes reguladores?
Temos sede em Genebra, por isso começamos a falar com a Finma (autoridade suíça de vigilância de mercados financeiros), que nos identificou como um sistema de pagamento, não como um banco, ou outra coisa. Portanto, vamos poder iniciar os trâmites para uma solicitação de registro, integrando as normas necessárias para esse objetivo. Até agora, a maioria dos reguladores no mundo não levantaram o tema das criptomoedas, simplesmente porque o volume de transações não era significativo, por isso esperavam antes de se pronunciar. Mas agora nossos clientes são significativos o bastante para que as autoridades competentes decidam definir um marco (...). Além disso, queremos evitar que a libra caia na volatilidade das demais criptomoedas. Na medida em que se trata de uma forma de pagamento, por exemplo para compras online, devemos garantir aos usuários que não vão perder dinheiro se possuírem a libra. Vamos ligá-lo a uma cesta de cinco divisas (dólar americano, euro, iene, libra esterlina, dólar de Singapura) para garantir sua estabilidade (...).

À margem dos aspectos normativos, quais são as próximas etapas antes do lançamento efetivo?
Devemos antes de tudo finalizar nossa normativa de governança. É um tema no qual os 28 membros atuais trabalham (...). Em seguida, vem todo o aspecto técnico, com a implementação de nós de validação (das transações), em cada um de nossos membros, que foram selecionados para abrigar esses nós por sua grande capacidade de cálculo e por ter o costume de administrar os aspectos de segurança. Em seguida, terão que unir entre eles esses nós e, depois, virá a fase de testes de funcionalidade e de resultados. Nosso objetivo é que no lançamento, em meados de 2020, tenhamos a capacidade de tratar cerca de 1.000 transações por segundo, e depois superar essa cifra.