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Documentário mostra influência do Facebook na política e sociedade

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Foto: Acid Pix / Divulgação / CP


O Facebook é o tema do documentário "The Facebook Dilemma", produzido pela PBS, emissora pública dos Estados Unidos, e dirigido pelo jornalista James Jacoby. Os dois episódios exibidos na última semana buscaram responder se a rede social é mais prejudicial do que útil.

Entrevistas com jornalistas, ex-funcionários e autoridades reconstroem a influência política do Facebook desde a Primavera Árabe, em 2011, até os recentes escândalos de vazamento de dados pessoais pela Cambridge Analytica e a influência em eleições.

Segundo o documentário, a grande importância que a empresa tem hoje pode ter começado com a criação do botão curtir, em 2009. A decisão de permitir que usuários demonstrem preferências favoreceu uma imensa coleta de dados que guiou os negócios da empresa nos anos seguintes.

“A criação do botão curtir foi muito importante porque permitiu que o Facebook soubesse com quem você se importa e quais são seus interesses. Isso fez a gente entender cada vez mais as pessoas”, afirmou Mike Hoefflinger, diretor de marketing global de 2009 a 2015, ao jornalista James Jacoby.

Cambridge Analytica

São esses dados que os usuários entregam ao Facebook, sem perceber que a consultoria britânica Cambridge Analytica os obteve para favorecer a campanha online de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016.

Christopher Wylie, ex-funcionário da Cambridge Analytica e responsável por denunciar o vazamento para a imprensa, afirma no documentário que a rede social tinha conhecimento dessa coleta de informações da plataforma, mas não sabia como os dados eram usados.

“Depois que essas informações deixam o servidor do Facebook não existe uma maneira de rastrear onde foi armazenada, descobrir como foi usada ou saber quantas cópias foram feitas”, afirma Wylie.

Após a descoberta do vazamento, Mark Zuckerberg foi ao Congresso dos Estados Unidos e assumiu a culpa pelo uso da rede social para espalhar fake news, influenciar eleições, propagar discurso de ódio e para coletar dados.

“Nós não tomamos todos os devidos cuidados. Isso foi um grande erro e eu peço desculpas”, disse Zuckerberg aos congressistas. O executivo também disse ter sido lento demais para identificar a ação dos russos nas eleições norte-americanas.

Facebook e a política

O filme mostra que a primeira participação efetiva do Facebook em uma mobilização política não aconteceu em apenas uma eleição. A rede social foi usada durante a Primavera Árabe, em 2011, para organizar manifestações contra o regime de Hosni Mubarak, no Egito. “Eu não conseguiria mobilizar as pessoas e propagar a minhas ideias sem o Facebook”, afirma Ghonim.

Após a vitória dos manifestantes que foram às ruas contra o presidente, a rede social continuou sendo usada, mas com um outro propósito. A renúncia dividiu o país e fez aumentar a quantidade de postagens agressivas.

Departamento de internet da Rússia

A rede social foi usada como uma ferramenta militar pela Rússia contra a Ucrânia em 2014. Os atritos entre os dois países são antigos, mas pela primeira vez o Kremlin usou a internet para atacar.

O Departamento de Internet era o responsável por criar e difundir as notícias falsas, segundo o documentário. Novamente o discurso de ódio e as informações de grande impacto fizeram a população curtir e compartilhar os posts e o algoritmo entendia que tudo era um conteúdo relevante.

Espalhando fake news

A produção mostra também como uma cidade na Macedônia se tornou o centro de distribuição de notícias falsas contra Donald Trump e Hillary Clinton. A estratégia dos criadores de conteúdo era ter um grande número de acessos para ganhar dinheiro com publicidades.

Após a vitória de Donald Trump, a CIA encontrou indícios de que a Rússia também usou a plataforma de anúncios da rede social e perfis falsos para interferir na campanha. O objetivo era a aumentar a polarização dos eleitores. Segundo o documentário, esse seria o primeiro caso da ação de um país para influenciar eleitores via Facebook.

Polarização pelo mundo

A partir de 2017, países menores na Ásia como Filipinas, Myanmar e Sri Lanka passaram a ter problemas com a violência provocada a partir de postagens nas redes sociais.

A jornalista Maria Ressa afirma ter encontrado mais de 50 executivos do Facebook, incluindo Mark Zuckerberg, para pedir ajudar sobre o aumento da violência por conta de fake News e discursos de ódio, mas nada foi resolvido.

“O Facebook é um ecossistema de informação que virou a democracia de ponta cabeça. Onde mentiras são verdades”, afirma Maria ao jornalista Jacoby, da PBS.

Fonte: R7