Estados americanos investigam monopólio do Facebook
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Estados americanos investigam monopólio do Facebook

Empresa é acusada de asfixiar concorrência e colocar usuários em risco

Por
AFP

Empresa apresenta série de medidas conter vazamento de dados de usuários

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Nova York e outros seis estados dos Estados Unidos, além da capital, avançam em uma investigação antimonopólio contra o Facebook para determinar se a rede social "asfixiou a concorrência e colocou em risco seus usuários", segundo anunciou a procuradoria geral do estado de Nova York.

"A investigação se concentra no domínio do Facebook na indústria (de mídia social) e no comportamento potencialmente anticoncorrencial resultante", disse a procuradora-geral Letitia James em um comunicado, acrescentando que ela examinará o uso de dados dos usuários e o aumento dos preços dos espaços publicitários.

Além de Nova York e Washington, os outros estados envolvidos são Colorado, Iowa, Nebraska, Carolina do Norte, Ohio e Tennessee. Por sua parte, o promotor estadual do Texas Ken Paxton anunciará uma investigação antitruste contra o Google, segundo o Wall Street Journal. "Até a maior plataforma de rede social do mundo deve respeitar a lei e os consumidores", afirmou James.

"Usaremos qualquer ferramenta a nossa disposição para determinar se as ações do Facebook podem comprometer os dados pessoais dos consumidores, reduzir a qualidade das opções oferecidas a eles ou aumentar o preço da publicidade", acrescentou.

Além dessas investigações estaduais, o Facebook e o Google também são alvos das autoridades federais, como o Departamento de Justiça e a Federal Trade Commission (FTC), a agência de proteção ao consumidor dos Estados Unidos. Até o momento, não se sabe se essas investigações serão coordenadas. As autoridades americanas estão preocupadas com o papel dominante de um punhado de gigantes da tecnologia nas comunicações e no comércio.

Desde o início do escândalo Cambridge Analytica em março de 2018, o Google e o Facebook estão particularmente sob os holofotes dos governos, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, sobre o uso de dados pessoais. No final de julho, as autoridades impuseram ao Facebook uma multa recorde de US$ 5 bilhões por não proteger os dados pessoais de seus usuários.

Nesta semana, o site especializado TechCrunch informou que os números de telefone vinculados a mais de 400 milhões de contas do Facebook foram armazenados em servidor vulnerável. Ficaram assim expostas mais 419 milhões de registros de usuários da maior rede social do mundo em vários bancos de dados, dos quais 133 milhões pertencem a contas nos Estados Unidos, mais de 50 milhões no Vietnã e 18 milhões na Grã-Bretanha.

O Facebook admitiu parcialmente as informações do TechCrunch, mas minimizou o incidente, garantindo que o número de contas confirmadas até agora é de cerca da metade dos 419 milhões mencionados e que muitos desses registros eram antigos. Na quarta-feira, o YouTube - de propriedade do Google - concordou com a justiça em pagar uma multa recorde de US$ 170 milhões nos Estados Unidos e prometeu proteger melhor os dados das crianças que navegam na plataforma de vídeo online.

O Facebook também apresentou em agosto uma nova ferramenta para que seus usuários possam controlar seus dados obtidos pelo grupo fora da rede social, em uma tentativa de se mostrar mais pró-ativo na proteção de informações pessoais.