França e EUA dão 15 dias para acordo sobre impostos a gigantes da Internet

França e EUA dão 15 dias para acordo sobre impostos a gigantes da Internet

Comissário europeu Phil Hogan ressaltou que o bloco "se manterá ao lado da França" na disputa

Por
AFP

Estados Unidos ameaçaram impor tarifas de até 100% a produtos franceses em represália a um imposto aplicado pela França desde o ano passado aos gigantes de Internet, como Facebook, Amazon e Google


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França e Estados Unidos estabeleceram 15 dias para conseguir um compromisso sobre a tributação dos gigantes do setor de tecnologia na OCDE, o que diminuiria as tensões entre os dois países, desde que Washington não adote sanções contra os produtos franceses até lá. Após uma longa conversa por telefone no dia anterior com o seu colega americano Steven Mnuchin, o ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, expressou nesta terça-feira sua vontade de relançar as negociações com os Estados Unidos no âmbito da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre a taxação no setor digital.

"Concordamos em redobrar os esforços nos próximos dias para tentar encontrar um compromisso sobre a taxação do setor digital no âmbito da OCDE", afirmou o ministro em coletiva de imprensa na companhia do comissário europeu para o Comércio, Phil Hogan. Os Estados Unidos ameaçaram impor tarifas de até 100% a produtos franceses em represália a um imposto aplicado pela França desde o ano passado aos gigantes de Internet, como Facebook, Amazon e Google.

Vinhos e queijos estão na lista de produtos que podem ser afetados a partir de meados de janeiro, depois de um relatório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) alegar que a taxa francesa prejudica empresas americanas. Le Maire pediu a Washington que, durante esse "período de discussões", não imponha sanções a Paris, de modo a tentar obter, na OCDE, um acordo mundial sobre um imposto sobre os gigantes tecnológicos em substituição ao francês. "Se houvesse sanções americanas (...), levaríamos o caso à OMC e estaríamos prontos para reagir", alertou Le Maire. "Portanto, acreditamos que o projeto de sanções americanas contra a tributação digital francesa é ao mesmo tempo hostil, inadequada e ilegítima", advertiu, reafirmando que o imposto francês não é discriminatório, como alegam as autoridades americanas.

O comissário europeu Phil Hogan ressaltou, por sua vez, que o bloco "se manterá ao lado da França" na disputa. Na semana que vem, Hogan irá a Washington para se reunir, entre outros, com o responsável americano pelo Comércio, o USTR Robert Lighthizer.


Lighthizer recebeu até segunda-feira à noite comentários escritos de indivíduos e profissionais e nesta terça-feira realiza uma reunião pública para examinar os pedidos de isenção de novos impostos, enquanto a França já é afetada desde outubro - como outros países europeus - por impostos punitivos decretados por Washington em resposta aos subsídios concedidos à Airbus. Há um ano, os Estados Unidos relançaram as negociações sobre tributação digital na OCDE, bloqueadas por vários anos, mas em dezembro estabeleceram condições rejeitadas pela França, deixando no ar dúvidas sobre a possibilidade de encontrar um acordo global antes do final de 2020.