Rede social conservadora Parler processa Amazon por tirá-la do ar

Rede social conservadora Parler processa Amazon por tirá-la do ar

Decisão foi tomada pela empresa por mensagens reiteradas de incitação à violência após o ataque ao Congresso dos EUA

AFP

O Parler considera que a decisão foi tomada por razões políticas e com o objetivo de reduzir a concorrência em benefício do Twitter.

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O Parler, rede social favorita dos apoiadores de Donald Trump, processou nesta segunda-feira a Amazon por expulsá-la da internet ao bloquear o acesso a seus servidores, devido a mensagens reiteradas de incitação à violência após o ataque ao Congresso dos EUA.

A Amazon informou a suspensão da conta do Parler a partir das 5h (horário de Brasília) desta segunda, explicando em uma carta à rede social que havia observado um "aumento persistente de conteúdo violento".

O Parler considera que a decisão foi tomada por razões políticas e com o objetivo de reduzir a concorrência em benefício do Twitter. A plataforma se queixou da falta de um aviso prévio de 30 dias e pediu aos tribunais uma ordem provisória contra a Amazon obrigando o grupo a reabrir os seus servidores.

O Google e a Apple já o removeram de seus serviços de upload de aplicativos por causa da proliferação de "ameaças de violência" e "atividades ilegais". Os gigantes da tecnologia consideraram sua política de moderação de conteúdo ineficiente.

"O Parler não pode ou não quer identificar rapidamente e retirar estes conteúdos", reagiu a Amazon em uma mensagem enviada à AFP. O Parler desafia as normas da Amazon e, como consequência, sua demanda "não se justifica", acrescentou a empresa, destacando que deseja atender a "clientes de todas as tendências políticas".

O Parler cresceu rapidamente depois que o Twitter removeu permanentemente a conta do presidente Donald Trump na sexta-feira. Segundo o fundador e CEO do Parler, John Matze, levará tempo para que a rede social volte a funcionar.

"Faremos o que for preciso para voltar a ficar online o mais rápido possível, mas todos os fornecedores que contatamos nos dizem que não querem trabalhar conosco se a Apple ou o Google não aprovarem" e é difícil encontrar "300 a 500 servidores em 24 horas", explicou Matze em entrevista à Fox News no domingo.

Em um comunicado, Matze disse na noite de domingo que quer fazer do Parler um lugar de "diálogo aberto" onde nenhuma forma de violência seja tolerada.

Lançada em 2018, o Parler funciona como o Twitter e tem a liberdade de expressão como seu lema. Com sede em Henderson, Nevada, a empresa foi fundada por John Matze, um engenheiro da computação, e Rebekah Mercer, uma das principais doadoras do Partido Republicano.

Uma rede social em ascensão

A rede atraiu, especialmente em seus primeiros dias, usuários ultraconservadores e de extrema direita. Atualmente também acolhia vozes de republicanos mais tradicionais. O apresentador da Fox News Sean Hannity tinha 7,6 milhões de seguidores e o colega Tucker Carlson, 4,4 milhões.

Políticos republicanos, como o congressista Devin Nunes e a governadora da Dakota do Sul, Kristi Noem, também participavam do Parler. Foi, porém, a recente decisão do Twitter de banir Trump que fez seu número de usuários disparar.

Outras redes sociais importantes, como Facebook, Instagram, Snapchat e Twitch, também suspenderam o perfil do magnata republicano, o que fez com que muitos de seus seguidores se voltassem em massa para plataformas conservadoras como o Parler ou o Gab.

Depois dessa dura manifestação dos gigantes da tecnologia contra as postagens extremistas, as redes sociais conservadoras provavelmente terão que se adaptar.

O serviço de transmissão de vídeo ao vivo DLive, usado por vários manifestantes durante a invasão do Capitólio na quarta-feira, baniu sete canais e tirou do ar mais de 100 vídeos.

Alguns podem escolher agir como fez o Gab, uma rede social habitada principalmente por usuários ultraconservadores. Ela ficou no centro da polêmica em 2018, quando descobriu-se que o autor de um tiroteio que matou 11 pessoas em uma sinagoga em Pittsburgh havia postado mensagens anti-semitas na plataforma.

Depois de ser vetado pela Apple e o Google, o Gab adquiriu seus próprios servidores para evitar a dependência de empresas externas.

Essa rede, inclusive, se beneficiou do que aconteceu com o Parler e ganhou milhares de usuários nas últimas horas.

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