Setor de tecnologia tem lucro forte, mas ações recuam em Nova York

Setor de tecnologia tem lucro forte, mas ações recuam em Nova York

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Balanço trimestral encerrou setembro com resultados mais fracos do que esperado em principais empresas de tecnologia americanas | Foto: Spencer Platt / AFP / CP


Oito maiores empresas do ramo registraram alta de 40% com relação ao mesmo período de 2017

As oito principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos apresentaram juntas um lucro líquido de US$ 41,3 bilhões no terceiro trimestre deste ano, uma alta de 40% em relação a igual período de 2017. Mesmo assim, são elas que lideram a onda de vendas de ações (sell-off) em Nova York, com algumas das gigantes do setor mais populares em bear market - com queda de 20% em comparação a um pico recente - ou muito próximas dele, empurrando os índices S&P 500 e Nasdaq ao território de correção técnica há algumas semanas.

No pano de fundo que leva investidores a se desfazerem das posições no setor estão resultados mais fracos do que o esperado, além da caminhada gradual de aperto monetário do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e das tensões em relação à economia global.

Enquanto investidores monitoram uma série de fatores que têm causado volatilidade entre os principais índices acionários nova-iorquinos, a temporada de balanços do trimestre encerrado em setembro revelou resultados mais fracos do que o esperado para algumas das principais empresas de tecnologia americanas. É o caso do Facebook, que teve crescimento de 33% da receita no terceiro trimestre, na comparação anual, mas frustrou as projeções de alta maior e perdeu fôlego em relação aos anos anteriores.

No mesmo trimestre de 2016, por exemplo, o aumento anual da receita havia sido de 55%, enquanto em 2017 foi de 47%. No caso da Amazon, as vendas líquidas, que equivalem à receita, também desapontaram. A líder varejista registrou avanço de 26% no terceiro trimestre de 2018, na comparação anual, mas aquém do que previam analistas. Já a Apple gerou rebuliço com as vendas de iPhones, primeiro ao reportar que vendeu menos do que se esperava, e depois ao anunciar que deixaria de incluir esse item específico em seus resultados trimestrais. Alguns especialistas avaliam que o ato poderia, inclusive, gerar uma crise de confiança em relação à companhia.

Para alguns, porém, o sell-off das techs se deve a um movimento de correção que vem se aproximando. Analistas da DM Martins Research ressaltam que uma carteira com ações das chamadas FAANGs, sigla que se refere a Facebook, Amazon, Apple e Google (Alphabet), teria retornado 20% a mais do que o mercado amplo nos últimos 12 meses. Um cenário assim, para eles, não é sustentável. "Acreditamos que o mercado de ações está ficando sem fôlego", e apostam que uma "correção há muito atrasada" deve chegar em breve.

Economia

A trajetória de aperto monetário nos EUA, que deve levar o Fed a elevar os juros no país mais quatro vezes até o final de 2019, também pesa sobre as ações. No dia anterior, o banco central americano decidiu manter a taxa dos Fed funds na faixa de 2,00% e 2,25%, como era esperado, mas uma nova alta deve ocorrer em dezembro, calculam economistas.
"O Fed não fez alterações em seu plano de jogo e continua em um caminho gradual para aumentos das taxas de juros se a economia evoluir conforme o esperado", destaca o diretor do MUFG Union Bank, Christopher Rupkey. Juros mais altos incentivam m que investidores desfaçam posições em ativos de renda variável ou, pelo menos, priorizem papéis considerados mais seguros.

Mas enquanto a atividade americana mostra força dado após dado, o cenário ao redor do mundo impõe cautela. Nos últimos meses, diversas instituições, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) revisaram suas projeções de crescimento para a economia global para baixo e alertam para uma desaceleração sincronizada, o que pode afetar principalmente as empresas de tecnologia, cuja cadeia de produção depende de negócios além das fronteiras, em países como a China.

Na última quinta-feira, foi a vez da Europa ver rebaixadas suas previsões de crescimento por órgãos como FMI e Comissão Europeia. Tudo isso soma-se, ainda, às tensões diante da batalha comercial entre Pequim e Washington. Com consequências ainda incertas, as tarifas poderiam espalhar seu impacto mundo afora.

* Fonte: AE

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