Artista KekêKaraokê volta a Esteio para quatro shows
capa

Artista KekêKaraokê volta a Esteio para quatro shows

Clerton Cordeiro Abreu se apresenta no projeto Revival Anos 90, nas sextas-feiras de setembro, com ingresso solidário

Por
Fernanda Bassôa

Parodista é natural de Serrota, no Ceará

publicidade

Depois de 16 anos longe da Região Metropolitana, Clerton Cordeiro Abreu, de 60 anos, está de volta a Esteio para apresentações dentro do projeto Revival Anos 90. Ícone da geração que frequentava festas entre 1990 e 2000, no centro da cidade, KekêKaraokê fará quatro apresentações: nesta sexta-feira e nos dias 13, 20 e 27 de setembro. A cada pulseira adquirida, é preciso doar um quilo de alimento não perecível ou um litro de leite. Os donativos arrecadados nos dois primeiros dias serão doados para o projeto Flamenguinho, da vila Pedreira. O restante será entregue na Casa da Cultura Hip Hop para o projeto Hip Hop Alimentação. 

Os shows terão homenagens a DJs que acompanharam Kekê naquela época e participações como de Elojaq, da banda Maria Bonita. "É incrível voltar para Esteio e reencontrar muitos amigos. É disso que eu sinto falta. Das pessoas, além é claro, de um bom chimarrão”, comenta Kekê. Ele conta que o personagem nasceu em 1985, mas foi em meados de 1990 que estourou nas noites da cidade. “Lembro que, quando era feriado na sexta, a frente do clube era abarrotada de gente. Vinham pessoas de Sapucaia, Viamão, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Porto Alegre e Campo Bom. Bons tempos de diversão garantida.”

O final da temporada do Kekekaraôke em solo gaúcho aconteceu em 2003, com a chegada dos aparelhos de videokê na região, o que, segundo ele, inviabilizou a manutenção de uma equipe de cinco integrantes, e, posteriormente, deveu-se à Lei do Silêncio, regulamentação que impedia apresentações em carro de som. Esses, de acordo com Keke, foram os motivos que o fizeram encerrar as atividades no Rio Grande do Sul e voltar para sua cidade Natal, no Ceará, onde, em 2008, abriu uma empresa na área musical.

O fã e amigo Milton Rodrigo de Oliveira, 38, conta que sempre teve um apreço pelo “parodista” e diz que as redes sociais ajudaram no retorno. “Eu o acompanhava pela Internet. Quando vi que ele fez uma participação em um evento em Tramandaí, em 2017, logo fiz contato. Trocamos telefone e soube que o projeto Revival Anos 90 já estava em produção e, quase, em andamento. Então reforçamos mais a ideia, intensificada com ajuda de apoiadores e patrocinadores a partir de junho deste ano.” Oliveira, o Pitty, que diz ter pego o final da era do Kekê em Esteio, conta que muitos amigos e parentes estão radiantes com o retorno do ícone à região. “Momento de reviver os velhos e bons tempos.”

A dentista Andreia Baierlle Figueiredo Braga, 42, se emociona ao lembrar da época de juventude. “O Kekê fez parte da minha adolescência. Dançavamos a noite toda”, disse ela, que vai garantir pulseiras para toda a família. “Como perder a oportunidade de vê-lo novamente e reviver momentos nostalgia.” A técnica em produção industrial, Cassandra Brittes Ramon, 38, também lembra daquela época. Moradora de Sapucaia do Sul, ela saía de casa para cantar no palco do karaokê. “Nosso vício era dançar e cantar no KekeKarokê. Lembro como se fosse ontem. Passávamos a semana toda só esperando pela quinta.”

Clerton Cordeiro Abreu, 60, nascido em Serrota, no Ceará, é apresentador de eventos bilíngue. Chegou a dar aulas de inglês e trabalhou como garimpeiro em Serra Pelada antes de se aventurar no mundo do entretenimento e criar, ainda no Nordeste, o personagem KekeKaraokê, em meados 1985, para entretenimento de festas e eventos. No ano seguinte, em 1986, o projeto foi levado para o Paraná e em seguida veio ao Rio Grande do Sul. Em solo gaúcho, atuou em Eldorado do Sul, Charqueadas, Tramandaí, Imbé, Lajeado, Encantado, Venâncio Aires e Igrejinha. Em 1989, KekeKaraokê chegou a Porto Alegre e alavancou. Empresários da época o levaram para Esteio, cidade onde permaneceu em cartaz por cinco anos. Depois que saiu do clube esteiense, fez apresentações em Sapucaia do Sul e no Litoral Norte. O renome e o sucesso da época - que o fez passar por mais 50 cidades gaúchas e movimentar um público superior a 10 mil “karaoquistas” - o levaram a conhecer as capitais da Bélgica, Holanda e Inglaterra, antes de voltar para o Ceará, no seio da família, onde segue trabalhando musicalmente.