Cidades da região Sul protestam contra comércio fechado

Cidades da região Sul protestam contra comércio fechado

Grupos também pediram o retorno da cogestão

Angélica Silveira

Grupos protestaram por reabertura do comércio não essencial na região Sul do Estado

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Em três cidades da região foram registrados na manhã desta segunda-feira protestos de comerciantes contra as determinações da bandeira preta do governo do Estado que permite o funcionamento somente de estabelecimentos que vendem o que é considerado essencial. 

Em Canguçu, conforme os organizadores, a carreata envolveu em torno de 500 carros. “Mesmo estando funcionando tinha que participar e mostrar ao governador Eduardo Leite que o comerciante/ trabalhador não é culpado pelo aumento da taxa de contaminação do coronavírus. Todo o serviço que coloca pão na mesa tem que ser considerado essencial”, observa o dono de mercado e presidente da Câmara de Vereadores Leandro Ehlert. A carreata terminou na frente da prefeitura. Os automóveis tinham laços preto e cartazes com frases de protesto sobre como todo o trabalho que põe o pão na mesa é essencial. Foram utilizadas faixas pretas e a maioria dos participantes vestia roupas nas mesmas cores em respeito aos mortos na pandemia. Foi realizado um minuto de silêncio e uma oração.  

“Até mesmo os comércios abertos apoiaram o protesto. Os funcionários estavam com cartazes nas portas incentivando o movimento”, relata um dos organizadores do protesto, Gilson Pinheiro Moraes que é proprietário de uma academia e uma quadra de esportes. Para ele, Canguçu, mesmo sendo uma cidade em que a maioria da população mora na zona rural, deve manter seu comércio aberto: “A sensação é de impotência, pois temos que acatar a decisão de fechamento mesmo cumprindo todos os protocolos. Passamos no último ano por eleições, carnaval, praias abertas e lotadas. Todo mundo que trabalha é essencial. Até empresas maiores estão com dificuldades”, diz. Ele conta que a intenção do movimento é que sejam realizadas novas ações. “Queremos uma solução. Estamos em contato com outros municípios e queremos voltar a trabalhar. Tivemos o apoio do Legislativo e do Executivo. O prefeito Vinícius Pegoraro ficou de levar a nossa reivindicação até o governador”, relata.

Em São Lourenço do Sul a carreata foi organizada pela ACI/CDL e teve apoio do Sindicato Rural, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Sindicato dos Motoristas e Caminhoneiros. Conforme o presidente da ACI/CDL Mahmoud Amer centenas de carros lotaram o centro no protesto. O grupo saiu da frente do Sindicato Rural. “A carreata teve como tema somos todos essenciais, trabalhador não é criminoso, pela vida e pelo trabalho, pela abertura do comércio e pela volta da cogestão”, afirma. Um carro de som abriu a carreata e outro encerrou: “Cada carro tinha uma pessoa usando máscara. Nossa causa é justa, somos todos essenciais”, destaca Amer que é empresário no ramo de confecções e calçados. 

Após a manifestação, o empresário participou de uma reunião com a Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) aonde realizou a reivindicação para a volta ao trabalho com regras. “Quarta-feira o presidente da entidade e prefeito de Canguçu Vinícius Pegoraro tem uma reunião com o governador e prometeu levar a nossa carta aonde pedimos a volta da cogestão. Cada cidade tem sua particularidade. Somos a favor da vida, mas precisamos trabalhar”, observa. 

Em Pelotas os protestos ocorreram no Largo Edmar Fetter no Centro da cidade. Com roupas e faixas pretas, em sua maioria, representantes de vários setores pediam a volta ao trabalho. O trânsito chegou a ser interrompido por alguns momentos em frente à prefeitura.


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