CPI que apura irregularidades no Hospital de Alvorada ouve mais cinco pessoas
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CPI que apura irregularidades no Hospital de Alvorada ouve mais cinco pessoas

Presidente da Comissão considera que material recolhido já seria suficiente para produzir relatório solicitando afastamento da gestão

Por
Fernanda Bassôa

Ao todo, 16 denunciantes já tiveram suas oitivas registradas em atas, documentação que mais tarde deverá embasar denúncia a ser entregue ao MP

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Vereadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instaurada na Câmara de Alvorada há duas semanas, ouviram mais cinco pessoas sobre os atendimentos, óbitos mal explicados e falta de gestão no Hospital de Alvorada, atualmente gerenciado pela Fundação de Cardiologia. Ao todo, 16 denunciantes já tiveram suas oitivas registradas em atas, documentação que mais tarde deverá embasar denúncia a ser entregue no Ministério Público. O presidente da Comissão, o vereador Cristiano Schumacher, disse que a abertura da CPI foi motivada pelo conjunto de denúncias que tem sido feito pela população e que se intensificaram nos últimos cinco anos.

“Demora nos atendimentos, óbitos, falta de médicos, enfermeiros, acolhimento mal feito e protocolos irregulares são algumas das reclamações. O hospital tem 100 leitos e é a única porta de urgência e emergência do SUS aberta em Alvorada. A comunidade está se sentindo desamparada. Na sessão feita há duas semanas, onde a direção foi chamada para dar explicações, as respostas não foram satisfatórias. Eles trouxeram uma apresentação pronta. A partir daí, decidimos pela abertura da CPI que vai apurar os fatos e reunir material para que o MP tome as medidas cabíveis", afirma.

Nesta primeira fase, segundo Schumacher, os vereadores ouvirão o maior número de denunciantes e queixas. Depois, serão chamados os gestores do Hospital e a secretaria Estadual de Saúde. Se necessário, representantes do Conselho municipal de saúde e da secretaria de saúde do município também serão intimados.

“O material que temos já seria suficiente para produzir bom relatório solicitando, com muita tranquilidade, o afastamento da gestão do hospital, bem como de outros departamentos. Ouvimos alguns ex-funcionários e os relatos são absurdos. Ficamos estarrecidos com a falta de material, acolhimento, com a sobrecarga, assédio moral e tamanha negligência com o quadro de pacientes. Nossa comissão fará visitas ao hospital nos horários de maior reclamação. Queremos documentar e convencer o Estado que é preciso romper o contrato com o atual administrador.”

A assessoria de comunicação da Fundação Universitária de cardiologia informa que a Direção do Hospital de Alvorada tem realizado reuniões internas de trabalho para, a partir dos apontamentos feitos em sessão ordinária na Câmara de Vereadores, identificar fragilidades na área de assistência e discutir providências a serem tomadas. A instituição está concluindo um plano de ação com base nos resultados destas reuniões para aprimorar a qualidade do atendimento à população. 

A Secretaria da Saúde (SES/RS) está monitorando a situação e já solicitou à Fundação Universitária de Cardiologia a elaboração de um plano de abordagem, com cronograma de ações, para solucionar os gargalos no atendimento no Hospital de Alvorada. Esse plano, a ser elaborado em conjunto com a equipe diretiva do hospital, deve ser apresentado à Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores de Alvorada, em respeito à transparência no atendimento dos usuários SUS.