CPI segue investigações sobre seis mortes ocorridas em hospital de Campo Bom

CPI segue investigações sobre seis mortes ocorridas em hospital de Campo Bom

Suposta falha no sistema de distribuição de oxigênio teria provocado os óbitos

Stephany Sander

CPI busca investigar a suposta falha no sistema de distribuição de oxigênio

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Vinte e um dias após uma suposta falha no sistema de distribuição de oxigênio no Hospital Lauro Reus, de Campo Bom, ocasionar a morte de seis pessoas, os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), aberta na Câmara Municipal de Vereadores, segue a apuração do incidente, formalizando intimações e agenda de depoimentos. 

Segundo o presidente da CPI, o vereador Jerri Moraes (MDB), a comissão tem se reunido toda a semana. “Estamos lidando com um tema muito delicado. Todos os passos da CPI precisam ser precisos e a nossa atuação é muito responsável”, detalha. “A partir da próxima quarta-feira, vamos começar a ouvir as pessoas envolvidas. Serão três nessa primeira audiência e nas próximas semanas devem ser quatro depoentes por encontro”, acrescenta Jerri. 

Além da audiência do dia 14, estão previstas novas oitivas para os dias 20 e 22 de abril. As intimações já foram entregues aos depoentes. “Os nomes de todas as pessoas que serão ouvidas pela CPI permanecerão em sigilo, assim como as informações que necessitam ser preservadas durante o andamento dos trabalhos. Assim que o relatório estiver pronto, será levado a plenário e os parlamentares poderão se pronunciar de forma pública como acharem necessário”, finaliza Moares. 

Suposta falta de oxigênio 

Instalada na sessão de 22 de março e com a primeira reunião realizada no dia 24, a CPI tem prazo de 90 dias para ser finalizada, com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias. Na manhã da sexta-feira, 19 de março, supostos problemas no sistema de abastecimento de oxigênio do Hospital Lauro Reus ocasionaram a falta do suprimento em diversos setores da casa de saúde e teriam sido um dos fatores que ocasionaram o óbito de seis pacientes que estavam internados em tratamento contra a Covid-19. 

Conforme nota técnica divulgada pelo hospital, no período entre 8h10 e 8h40 da sexta-feira, 26 pacientes estavam em ventilação mecânica na UTI e Emergência. Ainda segundo o informativo, não houve em momento algum falta de oxigênio aos pacientes, devido à rápida ação da equipe assistencial, que acionou imediatamente o Plano de Contingência - em decorrência de uma instabilidade na rede central de distribuição de oxigênio (O²) que durou aproximadamente 30 minutos. 

A Polícia Civil e o Ministério Público também investigam o caso e estão apurando se uma sétima morte no mesmo dia tem ou não relação com o problema. O órgão aguarda o relatório técnico da Air Liquide para determinar o que causou o problema na distribuição. 

O MP quer saber se houve desabastecimento, a causa do acionamento das baterias, motivos pelos quais as baterias reservas não foram acionadas corretamente, a quem foi dado treinamento para acioná-las, se foi feito abastecimento, como se dá o monitoramento dos tanques por telemetria, quando a empresa foi acionada para o reabastecimento dos tanques que esgotaram, datas e volumes dos abastecimentos dos últimos três meses. 

Ao hospital, o MP solicitou o nome dos funcionários, quem era o engenheiro responsável, quem fazia o controle no dia. Ambos pedidos estão dentro do prazo.

Hospital colabora na investigação 

Em nota, a direção do Hospital Lauro Reus informou que tem prestado todos os esforços para colaborar com as autoridades competentes, bem como com as instituições sobre todo e qualquer fato necessário.

"O hospital segue atendendo acima da capacidade operacional, assim como os demais no Estado e no País e, como medida para evitar aglomerações e maior fluxo de pessoas nas unidades, mantém contato diário com familiares de parentes internados e também através de boletins informativos entre as equipes", diz o comunicado. 

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