Estiagem deixa milhares de famílias sem água no Norte do RS

Estiagem deixa milhares de famílias sem água no Norte do RS

Em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, abertura de poços artesianos amenizam os efeitos da seca

Agostinho Piovesan

Alpestre é um dos municípios do Norte do Estado onde centenas de famílias são abastecidas com carros pipa da prefeitura

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Milhares de famílias dos municípios do Norte do Estado são abastecidas com água transportada pelas prefeituras, com a utilização de carros pipa. É constante o vai e vem de caminhões que recolhem água nos reservatórios da Corsan nas cidades e transportam o líquido para localidades do interior dos municípios, onde até parte dos poços artesianos secaram.

Fontes naturais, açudes e pequenos córregos também reduziram drasticamente sua vazão. A situação é causada pela estiagem que dura mais de dois meses. Neste período foram registradas apenas chuvas localizadas. As Administrações Municipais informam que há necessidade de pelo menos 150 milímetros de chuvas para recuperar a vazão das fontes e rios. As temperaturas elevadas, que chegam próximo a 40 graus, agravam ainda mais a situação.
Além de garantir a quantidade mínima de água para consumo humano, nas residências e rebanhos bovinos, aviários e criação de suínos, as prefeituras mobilizam equipes das secretarias de Obras e Agricultura no trabalho de abertura de bebedouros e instalação de canalizações de água. A água para consumo humano é fornecida pela Corsan e para pocilgas e aviários, o líquido é captado em rios que ainda apresentam vazão.

No município de Alpestre a prefeitura utiliza quatro caminhões pipa para abastecer 300 famílias que residem em 22 localidades da zona rural. “É uma das mais severas estiagens dos últimos 20 anos e que deixa famílias sem água e elevadas perdas no setor primário”, avalia Zasso. Vários moradores da zona rural começam a retirar água do rio Uruguai para abastecer as propriedades.

Em Frederico Westphalen, o secretário de Obras, Paulo Tigmann, informou que até agora um caminhão transportava oito cargas de água para a zona rural, para abastecer famílias. “A partir desta quarta-feira um segundo carro pipa fará o transporte de água, pois o número de famílias desabastecidas aumenta dia a dia”, observa.

O prefeito de Tenente Portel, Rosemar Sala, disse que os poços artesianos da zona rural estão com vazão extremamente baixa e alguns secaram. “Em muitas localidades, a água para o consumo humano também está sendo garantida pela prefeitura, com a utilização de dois caminhões pipa que transportam em média 60 mil litros todos os dias”, detalha.

A Emater local afirma que desde o início de novembro as precipitações pluviométricas ficaram 70% abaixo da média dos últimos três anos, para o período. A falta de água afeta a criação de suínos e aves e gera problemas também nas pocilgas de suínos.

O presidente da Associação dos Municípios da Zona da Produção (Amzop) e prefeito de São Pedro das Missões, Antônio Ferreira da Silva, confirmou que os 43 municípios vinculados à entidade decretaram situação de emergência. “Nos primeiros dias de janeiro a Amzop vai reunir os prefeitos e representantes do Estado para tratar dos problemas causados pela seca e encaminhar pedido de ajuda aos governos estadual e federal”, disse.

A prefeitura de Chapecó, em Santa Catarina, informou que utiliza o kit de perfuração de poços, composto de quatro caminhões para abrir poços artesianos e minimizar os efeitos da forte estiagem que atinge o município e regiões Oeste catarinense.

Segundo Jonas Bringuenti, diretor da secretaria de Desenvolvimento Rural, foram perfurados 14 poços artesianos, beneficiando 342 famílias do meio rural. “O kit perfuração de poços, que custou R$ 16 milhões, era um dos três que foi destinado pelo Governo Federal para Santa Catarina, ainda em maio de 2014, sendo que foi recuperado e agora está sendo utilizado na abertura de poços, em mais uma ação para enfrentar o problema da falta de chuva e desabastecimento de moradores”, observa.

Bringuenti disse que, somando todas as ações da secretaria no combate a estiagem, já foram beneficiadas 1.472 famílias. Além disso, informou que foram construídas ou protegidas 57 fontes modelo Caxambu, beneficiando 180 famílias, e foram distribuídas 33 caixas de água para atender 830 famílias. “Também foram distribuídos 4,8 mil metros de mangueiras e abertos 15 mil metros de valas para redes de água, beneficiando 120 famílias”, disse.

A secretaria de Desenvolvimento Rural informou, ainda, que os 14 poços beneficiam 10 comunidades - Barra da Chalana, Alto da Serra, Boa Vista, São Rafael, Palmital dos Fundos, Linha Pequena, Goio-Ên, Tafona, Alto Capinzal e Colônia Cella.

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