Fogo devasta cerca de mil hectares de vegetação entre Sant’Ana do Livramento e Quaraí

Fogo devasta cerca de mil hectares de vegetação entre Sant’Ana do Livramento e Quaraí

Quinze militares de três municípios foram deslocados para o atendimento à ocorrência

Felipe Faleiro

Chamas levaram três dias para ser controladas, na região da Campanha

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Três dias de um forte incêndio na localidade de Sarandi, interior do município de Sant’Ana do Livramento, próximo à divisa com Quaraí, na região da Campanha, causaram preocupação a moradores locais e o combate intenso das chamas por parte do Corpo de Bombeiros. Quinze militares foram deslocados para o trabalho, que iniciou na quarta-feira, depois recomeçou na sexta e seguiu no sábado. Em torno de mil hectares foram devastados pelas chamas, potencializadas pela estiagem que também assola todo o Rio Grande do Sul.

As corporações de Sant’Ana do Livramento, Quaraí e Alegrete foram acionadas para o trabalho na área de pampa. “É o terceiro ano consecutivo que atendemos ocorrência de incêndio em vegetação nesta situação de falta de água. Portanto, é uma região bastante castigada”, explicou o capitão Vitor Bianchi, comandante da 1º Companhia do 10º Batalhão de Bombeiros Militar (10º BBM), com sede em Livramento. Bianchi foi quem comandou os trabalhos no local do fogo.

De acordo com ele, é difícil apontar uma origem para as chamas, mas ele acredita que 90% das ocorrências desta natureza são causadas pela ação humana, como o descarte incorreto de bitucas de cigarro acesas nas áreas de campo. A localidade em questão fica a cerca de 50 quilômetros da sede de Sant’Ana do Livramento, e mais 60 quilômetros de Quaraí, o que dificulta uma ação rápida em razão do tempo de deslocamento. 

“Quando a gente trata de incêndio em vegetação, a chegada rápida ao local é imprescindível para o combate ser o mais efetivo possível, com menor volume de perdas”, pontua Bianchi. Este terreno em si também tem muitas pedras, afirma ele, o que impede um trabalho mais assertivo de maquinários pesados, como tratores e retroescavadeiras, que poderiam retardar o avanço das chamas. “Foi por detalhe que conseguimos impedir que as residências e estâncias se perdessem”. As altas temperaturas podem potencializar ainda mais a ocorrência de queimadas. 

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o mês de fevereiro teve, nos onze primeiros dias, 29 focos ativos de queimadas no Rio Grande do Sul. Em todo o mesmo mês em 2022, foram 135, o maior número desde 1999. A média é de 49 focos no segundo mês do ano. “Importante salientar que, independentemente da localidade, a população pode acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193, não hesitando quando verificar uma ocorrência de fogo em vegetação mais distante. Com os ventos fortes que correm nestas regiões, as chamas se propagam muito rapidamente e podem vir a trazer muitas dificuldades de controle depois”, comenta o capitão.


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