Funcionários do Hospital de Caridade de Canguçu decidem entrar em greve
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Funcionários do Hospital de Caridade de Canguçu decidem entrar em greve

Apenas 30% dos atendimentos serão mantidos a partir das 7h desta quinta-feira

Por
Angélica Silveira

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Com salários atrasados há quase três meses, bem como parte do 13º de 2016 e todo o de 2017, os 182 funcionários do Hospital de Caridade de Canguçu (HCC) decidiram entrar em greve a partir das 7h desta quinta-feira. Eles devem permanecer em frente ao hospital. Segundo a técnica em enfermagem e uma das líderes do movimento Luciara Luna Lira, os funcionários reivindicam, além dos valores em atraso, que a direção se posicione quanto ao rumo do hospital. “Não tem uma chapa interessada em assumir o hospital e a atual direção entrega o cargo no próximo dia 9”, relata.

Na terça-feira, 24, todos os setores do hospital funcionaram de forma essencial e 19 leitos estavam ocupados. “Até os médicos não estão internando neste hospital. Nos últimos dias, muitos funcionários apresentaram atestado médico e se afastaram do trabalho”, relata a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Serviço de Saúde de Pelotas e região, Bianca Macedo da Costa. O afastamento dos funcionários, fez com que alguns setores deixassem de funcionar por períodos por falta de pessoas. “Há um grande índice de depressão entre os funcionários”, alega Bianca. Ela garante que apesar da greve, 30% dos funcionários, conforme determina a lei, seguirão trabalhando. “Vamos manter o que diz a lei, deixar uma escala que não comprometa o atendimento e iremos notificar o hospital e Ministério do Trabalho nesta quarta-feira”, confirma.

O presidente do HCC, Delaci Borges Pinto, que viajou nesta quarta a Porto Alegre para assinar um novo contrato com o Estado, disse que não sabe ainda quem irá substituí-lo. “Como os funcionários, estamos preocupados com o futuro do HCC. Ninguém quer fechar o hospital, mas as dificuldades vêm de anos, por isso estamos tentando liberar R$ 116 mil do SUS e R$ 400 mil de emenda parlamentar para o hospital. Com isso, iremos acertar o que está em atraso com os funcionários.” A folha se aproxima de R$ 300 mil. “Lamentamos a greve. Assinamos o novo contrato hoje (quarta) e amanhã (quinta) devo dar a notícia aos funcionários. Queríamos prorrogar o de R$ 816 mil, mas, por não termos atingido a meta, baixaram o valor da proposta para aproximadamente R$ 420 mil”, disse o presidente.

A Secretaria Estadual da Saúde ainda não comentou sobre o contrato. Informou que o documento anterior expirou em janeiro e, sem acordo vigente, o hospital recebe apenas os valores referentes à produção e à média e alta complexidade, que estão em dia.

Conforme o presidente do HCC, as despesas mensais chegam a R$ 700 mil. As dívidas com funcionários, médicos e credores ultrapassam R$ 23 milhões. Dos 116 leitos, dez são de UTI e estão fechados desde 2016