Moradores de Viamão pedem acessibilidade
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Moradores de Viamão pedem acessibilidade

Cadeirantes querem rampa de acesso até terminal de ônibus que atende o Campus do Vale

Por
Fernanda Bassôa

Carmen depende de ajuda para usar a escadaria

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Moradores do bairro Jardim Universitário, em Viamão, reivindicam há anos rampas de acesso até o terminal de ônibus que atende os estudantes do Campus do Vale da Ufrgs. Hoje, a única forma de trabalhadores e estudantes cadeirantes chegarem ao ponto é pela escadaria. Caso contrário, a rota alternativa é percorrer 4 quilômetros pela rua Bento Gonçalves. Após uma série de pedidos protocolados, sem êxito, um grupo ingressou em dezembro com processo na Justiça Federal, contra a universidade, sob a alegação de descumprimento da Lei da Acessibilidade, de nº 10.098/2000.

A aposentada Carmen de Mello, que se desloca com cadeira elétrica, diz que, devido à dificuldade para acessar o terminal, tem desistido de pegar ônibus. “Dependo de alguém para me carregar. Isso é muito ruim. O acesso com rampa, com certeza, iria beneficiar e facilitar o deslocamento de muita gente.” Um funcionário da universidade e morador do bairro Viamonense, que prefere não se identificar, diz que existe um conflito de interesses no caso desse acesso. “Por um lado, a universidade procura se manter afastada do bairro, chamado de 'a vila do vale’. Por outro, ganha com a redução de custos, pois prefere empregar pessoas que residem próximas ao local de trabalho. No entanto, não se preocupa com a forma que se deslocam.” Ele afirma que a readaptação da escadaria é uma questão de sensibilidade, acessibilidade e inclusão. Pondera ainda que os moradores têm preferência pela frota que atende a universidade em razão de a passagem ter um custo mais baixo e haver mais oferta de linhas e horários.

Com relação ao pedido da comunidade para a construção de rampa entre o bairro e o Campus do Vale, a Ufrgs esclarece que o terreno é pertencente à Prefeitura de Viamão e, em parte, propriedade da universidade, sendo que a escadaria existente não foi construída pela instituição. Diz que, no entanto, permitiu esse acesso secundário ao campus, para que os moradores possam chegar aos terminais. Segundo a universidade, como o acesso alternativo fica em terreno compartilhado e para que seja universal, seria necessária uma ação conjunta entre a Ufrgs e a prefeitura, com convênio institucional. Já em relação ao processo judicial, informa que ainda não foi notificada. A universidade reitera seu compromisso com a acessibilidade dentro dos campi, priorizando o acesso universal de servidores e alunos. Exemplifica que, no caso do Campus do Vale, a entrada principal é acessível e que foi instalado recentemente piso tátil no caminho entre o terminal e os prédios.

A Secretaria de Assistência Social de Viamão informa que está desenvolvendo uma campanha mais ampla de inclusão e acolhimento que inclui quesitos de acessibilidade. Além disso, garante que existe interesse em dialogar com a Ufrgs, firmando algum tipo de parceria para o acesso ao terminal de ônibus. Conforme a pasta, isso deve ocorrer ainda neste primeiro semestre.