Moradores fazem reuniões e audiências para pressionar CEEE na Região Metropolitana

Moradores fazem reuniões e audiências para pressionar CEEE na Região Metropolitana

Principal reclamação é sobre a demora no retorno do fornecimento de energia elétrica após episódios de chuvas

Fernanda Bassôa

Moradores do bairro Jardim Porto Alegre, em Alvorada, fizeram reunião

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Os problemas com a CEEE enfrentados pelos consumidores em Porto Alegre se repetem na Região Metropolitana. Em Alvorada, uma das lideranças da comunidade do bairro Jardim Porto Alegre, a contadora Vânia Ribeiro, 56 anos, conta que “qualquer chuva” deixa as famílias às escuras. “Dessa última vez, chegamos a ficar seis dias sem energia. Temos asilos aqui e idosos doentes, acamados. Muitos dependem de equipamentos de oxigênio. Não há mais como sustentar uma situação dessas. Não há equipes suficientes para atender a comunidade, o 0800 não funciona e o que parece é que não há o mínimo de estrutura para atender a população. Alguém precisa enxergar isso!”

Vânia ainda reforça que a comunidade fica revoltada porque paga a conta de luz e não tem quando mais precisa. “É um descaso total. Donos de mercados perdendo os produtos, estragando dentro dos congeladores. Eletrodomésticos queimados com o dinheiro que o trabalhador passa o ano todo juntando de pouquinho em pouquinho. Quem vai pagar por isso? Estamos fazendo um abaixo-assinado para realizar uma audiência pública na semana que vem, onde esse debate deve ser retomado.” 

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O comerciante e morador de Viamão, André Guedes, 42 anos, conta que os moradores do bairro Passo da Areia sempre sofreram com a precariedade e falta de manutenção da rede de energia elétrica, mas nunca tão grave como nos últimos tempos. “Com a questão das chuvas e os ventos fortes, os transformadores desarmam com frequência e os moradores do bairro chegam a ficar de dois a três dias sem energia, o que causa muitos transtornos. Já entramos com uma ação junto ao MP pedindo providências urgentes. Aqui é considerada uma zona rural e se não há energia elétrica, também não há abastecimento de água porque o motor não funciona para puxar água do poço, o que deixa a situação ainda mais crítica para as famílias que tem baixo poder aquisitivo.”

Guedes conta que com frequência ocorrem quedas de luz. Uma audiência pública foi realizada na Câmara para tratar da questão da precariedade do serviço. “A Equatorial foi convidada a dar explicações e esclarecer dúvidas, mas não compareceu”, diz ele. Amanhã terá nova audiência. 

Empresa admite dificuldades 

Tanto nas reuniões com o MPRS quanto na Câmara, a empresa admitiu as falhas, e se comprometeu a investir em equipamentos, digitalizar processos para agilizar os atendimentos, e incrementar as equipes, contratando pessoal. À reportagem, a CEEE Grupo Equatorial salientou que “após a posse da CEEE-D, em julho de 2021, não tem medido esforços para realizar melhorias em sua rede de distribuição”. Disse ainda que as ações realizadas “demandam algum tempo para serem concluídas e percebidas como melhorias para os clientes”.

Em 2021, “já foram aplicados recursos em obras estruturantes nas cidades de Porto Alegre, São Lourenço, Turuçu, Santa Vitória do Palmar, Chuí, Jaguarão, Morro Redondo, Pelotas, Rio Grande, Pinheiro Machado, Piratini e São José do Norte”, e que, para 2022, “estão previstos investimentos em projetos de novas subestações, expansão e melhoria de rede e manutenção”. 


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