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Morte de adolescente por meningite mobiliza pais, que pedem antecipação do recesso escolar em Canoas

Pessoas que tiveram contato com a menina não foram medicadas, e o local não foi corretamente higienizado

Por
Fernanda Bassôa

Manifestações para chamar atenção da população foram realizadas durante a semana passada na BR-116, em frente à escola e também da Brigada Militar

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A morte de uma adolescente de 14 anos, em 31 de junho, pelo diagnóstico de meningite Meningócocica tipo C, causou espanto e ainda preocupação entre pais e alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Irmão Pedro, de Canoas, onde a menina cursava o 7º ano. A garota, que não chegou a ser internada porque deu entrada com um quadro de parada cardíaca no Hospital de Pronto-Socorro (HPS), era moradora do bairro Estância Velha. Os pais dos colegas da menina, bem como muitos outros que têm seus filhos matriculados na mesma escola, querem a antecipação do recesso escolar visando a segurança das crianças e também dos professores. Manifestações para chamar atenção da população foram realizadas durante a semana passada na BR 116, em frente à escola e também da Brigada Militar.

“Muitas crianças e pessoas que tiveram contato com a menina não foram medicadas e o local também não foi corretamente higienizado. Estamos falando de uma escola, com centenas de alunos que ficam em recintos fechados uns com os outros. Essa bactéria se prolifera rápido demais. Isso é muito grave. Tivemos reunião no meio da semana passada, mas estamos descontentes com os encaminhamentos. Queremos uma decisão correta do município, da Prefeitura. É preciso ter um olhar mais atento, com mais respeito às famílias”, disse Silmara Silva, 31 anos, mãe de dois meninos que estudam na escola Irmão Pedro. “Estamos todos muito preocupados e aflitos com toda esta situação.”

A Secretaria de Saúde de Canoas informou que a prescrição de profilaxia de bloqueio da bactéria foi feita conforme os protocolos de ação do Ministério da Saúde. Segundo a Administração, todas as pessoas que tiveram contato próximo com a vítima passaram por avaliação médica que determinou o uso ou não do medicamento. O simples fato de ter estudado ou frequentar a mesma escola que a menina não é causa determinante para o uso da medicação. Todas as ações realizadas no caso seguem as orientações do Ministério da Saúde e são conduzidas por médicos e enfermeiros especialistas na área. A Secretaria da Saúde de Canoas, que responde legalmente pela saúde pública do município, está segura da condução do caso em questão.

Além disso, informou ainda que a bactéria que causa a doença não sobrevive no ar ou nos objetos, portanto, não contamina o ambiente. Afirmar que o local foi “não foi higienizado corretamente” é equivocado, pois não há indicação, em nenhum protocolo do Ministério da Saúde, para a realização de limpeza dos locais frequentados pela vítima. A secretaria da Saúde entende a reivindicação dos pais mas, conforme informado em reunião realizada na escola na quarta-feira, não há indicação técnica para tal ação, já que, mesmo se fosse realizada, seria inócua como resposta à proliferação da bactéria.

Em reunião realizada na escola, na mesma data, foi montada uma comissão para discussão da antecipação do recesso escolar. O grupo foi composto por representantes do corpo docente da escola, pais de alunos, direção da escola, Secretaria da Saúde, Conselho Municipal de Saúde e Secretaria da Educação. Naquele momento, como não houve orientação técnica pela Secretaria da Saúde e não foi um consenso entre o corpo docente, optou-se, portanto, pela manutenção das aulas, sem prejuízo aos faltantes. Cabe ressaltar, porém, que não há motivos para a suspensão das aulas, já que o risco de contaminação da Meningite C através do ar, objetos e de ambientes inexiste.