Movimento ERS 118 Sem Pedágio se manifesta na Assembleia Legislativa

Movimento ERS 118 Sem Pedágio se manifesta na Assembleia Legislativa

Grupo tenta impedir a concessão de trecho de 16km

Correio do Povo

Darcy Luiz Zottis Filho utilizou espaço da tribuna popular

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Em uma tentativa de barrar a privatização da ERS 118, o Movimento ERS 118 Sem Pedágio, liderado pelo empresário Darcy Luiz Zottis Filho, dirigente da Associação Comercial e Industrial de Cachoeirinha (ACC) e coordenador do movimento, ocupou a tribuna popular da Assembleia Legislativa.

O coordenador comparou uma possível praça de pedágio na ERS 118 a mesma situação na BR-116, segundo ele, impensável. “A ERS 118 é uma via urbana, metropolitana e estrutural. De tráfego doméstico e diário e, por isso, não pode ser pedagiada. Somos favoráveis às concessões de rodovias, mas as bem elaboradas”, discursou em plenária.

Zottis argumentou ainda que uma praça de pedágio na rodovia faria por penalizar os municípios menos desenvolvidos. “É injusto penalizar toda a região metropolitana, particularmente Alvorada e Viamão, por 30 anos, para a duplicação de 16km. Pedagiar a 118 ampliará o problema social e aumentará o desemprego em Alvorada e Viamão, cidades entre as mais pobres do Estado. Duas cidades-dormitório: 50 mil moradores de Alvorada e 90 mil de Viamão se deslocam diariamente a trabalho para municípios vizinhos. Pedagiar a 118 aumentará o custo dos alimentos, transportes e serviços. O projeto é baseado em subsídio cruzado ao contrário, pois penalizará a região pobre que bancará os investimentos e manutenção em regiões mais desenvolvidas”, criticou.

A deputada Stela Farias (PT) classificou de “nefasto” o projeto de concessão. “Nem todas as concessões são nefastas e ruins quando há cobrança justa, mas não é o caso da ERS 118”, destacou. Para Stela, o projeto de concessão do governo do Estado vai “multiplicar o desemprego, a fuga de investimentos desses dois municípios”.

Stela lembrou que o Movimento ERS 118 Sem Pedágio, que ganhou a adesão de 48 deputados estaduais, teve uma conquista importante com o recuo do governo Leite/ Ranolfo, no final de maio, retirando esse trecho do Programa de Concessões Rodoviárias. “É uma conquista importante, mesmo que seja momentânea”.

Sofia Cavedon (PT), também deputada, se manifestou a favor do movimento. “É desnecessário listar todas as questões, análises e cálculos mostrando como é um negócio ruim para o cidadão, pensado sem a participação da sociedade. Inaceitável que o governo queira anunciar investimentos às custas da mobilidade, do trabalho, dos alimentos e da cidadania, pois este é o modelo que todas essas concessões trouxeram”.

Para a deputada, o modelo proposto pelo governo é ruim porque propõe deságio ao mesmo tempo em que cobra preço para a outorga e não permite redução do preço da tarifa. “Ao tratar o estado todo com a mesma métrica, de que a cada 50 km deve haver uma cancela, o projeto não considera as especificidades de cada região. É claro que iria dar errado”.


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