Remanejo de recursos coloca em risco o fornecimento de almoço para 800 estudantes em Canela
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Remanejo de recursos coloca em risco o fornecimento de almoço para 800 estudantes em Canela

Atraso no repasse de R$ 57,2 mil prejudica a Escola Neusa Mari Pacheco

Por
Halder Ramos

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A Escola Neusa Mari Pacheco, no bairro Canelinha, em Canela, tem o fornecimento de almoço para 800 alunos ameaçado por causa do remanejo no repasse de recursos por parte do Governo do Estado. Com atividades em turno integral, a escola está sem receber os valores complementares para a refeição desde maio. "Sem o repasse, conseguiremos segurar no máximo duas semanas o almoço da escola", afirma o diretor Márcio Gallas Boelter.

Conforme o diretor, o débito bimestral é de R$ 45,3 mil. O diretor explica, ainda, que os meses de abril e maio foram depositados parcialmente e que a escola teria R$ 9,4 mil a receber. Além do recurso do almoço, Boelter reclama do atraso no repasse de verbas para aquisição de produtos de limpeza. Ao todo, segundo o professor, o valor a ser recebido pela escola soma R$ 57,2 mil. "Estamos entrando agosto com dois meses de atraso e mais o valor que não foi depositado corretamente em abril e maio", lamenta Boelter, destacando que a escola é modelo de Educação de Tempo Integral para o Brasil.

O diretor observa que o Estado paga R$ 1,30 por cada almoço servido na escola, mas que o custo da refeição é de R$ 2,80. "Hoje, mantemos o almoço com a participação da comunidade e a produção no nosso Centro Agrícola. Se não fosse assim, não serviríamos essa quantidade de refeições com qualidade. Apesar de pagar uma miséria, o recurso ainda está atrasado. O valor é insuficiente, mas a comunidade vai atrás de fontes diariamente para oferecer um almoço digno aos alunos. Está ocorrendo um grande descaso com a escola em 2019", protesta.

Boelter também cobra a contratação de funcionários para a limpeza e a conclusão das obras do auditório do educandário. "Temos dois funcionários para a limpeza em uma das maiores escolas do Rio Grande do Sul. O auditório, que está 60% concluído, tem as obras paralisadas há um ano por falta de vontade política na assinatura de um aditivo para a conclusão. Um descaso total com a educação de tempo integral", diz.

Sobre a situação, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) informa que a escola recebe três fontes de recursos para alimentação. Conforme a Seduc, o repasse oriundo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) está em dia. Já os depósitos de complementação do almoço pelo tempo integral e pelo Ensino Médio 1000 Horas, devem ser quitados entre esta sexta-feira e segunda. De acordo com a secretaria, não existem parcelas em atraso, mas um remanejamento dos valores de junho e julho em função do recesso escolar. A Seduc informa, ainda, que a verba de Autonomia Financeira, que corresponde a pequenos investimentos, como aquisição de materiais de limpeza, será ajustada em breve.

Já sobre a construção do auditório, o governo estadual frisa que a empresa responsável pela obra solicitou um aditivo para concluir a reforma e a demanda está em análise pela Contadoria e Auditoria-Geral do Estado do Rio Grande do Sul (Cage).