Economia

AGU recorre de liminar que trava fusão entre Embraer/Boeing

Em liminar, juiz recomenda que decisão ocorra após transição de governo

AGU recorre de liminar que impede fusão da Embraer
AGU recorre de liminar que impede fusão da Embraer Foto : Divulgação / Embraer / CP Memória
A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que deve recorrer, ainda nesta sexta-feira, junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de São Paulo, contra a liminar que proíbe o andamento do processo de fusão entre as empresas Embraer e Boeing.

A decisão liminar (provisória) do juiz Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Cível Federal de São Paulo, menciona a proximidade do recesso do Judiciário e a posse do presidente eleito Jair Bolsonaro, além da renovação do Congresso, como motivos para justificar suspender qualquer medida do conselho de administração da Embraer que permita a separação e a transferência da parte comercial da fabricante brasileira para a americana Boeing.

Segundo o magistrado, é recomendável que não sejam tomadas medidas decisivas sobre o acordo durante a transição de governo. Isso, segundo ele, criaria uma "situação fática de difícil ou de impossível reversão". Apesar da suspensão, ele ressalta que não impôs obstáculo à continuidade das negociações entre as duas empresas.

O negócio, acertado em julho, criaria uma joint venture avaliada em US$ 4,8 bilhões, onde 80% das ações seriam da Boeing e 20% da Embraer. A conclusão do acordo, no entanto, depende de aval do governo brasileiro, dono de uma "golden share" na Embraer. Esse tipo de ação dá poderes à União para vetar temas estratégicos para a empresa.

O juiz argumenta ainda que o caso não se trata de uma operação comercial típica. Segundo ele, antes da decisão de se criar a parceria, é necessário que se tenha manifestação do Conselho de Defesa Nacional (CDN), órgão consultivo do presidente da República, porque a operação também envolve interesses militares. Esse conselho é formado por ministros de Estado e comandantes das Forças Armadas.

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