Alta de Alimentação e Bebidas no IPCA em 2020 é a mais acentuada desde 2002

Alta de Alimentação e Bebidas no IPCA em 2020 é a mais acentuada desde 2002

A energia elétrica subiu 9,34% em dezembro e Porto Alegre ainda teve reajuste tarifário de 11,55%

AE

Frutas passaram de aumento de 2,20% em novembro para 6,73% em dezembro

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Os preços do grupo Alimentação e Bebidas subiram 14,09% em 2020, maior impacto de grupo sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano, uma contribuição de 2,73 ponto porcentual para a taxa geral de 4,53%. A alta foi a mais acentuada desde 2002, quando os preços subiram 19,47%. Nesta terça-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o IPCA de dezembro e os dados acumulados de 2020.

O custo da alimentação no domicílio aumentou 18,15% em 2020, maior variação desde 2002, quando subiu 21,59%. Já a alimentação fora do domicílio ficou 4,78% mais cara no ano passado.

"No ano de 2020 os preços para alimentação para consumo no domicilio foram bastante afetados. Existem vários motivos", afirmou André Almeida, analista da Coordenação de Índices de Preços do IBGE.

"Tanto pelas pessoas estarem mais em casa por conta do isolamento social, as pessoas precisaram ficar mais em casa e fazer mais refeições em casa, quanto pela restrição de oferta, a questão da exportação por conta de câmbio mais desvalorizado, que favorece a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional que restringe a oferta no mercado doméstico. A questão de as pessoas terem ficado mais em casa e a questão do auxilio emergencial podem ter influenciado", completou.

Dezembro

As famílias voltaram a gastar mais com alimentos no mês de dezembro, embora a alta de preços tenha sido mais branda que a de novembro. O grupo Alimentação e Bebidas saiu de uma elevação de 2,54% em novembro para um avanço de 1,74% em dezembro, dentro do IPCA. O grupo contribuiu com 0,36 ponto porcentual para a taxa de 1,35% do IPCA no mês.

Os alimentos para consumo no domicílio subiram 2,12% em dezembro. O tomate ficou 13,46% mais barato, e as altas em dezembro foram menos intensas nos preços das carnes (3,58%), do arroz (3,84%) e do óleo de soja (4,99%). Por outro lado, as frutas passaram de aumento de 2,20% em novembro para 6,73% em dezembro.

Já a alimentação fora do domicílio aumentou 0,77% em dezembro, ante elevação de 0,57% em novembro. Ficaram mais caros no último mês a refeição fora de casa (0,74%) e o lanche (0,89%).

Com forte alta de energia elétrica, Habitação sobe 2,88% em dezembro

A conta de luz pesou no orçamento das famílias em dezembro. Os gastos com Habitação subiram 2,88%, o maior impacto de grupo sobre a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), uma contribuição de 0,45 ponto porcentual, segundo o IBGE.

A energia elétrica subiu 9,34%, item de maior pressão sobre a inflação do mês, 0,40 ponto porcentual. O IBGE lembra que, após 10 meses consecutivos de vigência da bandeira tarifária verde, em que não há cobrança adicional na conta de luz, passou a vigorar em dezembro a bandeira vermelha patamar 2, com acréscimo de R$ 6,243 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

Além disso, houve reajustes tarifários em Rio Branco (11,05%) e Porto Alegre (11,55%). Também ficaram mais caros em dezembro a taxa de água e esgoto (0,10%), em consequência de reajustes em Vitória e Belo Horizonte, e o gás encanado (0,23%), puxado pela alta no Rio de Janeiro.

Os preços do gás de botijão subiram 1,99%, acumulando um avanço de 9,24% no ano de 2020.

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