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Após cinco pregões de alta, Ibovespa recua de olho em destaques da Previdência

Ibovespa encerrou dia em queda de 0,63%, aos 105.146,44 pontos

Por
AE

Dólar a vista fechou em R$ 3,75

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O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira em queda, interrompendo uma sequência de cinco pregões de alta que levou índice a subir quase quatro mil pontos. Descolado do índice Dow Jones, o principal termômetro do mercado acionário americano, que renovou nova máxima histórica, o Ibovespa trabalhou em terreno negativo a maior parte do dia e encerrou o pregão em queda de 0,63%, aos 105.146,44 pontos, com volume negociado de R$ 16,79 bilhões.

Após a aprovação do texto-base da reforma da Previdência no plenário da Câmara por votação expressiva, investidores adotaram uma postura cautelosa e optaram por embolsar ganhos diante do adiamento para apreciação dos destaques. Marcada inicialmente para às 9 horas, a sessão da Câmara foi adiada por falta de quórum, o que acendeu o sinal amarelo.

"A bolsa havia subido com força na segunda e na quarta-feira. Com esse atraso nos destaques, muita gente aproveitou para realizar lucros", diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença, ressaltando que o mercado monitora o grau de desidratação da reforma com a votação dos destaques.

Segundo informações apuradas pelo Broadcast em Brasília, o atraso na votação dos destaques seria motivado pela falta de acordo para mudanças nas regras de policiais federais e de professores.

Para o analista de investimentos da Mirae Asset, Pedro Galdi, o atraso na votação dos destaques trouxe certa preocupação em torno do cumprimento calendário da Previdência. Teme-se que, caso não haja entendimento, a votação do segundo turno fique para depois do recesso parlamentar, que se inicia em 18 de julho. "Se a reforma ficar para agosto, só vai ser aprovada no Senado em outubro. Seria um atraso muito grande e prejudicaria a tentativa de reanimar a economia", afirma Galdi, ressaltando que os preços de algumas ações podem "parecer muito esticados" caso não se conte com uma melhora do ambiente econômico, com redução da Selic, apreciação do real e recuperação, mesmo que gradual, da demanda. "Se tudo der certo na Previdência e o humor com a economia melhorar, o Ibovespa pode ter um novo rali e buscar os 110 mil pontos".

Entre as principais ações do Índice, o destaque positivo foi as ações da Petrobras, com alta de mais de 1%, ao passo que Vale apresentou leve recuo e os bancos caíram em bloco. Também fecharam em baixa os papéis das empresas do setor siderúrgico, cujos resultados podem ser abalados pela alta do minério de ferro. Na ponta positiva, as ações da Eletrobras apresentaram a maior alta entre os papéis que integram a carteira teórica - o papel ON subiu 7,36% e o PNB, 4,67% -, após o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, estimar que o governo pode arrecadar cerca de R$ 18 bilhões com a capitalização da empresa, valor bem superior ao previsto durante o governo de Michel Temer. Outro destaque foi o papel ON da Sabesp, que subiu mais de 4% na esteira de declarações do governador de São Paulo, João Doria, em Londres, dando conta que a privatização da empresa é a melhor opção.

Dólar

O mercado de câmbio teve um dia volátil hoje, mas acabou fechando com a quarta queda consecutiva, ainda influenciado pelo exterior e perspectiva positiva com a reforma da Previdência, apesar da demora para a votação dos destaques na Câmara. A moeda americana caiu ante a maioria dos emergentes hoje, com os agentes apostando em corte mais forte de juros nos Estados Unidos. Aqui, o dólar à vista fechou em baixa de 0,15%, a R$ 3,7510.

O dólar acumula queda de 2,4% este mês e o real é a moeda com que mais se valoriza em julho, em uma lista de 34 divisas. Mesmo com as quedas recentes, estrategistas de moedas veem tendência de a baixa do dólar continuar. O Morgan Stanley vê a moeda recuando para R$ 3,65 com a aprovação da Previdência.

"Vemos espaço para apreciação adicional do real", destaca o estrategista em Nova York para mercados emergentes do Crédit Agricole, Italo Lombardi, em relatório recomendando a aposta na moeda brasileira, que pode cair a R$ 3,65. "Temos sido otimistas com os ativos brasileiros desde que retornamos de uma recente viagem ao Brasil. A agenda de reformas tem progredido bem."

Inicialmente nesta quinta-feira, a dificuldade de votação dos destaques na Câmara causou certa apreensão nas mesas de câmbio, mas segundo operadores, a visão é de que poucos devem passar e os aprovados devem ter impacto fiscal pouco relevante. O JPMorgan espera diluição adicional de R$ 27 bilhões no impacto fiscal, por conta do abrandamento das regras para policiais e para aposentadorias das mulheres.

"Não vejo razão para pessimismo com os destaques", afirma o sócio e gestor da Absolute Invest, Roberto Serra. Para ele é possível que o dólar teste níveis perto de R$ 3,70 nos próximos dias se a reforma seguir avançando. Ele ressalta ainda que o otimismo com a Previdência vem em paralelo ao exterior mais positivo, com os agentes esperando um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

No mercado doméstico, na mínima do dia, o dólar caiu a R$ 3,73. Operadores comentam que investidores, como tesourarias de bancos e fundos de investimento, aproveitaram a baixa cotação para comprar a moeda e também recompor parte de posições defensivas nos mercados futuros, que haviam sido reduzidas nos últimos dias. Com isso, o dólar passou a subir, chegando a R$ 3,76 na máxima do dia.