Após pesquisa do Ibope, dólar vai a R$ 3,72
Moeda norte-americana acumula terceira queda da semana
A queda do dólar ante outras moedas de emergentes também ajudou a retirar pressão no mercado de câmbio brasileiro. Na mínima do dia, na parte da manhã, o dólar foi a R$ 3,6918, mas a moeda segue encontrando resistência em se manter abaixo do R$ 3,70. A moeda americana não fecha abaixo deste patamar desde 25 de maio.
Para o gerente de mesa de câmbio da Tullett Prebon, Italo Abucater dos Santos, uma das razões é o temor do mercado de que o Banco Central possa tomar alguma medida, como parar a rolagem dos contratos de swap que vem fazendo diariamente. O real vem subindo muito rapidamente ante o dólar na comparação com outras moedas de países emergentes. Este mês, o dólar recua 8,1% aqui, enquanto sobe 0,50% no México e 1% na Índia.
A exceção é a Argentina, onde o dólar caiu 13%, mas lá teve eventos domésticos, como a ampliação do pacote de ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nesta terça o BC rolou US$ 385 milhões de papéis que vencem em novembro. Se mantiver as rolagens diárias, as operações devem somar US$ 8,027 bilhões. Para o analista da Tullett Prebon, o câmbio já precificou uma possível vitória de Bolsonaro no segundo turno e agora o mercado vai querer ver mais detalhes da agenda de reformas, ainda muito difusa.
Por isso, a tendência é que o dólar fique na casa dos R$ 3,70 a R$ 3,75 nos próximos dias, caso não apareça nenhuma fato novo. Pesquisa do banco americano Bank of America Merrill Lynch, que entrevistou gestores que administram US$ 113 bilhões, mostra que 50% dos participantes veem o dólar terminando este ano abaixo de R$ 3,80, ante apenas 20% no mês passado. Mas menos de 8% acreditam na moeda inferior a R$ 3,60 em dezembro.
Na parte da tarde, a moeda americana bateu máximas e chegou a R$ 3,7312. Operadores observaram saídas de fluxos pelo canal financeiro, que entraram pela manhã e ajudaram a moeda a atingir mínima.
Bovespa
O aumento do apetite por risco no mercado internacional acentuou a tendência de alta do Índice Bovespa, que fechou com ganho de 2,83% nesta terça-feira, 16, aos 85.717,56 pontos, na máxima do dia. O rali das bolsas de Nova York no período da tarde deu fôlego não apenas à bolsa brasileira, mas também às demais emergentes.
O Ibovespa operou em terreno positivo desde a abertura, período em que o mercado repercutiu mais intensamente os dados da mais recente pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo, que apontou para a consolidação da liderança de Jair Bolsonaro (PSL) sobre Fernando Haddad (PT). Dados conjunturais dos Estados Unidos, como os da produção industrial e os balanços corporativos, contribuíram para reforçar a tendência de alta ainda pela manhã. Mas as máximas do dia foram registradas à tarde, puxadas pela arrancada das bolsas americanas, em meio a críticas do presidente Donald Trump à política monetária do Federal Reserve.
"Os investidores estrangeiros foram destaque de compra no pregão e, ao que tudo indica, interromperam um movimento de realização de lucros que vinha se evidenciando nos últimos dias. Foram três pregões consecutivos de saídas líquidas - entre os dias 9 e 11 - que somaram quase R$ 800 milhões", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora.
Nos últimos dias, observa, o investidor estrangeiro zerou suas posições compradas, num comportamento que pode indicar a iminência de uma realização de lucros. O cenário eleitoral doméstico segue como uma das variáveis mais importantes para determinar os rumos do Ibovespa nas próximas semanas. As ações sensíveis a risco político tiveram desempenho destacado no pregão desta terça, quase todas com altas superiores à média. Banco do Brasil ON subiu 4,37% e Petrobras ON e PN ganharam 3,65% e 3,73%, respectivamente. Eletrobras ON e PNB avançaram 5,11% e 2,77%, nesta ordem.
Na análise setorial, a liderança do dia ficou como o Índice Imobiliário (IMOB), que subiu 4,48% no dia, à frente do Índice Financeiro (IFNC), que ganhou 3,71%. Já o Índice de Materiais Básicos (IMAT) teve desempenho mais fraco, com ganho de 1,30%, em boa parte influenciado pelo desempenho das ações da Vale, que ficaram próximas da estabilidade.
"A vitória de Bolsonaro - ou a derrota de Fernando Haddad - já está bastante precificada no mercado, o que sugere uma realização de lucros iminente. Além disso, os ativos internacionais não estão tão positivos assim, se olharmos os acumulados das últimas semanas. Mas o investidor ainda não viu um motivo para começar a vender", disse um gerente de mesa de ações.
Taxas de juros
Os juros futuros fecharam a sessão regular desta terça-feira, 16, em queda firme, de mais de 20 pontos-base na ponta longa, renovado o otimismo do mercado sobre um eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL), que lidera com folga as pesquisas de intenção de voto para presidente, como mostrou na segunda-feira, o Ibope. A fraqueza generalizada do dólar ante moedas de economias emergentes também contribuiu para mais uma rodada de alívio de prêmios, nesta terça-feira de poucas novidades no noticiário.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a sessão regular em 7,50%, de 7,564% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2021 caiu de 8,564% para 8,45%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 9,63%, de 9,863% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 passou de 10,443% para 10,18%.
A diferença de 18 pontos porcentuais a favor de Bolsonaro na pesquisa Ibope ampliou a certeza do mercado em relação à vitória do capitão reformado no segundo turno e, agora, os investidores ficam no aguardo por mais nomes nos ministérios e propostas para a área econômica.
Segundo o Ibope, considerando os votos válidos, Bolsonaro tem 59% das intenções de voto contra 41% de Fernando Haddad (PT). "Hoje não parece ter novidade além do Ibope. Lá fora está andando bem, o que contribui para mais alívio no mercado", disse o estrategista-chefe da CA Indosuez Brasil Vladimir Caramaschi.
A expectativa do avanço das reformas em um eventual governo Bolsonaro elevou o otimismo de grandes investidores estrangeiros com o Brasil e o fluxo de recursos para o País, mas o tom ainda segue de cautela, em função do Congresso ainda fragmentado.