Após reação negativa do mercado, governo cancela cerimônia de anúncio do Auxílio Brasil

Após reação negativa do mercado, governo cancela cerimônia de anúncio do Auxílio Brasil

Presidente Jair Bolsonaro apresentaria detalhes sobre a iniciativa na tarde desta terça-feira, mas evento foi adiado

R7

Anúncio gerou divergência entre ala política do governo e a equipe econômica

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O governo federal decidiu adiar a cerimônia que ocorreria na tarde desta terça-feira, no Palácio do Planalto, para confirmar o valor do Auxílio Brasil, programa de transferência de renda que substituirá o Bolsa Família. Mais cedo, ao Blog do Nolasco, o chefe do Executivo afirmou que a iniciativa terá um valor mínimo de R$ 400 e será paga até o fim do ano que vem.

O motivo do cancelamento foi a forte reação negativa do mercado financeiro à informação confirmada pelo presidente. O dólar chegou a subir para R$ 5,570 logo na primeira hora após a abertura das negociações, e o principal índice da Bolsa de Valores do país, o Ibovespa, registrou queda de 2,02%.

A resposta do mercado se deve aos temores de que o governo desrespeite o teto de gastos para bancar a implementação do Auxílio Brasil. Ao anunciar o programa com um valor de pelo menos R$ 400, Bolsonaro não detalhou de onde virão os recursos para viabilizar o benefício, o que abriu margens para a interpretação de que o governo pode burlar a norma que limita o aumento dos gastos federais ao Orçamento do ano anterior corrigido pela inflação.

Antes, a equipe econômica do governo trabalhava com a hipótese de que o valor do Auxílio Brasil fosse de R$ 300. Para isso, usaria a arrecadação proveniente da tributação de lucros e dividendos. Essa medida está no projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que altera as normas do Imposto de Renda. A matéria foi aprovada pela Câmara em setembro, mas não há previsão de quando será analisada pelo Senado.

Com o novo valor anunciado por Bolsonaro, o Ministério da Economia pediu mais tempo para buscar uma alternativa que garanta o Auxílio Brasil em R$ 400, mas que não rompa o que estabelece o teto de gastos.

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