Bolsa acumula ganho de 2,27% na semana, mantendo os 115 mil pontos e dólar sobe

Bolsa acumula ganho de 2,27% na semana, mantendo os 115 mil pontos e dólar sobe

Moeda americana teve dia de alta de 0,80% e fechou em R$ 4,09

AE

Acomodado nos 115 mil pontos, Ibovespa fecha dia com baixa de 0,1%

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Em acomodação à recém-conquistada marca de 115 mil pontos, o Ibovespa ensaiou nesta sexta-feira uma realização de lucros após ter renovado máximas de fechamento em três sessões consecutivas até hoje, mas encerrou a sessão praticamente estável (-0,01%), a 115.121,08 pontos, acumulando ganho de 2,27% na semana - o terceiro avanço semanal em sequência - e de 6,36% no mês.

No fim da sessão, o índice acabou neutralizando a baixa que prevalecia ao longo do dia, com as ações de bancos, como Bradesco e ItaúUnibanco, limitando as perdas observadas mais cedo, e Gerdau PN na ponta positiva, em alta de 4,82% no fechamento.

A poucas sessões do fechamento do ano, o principal índice da B3 acumula até aqui ganho de 30,99% em 2019. Na mínima de hoje, o Ibovespa foi a 114.525,95 pontos e, na máxima do dia, a 115.170,58 pontos. O giro financeiro totalizou R$ 25,2 bilhões, mais uma vez acentuado bem perto do fechamento, em semana que teve vencimento de opções sobre ações, na segunda, e sobre o Ibovespa, na quarta-feira.

O dia também foi em geral positivo no exterior, com ganhos nos EUA e na Europa, tendência que tem prevalecido desde o rompimento do impasse sobre a fase 1 do acordo entre americanos e chineses, no fim da semana passada. Hoje, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter mantido uma "ótima" conversa telefônica com o líder chinês, Xi Jinping, e que o país asiático "já começou a comprar em grande escala nossos produtos agrícolas".

Aqui como lá fora, o foco segue no noticiário corporativo, em geral positivo, e nos sinais favoráveis que chegam da economia, melhorando a perspectiva para 2020. "No ano que vem, pelo que temos de informação até agora, teremos algo como um IPO a cada oito dias úteis, em ritmo que não se via desde 2007-2008, antes da crise global", diz Arthur Ferrone, economista e assessor de investimentos na Criteria Investimentos.

"Hoje a ação da Vale rompeu a importante linha de resistência de R$ 54, em boa recuperação desde a ruptura de Brumadinho, quando havia deixado este nível em direção a R$ 45 ou R$ 46", aponta Ferrone. Nesta sexta, a ação ordinária da mineradora fechou em alta de 1,46%, a R$ 54,79, com o minério de ferro apontando baixa de 2,28% em Qingdao. Ferrone vê o Ibovespa a 140 mil pontos no fim de 2020 e perspectiva especialmente positiva para as ações do setor siderúrgico. "Com o ajuste de fim de ano dos fundos, é possível que o índice ande um pouco mais até o encerramento de 2019", acrescenta.

Dólar

O dólar teve dia de alta e voltou a encostar em R$ 4,10, em um movimento de ajustes e realização de lucro após as quedas recentes, quando encostou em R$ 4,04 esta semana. A moeda americana teve dia de valorização hoje também no mercado internacional, após dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos confirmarem força da maior economia do mundo, com avanço de 2,1% no terceiro trimestre. No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 0,80%, a R$ 4,0947. Na semana, a moeda acumula queda de 0,31% e, no mês, recua 3,4%.

O índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante divisas fortes, operou o dia todo em alta e no final do tarde, subia 0,37%. A moeda americana também avançou ante emergentes, como Chile, Argentina e África do Sul. "A economia americana está bem posicionada para o novo ano", avaliam os estrategistas do banco Wells Fargo, descartando cortes de juros pelo Federal Reserve em 2020. Eles também não veem o impeachment de Donald Trump sendo aprovado no Senado, de maioria republicana, após passar na Câmara esta semana.

Na avaliação do sócio da Monte Bravo, Rodrigo Franchini, após os recentes movimentos de melhora, era natural um ajuste hoje, tanto no câmbio como na Bolsa, que bateu três recordes consecutivos esta semana. Com isso, investidores reduzem posições, com algum fluxo de saída de capital pressionando o real. Mas este movimento deve ser pontual. Os recentes indicadores da economia sinalizam que a economia brasileira entra o ano 2020 com a atividade ganhando fôlego, ressalta ele. O dólar, porém, deve seguir na casa dos R$ 4,00 em 2020, mesmo com o Produto Interno Bruto (PIB) mais forte, observa Franchini.

"No Brasil, o otimismo em torno da agenda econômica do governo tem criado um clima mais favorável para o investimento", observa o estrategista da gestora Franklin Templeton, Manraj Sekhon, em relatório, em que relata quadro mais favorável para os emergentes em 2020. No Brasil, a expectativa é pelo avanço das privatizações, que devem atrair capital externo, e de reformas, como a tributária.

Juros

Os juros futuros tiveram momentos distintos hoje com taxas em alta pela manhã e em baixa durante à tarde, mesmo com o dólar tendo acelerado os ganhos até superar R$ 4,09 nas máximas na jornada vespertina. Nem o noticiário nem a agenda de indicadores serviram de gatilho para os movimentos, que se deram, tanto na subida quanto na queda, a partir de fatores técnicos. Mesmo o IPCA-15 de dezembro acima da mediana foi absorvido sem sustos, com o mercado já contando com um arrefecimento das pressões inflacionárias nos próximos meses.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou a sessão regular em 4,63% e a estendida em 4,62%, de 4,661% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 fechou com taxa de 5,97% (regular) e 5,96% (estendida), de 6,062% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 6,64% (regular) e 6,62% (estendida), de 6,722% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2027 caiu de 7,062% ontem no ajuste para 6,99% (regular e estendida). Apesar da queda de hoje, as taxas encerraram em alta a semana em que os documentos do Banco Central sugeriram que o ciclo de cortes da Selic está se encerrando. As taxas curtas avançaram cerca de 15 pontos-base na ponta curta, 20 pontos no miolo e 30 pontos nos longos.

Fontes nas mesas de renda fixa afirmam que as taxas, que subiam pela manhã, viraram a partir de ajustes técnicos. O acúmulo de prêmios recente na curva atraiu algumas ordens de compra, mas isso não muda o cenário de maior cautela com a política monetária nos próximos meses, sobretudo diante da avaliação do Banco Central sobre a retomada da atividade. "Esse movimento se dá também em meio a ajustes de carteira de fim de ano", afirmou o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira.

O mercado já abriu conhecendo o IPCA-15 de dezembro, que teve alta de 1,05%, superando a mediana das estimativas de 0,96% e chegando perto do teto de 1,08%, com núcleos em aceleração. As carnes, com alta de 17,77%, foram o maior impacto, de 0,48 ponto porcentual. Ainda assim, o mercado relevou, dada a aposta de que a pressão das carnes é pontual. "Só ontem, o preço da arroba do boi no atacado caiu 9%. Nós vimos uma alta desses preços em novembro, que está sendo repassada para o varejo agora, mas começamos a observar um movimento de reversão", diz a economista o Itaú Unibanco, Julia Passabom.

O economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, não vê espaço para a curva fechar muito mais, o que, destaca, "não é pessimismo", mas apenas a leitura dos sinais de que o processo de desaperto monetário já terminou. "Temos uma inflação persistente, com IGPs acima de 7%, por causa do efeito do câmbio, que não deve se dissipar tão rapidamente até fevereiro. Ademais, até lá as reformas ainda devem continuar sem avanço e, por fim, um dia antes do Copom (5 de fevereiro), sai a produção industrial de dezembro, que deve vir forte", disse.


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