Bolsa bate novo recorde com expectativa de aprovação folgada da Previdência
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Bolsa bate novo recorde com expectativa de aprovação folgada da Previdência

Ibovespa terminou dia com ganho de 0,42%, aos 104.530,22 pontos

Por
AE

Dólar à vista fechou a R$ 3,8081, em queda de 0,26%

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A expectativa de que a reforma da Previdência seja aprovada com uma margem folgada de votos no plenário da Câmara antes do recesso parlamentar, ou até mesmo já nesta semana, sustentou a alta da bolsa nesta segunda-feira, apesar das quedas dos índices em Nova York, com os investidores atentos às articulações finais do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). As estimativas de votos favoráveis à proposta informadas por algumas lideranças variam entre 330 e 340, acima, portanto, dos 308 necessários para que o projeto passe.

O Ibovespa terminou o dia com ganho de 0,42%, aos 104.530,22 pontos, em um novo recorde. O volume de negócios ficou abaixo da média, ao somar R$ 12,48 bilhões, em uma segunda-feira mercada por noticiário esvaziado e que antecede o feriado paulista de 9 de junho, que celebra a Revolução Constitucionalista de 1932.

Enquanto Maia se articula em reuniões pela reforma, algumas estimativas de votação vão sendo relatadas por lideranças. A mais recente foi divulgada nesta segunda pela líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), que disse acreditar em uma aprovação do projeto com um pouco mais de 340 votos. No domingo, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, falou em 330.

"Os números gerais apontam para uma folga na aprovação, o que vai gerando certa tranquilidade no mercado", afirmou o analista da Toro Investimentos Daniel Herrera, que acredita que o Ibovespa deve superar os 105 mil pontos nesta semana. "O Maia está se mexendo para articular a reforma entre terça e quarta-feira, para votar o texto em dois turnos no plenário antes do recesso parlamentar (que começa em 18 de junho), e o mercado acompanha com bom humor. Aparentemente, as coisas avançam", avalia.

Estimativas do próprio mercado financeiro também indicam uma votação folgada. Cálculo feito pela gestora Gauss Capital, que tem feito um monitoramento de cada um dos deputados, mostra que 340 deles tendem a votar a favor da reforma (atualizado no último dia 4), próximo do número dado por Joice Hasselmann.

Há, inclusive, a confiança de que a reforma seja votada até sexta-feira, com uma semana de antecedência em relação ao início do recesso. "A expectativa nunca foi tão positiva", afirma o economista-chefe da Ativa Investimentos, Carlos Tadeu de Freitas Gomes Filho. "Esperamos uma votação em dois turnos para esta semana, com alguma folga na aprovação", diz.

No noticiário corporativo, o destaque ficou por conta da Petrobras, que encerrou o dia com altas de 0,91% (PN), perto da máxima, e 1,91% (ON), na máxima, após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informar, antes do fim do pregão, que firmou acordo com a estatal para a venda de ativos no mercado de gás. Os detalhes do acordo ainda não foram divulgados.

Dólar

O real se descolou de outras moedas emergentes e ganhou força ante o dólar nesta segunda-feira, dia em que a moeda americana subiu no mercado financeiro internacional ante divisas de países desenvolvidos e outros como África do Sul, Turquia, Índia e Colômbia. O otimismo com a possível votação da reforma da Previdência ainda esta semana pela Câmara animou os investidores e fez o dólar operar todo o pregão em queda. O dia, porém, foi de poucos negócios no mercado de câmbio, por causa do feriado em São Paulo nesta terça-feira. O dólar à vista fechou em queda de 0,26%, a R$ 3,8081.

Declarações de membros do governo e do Congresso animaram os investidores sobre as perspectivas da reforma da Previdência. A líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), disse que acredita que a reforma será aprovada em dois turnos na Câmara até sexta-feira. A parlamentar acredita que o placar vai mostrar "um pouco mais" de 340 votos a favor.

"Há uma chance maior de votação da Previdência antes do começo do recesso parlamentar, em 18 de julho, na medida em que parece haver um amplo entendimento entre os legisladores sobre a necessidade da reforma", observam os estrategistas do JPMorgan nesta segunda-feira. "A reforma da Previdência está pronta para aprovação na Câmara", destacam os analistas do Goldman Sachs, observando que o texto precisa ser aprovado em duas votações. "A primeira destas duas pode ocorrer esta semana."

O sócio e diretor de investimentos da gestora Tag Investimentos, Dan Kawa, avalia que há "sinais positivos" de aprovação antes do recesso, mas observa que há "probabilidade elevada" de parte dessa aprovação já estar nos preços dos ativos. "Mas acredito na continuidade de um bom desempenho estrutural dos ativos do Brasil passada a reforma", destaca ele, ressaltando que os obstáculos para uma melhora ainda maior seguem no cenário exterior, sobretudo por causa da desaceleração da economia mundial.

No mercado internacional, o dólar subiu perante divisas fortes, como o euro e a libra, e da maioria dos emergentes ainda refletindo a visão de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai cortar os juros em ritmo menos intenso do que o esperado. A razão é que a economia americana ainda mostra força, sobretudo após os dados melhores que o esperado do mercado de emprego dos Estados Unidos em junho. O peso mexicano e o real ficaram entre as poucas moedas que se valorizaram ante o dólar nesta segunda.

Taxas de juros

A possibilidade crescente de que a reforma da Previdência seja apreciada no plenário da Câmara antes do recesso parlamentar, que se inicia em 18 de julho, levou a uma nova rodada de redução dos juros futuros nesta segunda-feira. A eventual aprovação da reforma com economia próxima a R$ 1 trilhão em 10 anos não apenas abre espaço para redução da taxa Selic já no encontro do Copom este mês (30 e 31) como afasta os temores de solvência fiscal em longo prazo, o que pode atrair recursos externos. O pregão foi de liquidez reduzida, já que nesta terça-feira não haverá negócios por conta do feriado da Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) curtos, que já haviam recuado na sexta-feira, desceram mais um degrau, consolidando as apostas, embora ainda minoritárias, de que o BC possa iniciar o ciclo de afrouxamento monetário com uma redução de 0,50 ponto, de 6,50% para 6% ao ano. A taxa do DI janeiro 2020 encerrou o pregão a 5,795%, ante 5,83% no ajuste de sexta-feira. Entre os intermediários, DI para janeiro de 2021 desceu de 5,668% para 5,63%.

Já as taxas longas também recuaram, devolvendo os prêmios acumulados na sexta-feira, quando houve um ajuste de alta induzido pelo ambiente externo, após dados de emprego dos EUA diminuírem as apostas em corte mais agudo dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O DI para janeiro de 2023 fechou a 6,40%, ante 6,48% na sexta-feira, enquanto DI para janeiro de 2025 encerrou a 6,94%, ante 7,03% no pregão anterior.

O otimismo com a Previdência cresceu após a aprovação na comissão especial da Câmara na semana passada, dentro do calendário estimado. À ofensiva do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no fim de semana somaram-se nesta segunda declarações otimistas de ministros e de líderes partidários. Pela manhã, o ministro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que já há cerca de 330 votos, ou até mais, na Câmara, e que o governo "está com o pé no chão." Onyx e dois outros ministros de Bolsonaro - Tereza Cristina (Agricultura) e Marcelo Álvaro (Turismo) - vão reassumir temporariamente o mandato de deputado federal para votar pela Previdência. À tarde, a líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), afirmou que a reforma será aprovada em dois turnos na Câmara até sexta-feira (12) e que o governo já conta com pouco mais de 340 votos.

Segundo o gestor de recursos Paulo Petrassi, o otimismo em torno da aprovação da reforma da Previdência na Câmara antes do recesso parlamentar, que se inicia em 18 de julho, deu o tom dos negócios nos mercados domésticos nesta segunda-feira. "Com a possibilidade de a Previdência passar, a curva toda tende a fechar mesmo. E ainda há prêmios para serem cortados, principalmente nos DIs longos", afirma Petrassi, ressaltando que o pregão foi morno por conta da véspera de feriado.

Além da fraqueza da atividade, o dólar segue em trajetória descendente e pode cair até o piso de R$ 3,70 em caso de aprovação da reforma. Mais um ponto que afasta qualquer pressão inflacionária no horizonte relevante para a política monetária.

A mediana das projeções colhidas pelo Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira é de Selic a 5,50% no fim deste ano. Já a projeção para o IPCA é de 3,80%, abaixo do centro da meta de inflação (4,25%). Para 2020, a expectativa é de IPCA de 3,91%, também abaixo da meta (4%). Do lado da atividade, o Focus trouxe uma redução da estimativa para alta do PIB neste ano, de 0,85% para 0,80%.

Pela manhã, a FGV informou que o IGP-DI variou 0,63% em junho, abaixo da mediana (077%) e do piso (0,65%) das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast. Na quarta-feira, será conhecido o IPCA de junho, que deve corroborar o quadro de inflação comportada e reforçar as apostas em corte de juros.