Bolsa fecha em alta de 0,26% e dólar cai para R$ 4,13
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Bolsa fecha em alta de 0,26% e dólar cai para R$ 4,13

Após subir, na segunda-feira, para o maior nível em um mês, moeda americana fechou em baixa de 0,27%

Por
AE

Ibovespa terminou o dia aos 117.632,40 pontos

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O Ibovespa ensaiou depois das 16h uma acentuação do ajuste negativo, em linha com a perda de fôlego em Nova York, especialmente do Dow Jones, que concentra ações do setor industrial e com exposição a exportações. Mas o fluxo acabou segurando o principal índice da B3, que passou a subir levemente na hora final de negócios, para fechar o dia aos 117.632,40 pontos, em alta de 0,26%, tendo oscilado entre mínima de 116.609,75 e máxima de 117.705,16 pontos ao longo da sessão.

Em NY, os três índices se dividiram entre leves ganhos e perdas. Mais cedo, o índice blue chip de Nova York era impulsionado pela expectativa para o acordo EUA-China e pelo início, em geral positivo, da temporada de balanços. A perda de força decorreu de notícia da Bloomberg TV, que reportou que as tarifas dos EUA sobre a China devem permanecer em vigor até depois das eleições americanas de novembro, apesar do acordo inicial entre os dois países, que deve ser assinado amanhã. Por outro lado, a temporada de balanços em Wall Street começou de forma positiva nesta terça-feira, com números acima do esperado para os bancos JPMorgan e Citi.

Por volta das 16h30, sem direção única em NY, o principal índice da B3 voltava a limitar as perdas, para fechar o dia em alta moderada, após ter interrompido, no dia anterior, uma série negativa de seis pregões. Encadeando a segunda sessão de retomada, o Ibovespa preservou a linha de 117 mil pontos, acumulando até aqui ganho de 1,72% no mês e de 1,84% na semana. O giro financeiro foi de R$ 21,1 bilhões, em linha com as últimas sessões, nas quais o volume tem superado R$ 20 bilhões.

"O dia era quase de zero a zero, com o mercado aguardando algumas entregas, entre elas a do que o Copom fará em fevereiro, se cortará ou não os juros", disse o economista-chefe da Necton, André Perfeito. Hoje, após a queda, na margem, observada na atividade de serviços em novembro, a curva de juros se moveu um pouco para baixo, com o mercado ainda dividido quanto ao que o Comitê de Política Monetária anunciará ao final da reunião, no dia 5.

Para Perfeito, a leitura de amanhã sobre o varejo pode ajudar o mercado a ter um pouco mais de clareza sobre o próximo passo da política monetária. Ele observa que o Ibovespa mantém o viés positivo para o ano, mas continuará a ser carregado pelo investidor doméstico, em meio à indução proporcionada por juros em mínimas históricas.
Caso se confirme a recuperação dos lucros das empresas brasileiras esperada para o ano, a razão PL das ações tende a cair, reforçando o apelo por compras, com novos pontos de entrada. "Quando os preços caem, o investidor doméstico continua entrando, o que tem impedido uma realização maior. Então, o Ibovespa segue nesse padrão determinado pelo fluxo, com o doméstico comprando, em razão de juros mais baixos por aqui, e o estrangeiro ainda vendendo", aponta um operador, mencionando pessoas físicas, fundos mútuos e mesmo fundos de pensão mostrando interesse por aquisições nos primeiros dias do ano. "A renda fixa deixou de ser uma opção, todos precisarão se adaptar", acrescenta.

Dólar

Na expectativa pelo encontro amanhã da China e dos Estados Unidos em Washington, para a assinatura do acordo comercial "fase 1" entre as duas maiores economias do mundo, o dólar teve um dia de queda, enquanto no exterior ficou praticamente estável ante divisas fortes e operou misto nos emergentes. Após subir ontem para o maior nível em um mês, a moeda americana teve um dia de realização de lucros e terminou em baixa de 0,27%, a R$ 4,1307.

Operadores relatam que, após reforçar posições contra o real no mercado futuro de câmbio na B3 em US$ 1 bilhão somente ontem, grandes investidores desmontaram parte dessa estratégia hoje. O indicador do setor de serviços divulgado hoje, veio fraco, mas caiu menos que o previsto, e a revisão para cima nas expectativas do governo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acabaram contribuindo para um clima mais otimista hoje no mercado de moedas. "A queda do dólar hoje foi uma correção dos excessos de ontem", disse um gestor.

Apesar da baixa de hoje, analistas não veem muito espaço de melhora do real no curto prazo. Para o gestor acima, o dólar no Brasil vai responder principalmente ao ritmo de crescimento do PIB doméstico este ano. Em sua avaliação, não há motivos para apreciação mais forte da moeda brasileira nas próximas semanas. O acordo com a China, observa, já foi em larga medida precificado nas moedas emergentes, embora ainda faltam detalhes sobre os termos.

O gestor e sócio-diretor da TAG Investimentos, Dan Kawa, também acredita que o dólar permanecerá por algum tempo na faixa que vem sendo negociado, entre R$ 4,00 e R$ 4,20. No cenário internacional, ele observa que os dados divulgados hoje da balança comercial da China mostram alta das exportações e importações, uma sinalização de recuperação da economia mundial. No caso da questão comercial, a retirada de Pequim da classificação de "manipulador de moedas" ontem pelo governo americano é mais "um importante passo" para a assinatura do acordo comercial.

Para os estrategistas do banco americano Citi, a assinatura reduz parte das dúvidas dos investidores, mas a incerteza deve permanecer. A razão é porque a tensão entre China e EUA vai além da questão comercial e os mecanismos do acordo devem manter potenciais sanções na mesa. Na tarde de hoje, a imprensa americana noticiou que as tarifas sobre a China devem permanecer até as eleições, como uma forma de garantir que Pequim cumpra os termos do acordo fase 1.

A analista de moedas do banco alemão Commerzbank, You-Na Park-Heger, faz um paralelo do Brasil com o México neste começo do ano. Enquanto o peso mexicano se aprecia neste começo do ano, o dólar sobe 3% ante o real. "Uma análise do nível de juros pode fornecer uma possível explicação: enquanto os juros no Brasil estão em nível historicamente baixos, em 4,5%, no México estão em 7,25%, apesar dos recentes cortes de juros."

Juros

A atividade econômica voltou a dar o tom na sessão dos juros futuros desta terça à medida que os investidores ponderam dados recentes e calibram as expectativas para o resultado do varejo, que sai amanhã. Assim, a curva recuou quase que na totalidade, também influenciada, marginalmente, pela queda do dólar em relação ao real. As apostas de queda da Selic para 4,25%, inclusive, ganharam tração e voltaram a ser majoritárias (51%).

A taxa do contrato do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou a sessão regular em 4,445% e a estendida em 4,440%, de 4,490% no ajuste de ontem. A do janeiro 2023 recuou de 5,740% para 5,660% (regular) e 5,630 (estendida, na mínima). A do janeiro 2025 caiu de 6,440% para 6,380% (regular) e 6,360% (estendida). E a do janeiro de 2027 passou de 6,740% para 6,750% (regular) e 6,730% (estendida, na mínima).

O resultado do setor de serviços em novembro realimentou o debate sobre a atividade econômica no fim de 2019 e, por consequência, dos próximos passos do Banco Central para a taxa Selic.

Logo cedo, o IBGE informou que houve queda de 0,1% no resultado do volume de serviços prestados em novembro, quando comparado com outubro. Segundo o órgão, o índice de difusão do indicador, que mostra o porcentual de subsetores investigados com avanços em relação ao mesmo período do ano anterior, passou de 52,4% em outubro para 50,6% em novembro.

O IBGE também divulgou informações sobre a produção industrial regional, que recuou em 11 dos 15 locais pesquisados na passagem de outubro para novembro.

"O mercado absorveu bem o choque de inflação na proteína animal no fim do ano. Isso porque o BC deixou claro que a data-base agora é a atividade econômica", afirmou o gerente de portfólio da Vérios, Pedro Lula Mota. "Com o dado de serviços, a possibilidade de corte da Selic ganha um pouco mais de força. Eu sou um dos que acha que a Selic vai a 4,25%", disse.

De acordo com cálculos da Quantitas Asset Management, a curva de juros passou a precificar majoritariamente uma queda da Selic em fevereiro. O porcentual dos que acreditam que a taxa básica vai cair 0,25 ponto porcentual passou de 43% ontem para 51% hoje.