Bolsa renova máxima de fechamento pelo 2º dia e dólar fecha em alta

Bolsa renova máxima de fechamento pelo 2º dia e dólar fecha em alta

Moeda americana termina o dia cotada a R$ 4,10, influenciada pelo aumento do otimismo com o Brasil e o acordo comercial EUA-China

AE

Ibovespa fechou o dia em alta de 0,33%, a 112.564,86 pontos

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Embora com ganho modesto na sessão, o Ibovespa avançou em direção à nova máxima de fechamento nesta sexta-feira, pelo segundo dia, apesar de forte ajuste negativo nas ações da Petrobras, que têm peso de 12% na composição do índice de referência da B3. Após idas e vindas que caracterizam a retórica e o processo negociador entre EUA e China, a sinalização de que enfim há entendimento sobre a fase 1 do acordo comercial contribuiu para estabilizar a Bolsa, aqui como no exterior. O Ibovespa fechou o dia em alta de 0,33%, a 112.564,86 pontos, enquanto os índices de NY ficaram entre a estabilidade e ganho de 0,20%, no Nasdaq.

Na semana, o principal índice da B3 acumulou ganho de 1,30%, avançando agora 4,00% no mês e 28,08% no ano. O volume financeiro desta sessão foi elevado, de R$ 25,8 bilhões, com a aproximação do vencimento de opções sobre ações e o Ibovespa, na próxima semana, e muita atividade nos papéis da Petrobras, especialmente nas ações preferenciais, mais líquidas que as ordinárias. Nesta sexta-feira, as ações da petrolífera tiveram papel importante na contenção do Ibovespa, com a ordinária em queda de 4,69% e a preferencial de 3,20% no fechamento.

"A ação da Petrobras ficou bem para trás hoje com a indicação de venda de participação do BNDES, que causará sobreoferta no curto prazo", aponta João Vitor Freitas, analista da Toro Investimentos. Destaque também para a recuperação da ação da ViaVarejo, em alta de 8,70%, após ter saído de forte ganho para tombo de 3% na sessão anterior.

No quadro mais amplo, o balanço do dia ocorreu, mais uma vez, ao sabor do Twitter do presidente dos EUA, Donald Trump. Pela manhã, ele deixou os mercados no vermelho ao dizer que reportagem do The Wall Street Journal estava "errada" quanto a um acordo com a China, cuja fase 1 acabou sendo confirmada, mais tarde, em entrevista coletiva de autoridades chinesas - contribuindo assim para melhorar o sentimento entre os investidores. Mais tarde, Trump voltou a fazer comentários que deixaram em aberto o que será feito a seguir, em relação à próxima fase das negociações.

"De uma declaração para outra, houve certa melhora da confiança, mas não o suficiente para assegurar fôlego extra para os mercados, que acabaram por ficar perto da estabilidade", diz Freitas. "Evitou-se o pior, a imposição de novas tarifas à China (no dia 15), mas não se revogou o que já havia sido imposto", frustrando de certa forma a expectativa que se tinha por algo mais abrangente, aponta a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour.

Por aqui, na próxima semana a atenção estará voltada para novas leituras sobre a confiança - do consumidor, da indústria e da construção - que, se vierem fortes, podem ser o arremate na costura de percepção mais favorável sobre a perspectiva da economia brasileira para o próximo ano. Foco também na ata do Copom, especialmente após o comunicado sobre a decisão da última quarta-feira ter deixado a "porta aberta" quanto a novas atuações do BC sobre os juros, em momento no qual a autoridade monetária reduziu suas projeções de inflação. "É preciso explicar melhor isso", diz Solange.

Dólar

O dólar fechou a sexta-feira acumulando queda de 0,95% na semana. Em dezembro, a moeda americana já recua 3,14%. O aumento do otimismo com o Brasil e a menor tensão comercial entre Estados Unidos e China, que hoje chegaram a um acordo "fase 1" para resolver as questões comerciais entre as duas maiores economias do mundo, levou investidores estrangeiros a reduzirem de forma significativa as apostas contra o real no mercado futuro da B3. Somente nos últimos quatro dias, as posições compradas (que ganham com a alta do dólar) caíram em US$ 3,4 bilhões. O dólar à vista fechou cotado a R$ 4,1076, em alta de 0,34%.

Nesta sexta-feira, o noticiário sobre as negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos ditaram o comportamento do câmbio no Brasil. A moeda americana chegou a cair a R$ 4,07 com o anúncio de que um acerto havia sido alcançado. Mas quando ficou claro que tratava-se somente do acordo "fase 1" ainda sem muitos esclarecimentos, a divisa voltou a subir. A alta do dólar também foi provocada por conta de incertezas sobre os próximos passos das negociações, a "fase 2" do acerto.

"Faltam detalhes do acordo", afirma o economista do TD Bank, Sri Thanabalasingam, ressaltando que ainda é um acordo comercial "parcial". Em meio às incertezas sobre os acertos, o dólar voltou a subir aqui, indo a R$ 4,11, e também operou em alta na maioria dos mercados emergentes. Para os estrategistas do grupo financeiro holandês ING, apesar do acerto, a guerra comercial não acabou e vai prosseguir em 2020.

O economista-chefe para Brasil do Citi, Leonardo Porto, ressalta que o quadro para o Brasil que se desenha em 2020 é mais positivo: o crescimento da economia deve se acelerar, algumas reformas devem avançar e o cenário externo deve ficar menos adverso, pois o banco não prevê escalada da guerra comercial entre EUA e China. A expectativa do banco é que o rating soberano brasileiro possa ter uma elevação no segundo trimestre. Ao mesmo tempo, Porto ressalta que investidores internacionais do banco têm feito perguntas sobre as chances de protestos no País, após verem uma onda de manifestações no Chile, Bolívia e Colômbia. Esse temor foi um dos que ajudou o dólar a chegar perto de R$ 4,30 em novembro, ressalta ele.

O Citi prevê que o dólar deve fechar este ano no nível de R$ 4,05 e deve seguir ao redor de R$ 4 em 2020. Para o fechamento do ano que vem, a moeda deve terminar em R$ 3,95. Um dos fatores que devem impedir maior valorização do real é a piora das contas externas, avalia o economista. Após a revisão feita pelo Banco Central na metodologia de cálculo, o Citi elevou a previsão do déficit em conta corrente de cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem para 3,3%. "É um rombo de US$ 63 bilhões para cobrir", ressalta ele.

Juros

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sessão regular com viés de baixa nos vencimentos mais curtos e viés de alta nos mais longos. O desempenho corrobora o comportamento pós-Copom de considerar um novo corte da Selic no ano que vem. "O mercado está reprecificando nos contratos mais curtos a possibilidade de um novo corte. A chances estão em torno de 50%", diz o gestor dos fundos multimercado macro da XP Asset, Bruno Marques. Nos contratos de vencimento mais distante, pesaram a alta do dólar e, ainda que de forma indireta, a incerteza sobre o andamento de uma solução para a guerra comercial entre Estados Unidos e China.

O DI com vencimento em janeiro de 2020 fechou com taxa de 4,40%, mesma taxa no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2021 fechou na mínima, a 4,51% ante 4,54% no ajuste de ontem. O vencimento de 2023 encerrou a 5,72% ante 5,75% do ajuste anterior. O DI para janeiro de 2025 fechou a 6,36% ante 6,34% no ajuste da quinta-feira. O DI para janeiro de 2027 encerrou a 6,70% ante 6,68% no ajuste de ontem.

Na sessão estendida, o movimento de alta das taxas acentuou-se nos contratos mais longos. O DI para janeiro de 2027 fechou a estendida a 6,73%, máxima, ante 6,68% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2025 encerrou a sessão estendida a 6,39% ante 6,34% no ajuste da quinta-feira.

De forma geral, a semana foi de reação positiva do mercado a indicadores econômicos domésticos recentes, na avaliação da economista-chefe da Arx Investimentos, Solange Srour. "O mercado tem reagido positivamente a indicadores domésticos melhores, como a Pesquisa Mensal de Serviços que veio melhor que o esperado", disse Solange. "A cena externa tem trazido muita volatilidade. Do lado positivo, está a possibilidade de o Brexit finalmente se concretizar, depois da eleição no Reino Unido. Os adiamentos da saída do Reino Unido da União Europeia só aumentam a incerteza", diz Solange.

A semana que vem tem mais indicadores importantes para o mercado - como pesquisas de confiança da Fundação Getulio Vargas e, principalmente, o IPCA-15 de dezembro - e também duas comunicações muito esperadas. Na terça-feira, será distribuída a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e o Relatório Trimestral de Inflação (RTI). "O mercado vai procurar explicações do Banco Central sobre por que as projeções para inflação constantes no comunicado do Copom na última quarta-feira vieram tão 'tranquilos'", diz a economista. O gestor dos fundos multimercado macro da XP concorda e reforça que o mercado "quer entender os números do Banco Central" que vieram diferentes do esperado. "Nossa opinião é que o BC revisou para baixo a projeção da inflação de administrados", disse Marques.


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