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Com adiamento do reajuste do diesel, Petrobras perde R$ 32,4 bilhões em valor de mercado

Atenção do mercado ainda deve recair sobre Rodrigo Maia após Raquel Dodge apresentar parecer ao STF com base em laudo da Polícia Federal que aponta pagamento de propina da Odebrecht

Por
AE

Bolsonaro afirma que "não é intervencionista", mas "quer os números da Petrobras"

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A decisão da Petrobras de adiar por mais alguns dias o reajuste no preço do diesel, horas depois de ter anunciado um aumento de 5,7%, na quinta-feira, jogou para baixo as ações da estatal no pré-mercado de Nova York e na B3, a Bolsa de São Paulo, nesta sexta-feira. As perdas se aceleraram depois que o presidente Jair Bolsonaro admitiu que determinou a suspensão do reajuste no diesel - o litro passaria de R$ 2,1432 para R$ 2,2662.

Ao fim do pregão, a Petrobras sofreu uma perda de R$ 32,4 bilhões em valor de mercado. As ações ON fecharam em queda de 8,54%. Já os papéis PN recuaram 7,75%. Com a queda, a estatal encerrou o dia valendo R$ 361,499 bilhões. As ações da petroleira negociadas em Nova York fecharam com recuo de 9,29%. O Ibovespa fechou em baixa de 1,98%, aos 92.875 pontos. Na quinta, fechara em baixa de 1,25%, aos 94.754,70 pontos. No mercado de câmbio, o dólar à vista fechou em alta de 0,83%, cotado a R$ 3,8884.

“Eu liguei para o presidente (da Petrobras, Roberto Castello Branco) sim. Me surpreendi com o reajuste de 5.7%. Não vou ser intervencionista. Não vou praticar a política que fizemos no passado, mas quero os números da Petrobras”, afirmou Bolsonaro. O novo valor começaria a ser cobrado nesta sexta, mas vai ficar suspenso até que os técnicos da estatal justifiquem ao presidente a necessidade do aumento.

Em entrevista à Rádio CBN, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou que a determinação do presidente Jair Bolsonaro de recuar na decisão foi caso "isolado". Mourão disse crer em bom senso e que não se repetirá a política adotada do governo Dilma Rousseff (PT), que segurou os preços dos combustíveis para manter a inflação dentro da meta. Além da estimativa de desempenho desfavorável das ações da empresa, a possibilidade de atraso na admissibilidade da reforma da Previdência continua no radar dos investidores e deve impedir o índice de subir, a despeito do crescimento das exportações na China, o que pode diminuir as preocupações quanto ao desaquecimento econômico mundial.

Para completar, a atenção do mercado nesta sexta ainda deve recair sobre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-Rio), após a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, apresentar parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) com base em laudo da Polícia Federal que aponta pagamento de propina da Odebrecht no valor de R$ 1,4 milhão para codinomes que se referem a Maia e a seu pai, o vereador César Maia (DEM-RJ).

As exportações chinesas em dólares aumentam 14,2% em março na comparação anual, superando as expectativas de alta de 8,7%. Os dados impulsionam as principais commodities lá fora e eleva as bolsas europeias, bem como os índices futuros em Nova York, que ainda reagem a balanços melhores que o esperado de bancos no primeiro trimestre. "Acho difícil o bom humor externo segurar a Bolsa. Essa interferência não é boa, pode ter reflexo nas demais estatais listadas na B3", avalia um operador de renda variável.

A princípio, analisa, o mercado não deve focar no argumento da Petrobras, mas no fato de a empresa ter voltado atrás na decisão. No comunicado, a companhia disse que decidiu adiar "por mais alguns dias" o reajuste no preço do diesel. A MCM Consultores observa em nota que o reajuste da estatal seria o primeiro aumento desde que o anúncio no fim de março de um intervalo mínimo de 15 para as revisões dos preços do diesel por conta da evolução de sua paridade internacional. Assim, o preço do diesel na refinaria continua abaixo da sua paridade internacional. "Essa intervenção na empresa causará impactos negativos nos preços de ações e bônus. Mesmo que a empresa venha a reajustar os preços dos combustíveis nos próximos dias, ficará a incerteza entre os investidores quanto ao risco de novas ações desse tipo do governo nos negócios da companhia", avalia a MCM. 

De acordo ainda com a consultoria, o sucesso da recuperação financeira da Petrobras, implementado desde meados de 2016, deve-se à autonomia dada, pelo governo, aos diretores da estatal na condução de seus negócios. coloca foto da fachada prédio da petrobras