Com volume de negócios baixo, dólar volta a subir e fecha a R$ 4,32
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Com volume de negócios baixo, dólar volta a subir e fecha a R$ 4,32

Sem Nova Iorque, Bolsa sobe e termina o dia aos 115.309,08

Por
AE

Sem leilão extraordinário, moeda americana teve alta de 0,67%


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O dólar voltou a subir nesta segunda depois de duas sessões de queda, quando o Banco Central injetou US$ 2 bilhões em dinheiro novo no mercado. Nesta segunda-feira, sem leilão extraordinário de dólares e com volume de negócios muito baixo, por causa do feriado nos Estados Unidos, o dólar à vista fechou em alta de 0,67%, a R$ 4,3292. A moeda americana subiu ante divisas fortes e de emergentes, em meio a renovadas preocupações com os efeitos do coronavírus. O real foi novamente a divisa com pior desempenho em uma cesta de 34 moedas.

O banco central da China voltou a injetar recursos no mercado nesta segunda-feira e também reduziu os juros. A estratégia acabou contribuindo para a alta das bolsas europeias e asiáticas, mas não ajudou as moedas de emergentes. As preocupações sobre os efeitos da disseminação do coronavírus falaram mais alto e o tom de cautela predominou, ressaltam os estrategistas de câmbio do banco de investimento americano Brown Brothers Harriman (BBH). "O impacto final do vírus ainda é desconhecido", destacam.

Para o economista-chefe da gestora paulista Panamby Capital, Eduardo Yuki, o crescimento da economia mundial tende a mostrar desaceleração este ano, influenciado pelo coronavírus. A tendência é que o crescimento da China recue para perto de 5%, o que afeta o desempenho de outras regiões, como a zona do euro e as exportações brasileiras, o que significa menos dólares entrando no País. "O câmbio tem uma tendência natural de desvalorização este ano", disse ele. Na máxima do dia, o dólar foi a R$ 4,3320. O economista da Panamby trabalha com a moeda americana em R$ 4,50 no final de 2020. "O dólar abaixo de R$ 4,00 não está incluso em nosso cenário. Muita coisa boa precisa acontecer para isso", disse ele.

"O coronavírus continua pesando nas moedas mais sensíveis a riscos", observam os estrategistas em Nova York do grupo financeiro holandês ING. "Com isso, o apetite por dólar permanece forte", afirmam. Como reflexo, o índice DXY, que mede o comportamento da divisa americana ante uma cesta de moedas fortes, chegou a bater em 99,208 pontos, renovando as máximas desde o começo do ano passado. Já o euro seguiu testando mínimas, no menor patamar desde abril de 2017.

No mercado local, o Banco Central não fez leilão extraordinário hoje, apenas a rolagem de swaps de abril. Foi colocado o lote integral de 13 mil contratos, somando US$ 650 milhões. Na quinta e na sexta-feira, foi injetado, via swap, US$ 1 bilhão por dia, fazendo o dólar cair nas duas sessões.

Ibovespa

Sem a direção dos mercados acionários em Nova Iorque pelo feriado do dia do presidente nos Estados Unidos, mas refletindo a recuperação das commodities no mercado internacional, o Ibovespa encerrou a sessão aos 115.309,08 - subindo 0,81 dos 114.381,36 pontos da abertura. Nesse contexto, as ações da Vale e de empresas correlatas se destacaram em sessão de vencimento de opções sobre ações que movimentou R$ 8,47 bilhões. O giro do dia alcançou R$ 26,4 bilhões.

"Hoje vemos a Bolsa recuperando terreno, principalmente por causa de melhora do humor no exterior com a recuperação de commodities e, localmente, notícias corporativas", pontua Raphael Figueredo, da Eleven Financial Research. Nesse sentido também ajudam as perspectivas positivas para a boa perspectiva dos balanços de Petrobras e Vale a serem divulgados na quarta e quinta-feira, respectivamente.

Com o maior peso na carteira teórica do Ibovespa, as ações preferenciais do Itaú, em queda, assim como seus pares Bradesco e as ordinárias do Banco do Brasil fizeram o contraponto e limitaram o ímpeto de alta do índice à vista. Na avaliação de Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital ModalMais, os investidores de ações do setor financeiro estão ressabiados com a concorrência. Nesse sentido, a criação de um grupo pelo Banco Central para acelerar as fintechs pesa. "A inflação caindo e a abertura para maior redução de juros e dos spreads bancários também influenciam", nota.

Boletim Focus divulgado pelo Banco Central trouxe mais uma rodada de redução das projeções dos economistas do mercado financeiro para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) e para a inflação. De acordo com o relatório, a expectativa de crescimento neste ano caiu de 2,30% para 2,23%, sendo que há quatro semanas, era de 2,31%. Já a mediana para o IPCA em 2020 ano foi de alta de 3,25% para 3,22%. Há um mês, estava em 3,56%. Para 2021 seguiu em 3,75%.

Figueredo chama a atenção para a temporada de balanços, que têm vindo positivos e acabam colaborando para "segurar" a Bolsa brasileira ou para fazer com que a queda seja mais branda em um ambiente ainda de incertezas a respeito dos impactos econômicos globais por causa do surto de coronavírus.

Juros

Os juros futuros encerraram a sessão desta segunda em direções opostas, em um dia de liquidez fraca por causa do feriado do Dia do Presidente, nos Estados Unidos.

Enquanto a ponta curta renovou a mínima histórica com a percepção de atividade mais fraca no Brasil e no mundo, a parte mais longa teve influência do dólar, que voltou a subir após duas sessões em queda.

A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 caiu de 4,230% na sexta-feira para 4,220% (regular) e 4,210% (estendida, mínima histórica). Também em novo piso histórico, o DI para janeiro de 2022 passou de 4,730% para 4,710% (regular e estendida). O contrato para janeiro de 2023 recuou de 5,270% para 5,260% (regular e estendida).

O janeiro 2025 ficou estável em 5,970% (regular) e cedeu para 5,960% (estendida). E o janeiro 2027 subiu de 6,330% para 6,370% (regular) e 6,350% (estendida).

O feriado americano secou a liquidez nas mesas de operação nesta segunda-feira. O contrato para janeiro de 2021 teve 192,4 mil contratos negociados. Para efeito comparativo, na segunda-feira passada, mesmo com o caos provocado pelas chuvas na cidade de São Paulo, houve 325 mil negócios.

"O mercado hoje está sem muita ação, sem liquidez. Houve de manhã uma melhora dos preços dos ativos locais, o que ajuda na queda das taxas curtas", destacou o economista-chefe da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal.


Ainda assim, de acordo com Rosal, o mercado voltou a olhar para as projeções econômicas na ponta curta. Pela manhã, o Relatório Focus, elaborado pelo Banco Central, mostrou que a projeção para alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 passou de 2,30% na semana passada para 2,23%, a de Selic no fim deste ano permaneceu em 4,25% e a de IPCA foi de 3,25% para 3,22%.