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Crescimento do comércio eletrônico influencia no processo de compras do varejista de vizinhança

Pelo menos 30% do setor no Brasil utiliza o e-commerce para comprar seus produtos segundo dados divulgados na Abad

Por
Cláudio Isaías

Números foram divulgados por Marco Aurélio Lima, diretor da GfK Brasil

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O crescimento do hábito da utilização do e-commerce pelo consumidor brasileiro está influenciando o processo de compras do varejista de vizinhança na reposição dos estoques. Pelo menos 30% do setor no Brasil já utiliza o comércio eletrônico para comprar seus produtos. Os dados foram divulgados ontem pelo diretor da GfK Brasil, Marco Aurélio Lima, durante a 39ª Convenção Anual do Canal Indireto - Abad 2019, que está sendo realizada no Bourbon Convention, em Atibaia, em São Paulo.

"O mercado de vizinhança têm nos distribuidores e atacadistas seus maiores parceiros para abastecer os estabelecimentos comerciais e além disso formam a maior frente de concorrência para hiper e supermercados nas regiões em que atuam", ressaltou. Lima afirmou que entre os fatores mais relevantes para o varejista de vizinhança no relacionamento com distribuidores e atacadistas estão a agilidade na reposição do estoque e o preço baixo.

O mercado de vizinhança é abastecido com a entrega de produtos de mercearia (doces e salgados), bebidas alcoólicas e não alcoólicas, produtos de higiene e beleza, bazar e produtos perecíveis. Conforme Lima, cerca de 30% dos varejistas de vizinhança já adquiriram o hábito de comprar mercadorias para repor estoques via e-commerce, sendo que o índice cresce na mesma proporção da loja.

"O comércio eletrônico está influenciando fortemente essa relação. Os varejistas passaram a diversificar e ampliar seus canais de origem de compras", explicou.

Segundo ele, com a mudança de comportamento no hábito de consumo da população em direção ao e-commerce, os varejistas estão aderindo a essa forma de aquisição de produtos para manter as gôndolas abastecidas. Segundo o diretor da Gfk Brasil, atualmente um em cada três varejistas já está comprando ou repondo seus produtos através do e-commerce, que se tornou um grande desafio para os distribuidores e atacadistas brasileiros.

Conforme Lima, o mercado de vizinhança tem uma expectativa bem positiva de crescimento em 2019. A pesquisa feita pela Gfk Brasil no primeiro trimestre deste ano mostrou que 71% dos varejistas avaliam que este ano será "melhor" ou "muito melhor" do que 2018 e esperam que as reformas da Previdência e Tributária sejam feitas.

O levantamento foi realizado com 400 lojistas em todo o país e ainda se utilizou das informações do Painel Pequeno Autosserviço que visitou mais de 23 mil lojas no Brasil. "É a melhor perspectiva na comparação com os últimos quatro anos da pesquisa. Outro dado é que muitos empresários vão contratar mais do que demitir funcionários. Existe uma estimativa de geração de 15 mil novos empregos no setor ", acrescentou.

A oferta de vagas de emprego no pequeno varejo foi distribuída da seguinte maneira: 38% das contratações de trabalhadores nas regiões Norte e Centro-Oeste; 27% na Sudeste; 20% no Sul e 15% no Nordeste. De acordo com Lima, as empresas do setor pretendem contratar em média cinco pessoas este ano e demitir dois trabalhadores. Já 71% das empresas de distribuição e de atacado ouvidas na pesquisa pretendem manter 71% dos funcionários em 2019.

Uma pesquisa apresentada por Daniel Asp, gerente de relacionamento com o varejo da Nielsen Brasil mostrou que o segmento do Atacarejo (Cash & Carry) cresceu 12,3% em 2018. A busca por promoções, preocupações com a saúde/bem-estar e menor lealdade às marcas e aos pontos de venda foram os fatores apontados pelos consumidores.

"Com a crise da economia e com a necessidade de otimizar gastos, a população decidiu criar novos hábitos e por consequência houve um aumento de compra no Cash & Carry em busca de melhores preços e ofertas", ressaltou. Em média, 60% das residências brasileiras (31,6 milhões de casas) compraram mensalmente no Atacarejo, o que resultou em um crescimento de 9% em relação ao ano anterior.

Quando combinado com o varejo de vizinhança, o mix apresentou 3% de crescimento, os supermercados chegaram a 8,6% e as farmácias terminaram com um aumento de 29,3%. Outro fator que atuou em favor do canal, segundo Asp, foi a dinâmica de abertura de lojas que aumentou mais de 50% desde 2015.