Economia

Crescimento do comércio eletrônico influencia no processo de compras do varejista de vizinhança

Pelo menos 30% do setor no Brasil utiliza o e-commerce para comprar seus produtos segundo dados divulgados na Abad

Números foram divulgados por Marco Aurélio Lima, diretor da GfK Brasil
Números foram divulgados por Marco Aurélio Lima, diretor da GfK Brasil Foto : Philippe Acera / Abad / Divulgação / CP

O crescimento do hábito da utilização do e-commerce pelo consumidor brasileiro está influenciando o processo de compras do varejista de vizinhança na reposição dos estoques. Pelo menos 30% do setor no Brasil já utiliza o comércio eletrônico para comprar seus produtos. Os dados foram divulgados ontem pelo diretor da GfK Brasil, Marco Aurélio Lima, durante a 39ª Convenção Anual do Canal Indireto - Abad 2019, que está sendo realizada no Bourbon Convention, em Atibaia, em São Paulo.

"O mercado de vizinhança têm nos distribuidores e atacadistas seus maiores parceiros para abastecer os estabelecimentos comerciais e além disso formam a maior frente de concorrência para hiper e supermercados nas regiões em que atuam", ressaltou. Lima afirmou que entre os fatores mais relevantes para o varejista de vizinhança no relacionamento com distribuidores e atacadistas estão a agilidade na reposição do estoque e o preço baixo.

O mercado de vizinhança é abastecido com a entrega de produtos de mercearia (doces e salgados), bebidas alcoólicas e não alcoólicas, produtos de higiene e beleza, bazar e produtos perecíveis. Conforme Lima, cerca de 30% dos varejistas de vizinhança já adquiriram o hábito de comprar mercadorias para repor estoques via e-commerce, sendo que o índice cresce na mesma proporção da loja.

"O comércio eletrônico está influenciando fortemente essa relação. Os varejistas passaram a diversificar e ampliar seus canais de origem de compras", explicou.

Segundo ele, com a mudança de comportamento no hábito de consumo da população em direção ao e-commerce, os varejistas estão aderindo a essa forma de aquisição de produtos para manter as gôndolas abastecidas. Segundo o diretor da Gfk Brasil, atualmente um em cada três varejistas já está comprando ou repondo seus produtos através do e-commerce, que se tornou um grande desafio para os distribuidores e atacadistas brasileiros.

Conforme Lima, o mercado de vizinhança tem uma expectativa bem positiva de crescimento em 2019. A pesquisa feita pela Gfk Brasil no primeiro trimestre deste ano mostrou que 71% dos varejistas avaliam que este ano será "melhor" ou "muito melhor" do que 2018 e esperam que as reformas da Previdência e Tributária sejam feitas.

O levantamento foi realizado com 400 lojistas em todo o país e ainda se utilizou das informações do Painel Pequeno Autosserviço que visitou mais de 23 mil lojas no Brasil. "É a melhor perspectiva na comparação com os últimos quatro anos da pesquisa. Outro dado é que muitos empresários vão contratar mais do que demitir funcionários. Existe uma estimativa de geração de 15 mil novos empregos no setor ", acrescentou.

A oferta de vagas de emprego no pequeno varejo foi distribuída da seguinte maneira: 38% das contratações de trabalhadores nas regiões Norte e Centro-Oeste; 27% na Sudeste; 20% no Sul e 15% no Nordeste. De acordo com Lima, as empresas do setor pretendem contratar em média cinco pessoas este ano e demitir dois trabalhadores. Já 71% das empresas de distribuição e de atacado ouvidas na pesquisa pretendem manter 71% dos funcionários em 2019.

Uma pesquisa apresentada por Daniel Asp, gerente de relacionamento com o varejo da Nielsen Brasil mostrou que o segmento do Atacarejo (Cash & Carry) cresceu 12,3% em 2018. A busca por promoções, preocupações com a saúde/bem-estar e menor lealdade às marcas e aos pontos de venda foram os fatores apontados pelos consumidores.

"Com a crise da economia e com a necessidade de otimizar gastos, a população decidiu criar novos hábitos e por consequência houve um aumento de compra no Cash & Carry em busca de melhores preços e ofertas", ressaltou. Em média, 60% das residências brasileiras (31,6 milhões de casas) compraram mensalmente no Atacarejo, o que resultou em um crescimento de 9% em relação ao ano anterior.

Quando combinado com o varejo de vizinhança, o mix apresentou 3% de crescimento, os supermercados chegaram a 8,6% e as farmácias terminaram com um aumento de 29,3%. Outro fator que atuou em favor do canal, segundo Asp, foi a dinâmica de abertura de lojas que aumentou mais de 50% desde 2015.

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