Dólar cai com exterior a R$ 5,26 após subir pela manhã

Dólar cai com exterior a R$ 5,26 após subir pela manhã

Moeda norte-americana encerrou a segunda-feira em leve queda de 0,09%

AE

Os juros futuros começaram a semana em baixa

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Em dia com agenda doméstica esvaziada, o mercado de câmbio acompanhou os movimentos do dólar no exterior. A moeda norte-americana operou volátil ante o real pela manhã, mas passou a cair no começo da tarde, refletindo a perda de fôlego da divisa dos Estados Unidos ante moedas fortes e emergentes, sobretudo de exportadores de commodities, com o peso chileno sendo uma das raras exceções, por conta do avanço da esquerda nas eleições parlamentares do fim de semana. O desmonte de posições contra o real, principalmente de estrangeiros, voltou a ganhar força na B3 e em Chicago, onde os investidores passaram a ter posição comprada nos futuros da moeda brasileira, ou seja, apostando em sua valorização, o que não acontecia desde agosto de 2019.

Após bater na máxima de R$ 5,32 mais cedo, o dólar acabou fechando mais perto da mínima do dia, de R$ 5,24, encerrando a segunda-feira, em leve queda de 0,09%, a R$ 5,2663. No mercado futuro, o dólar para junho cedia 0,16% às 17h40, a R$ 5,2710.

Para o sócio e diretor de Investimentos da Kairós Capital, Fabiano Gomes Godoi, o real ainda tem espaço de valorização adicional pela frente, refletindo um ambiente de melhora dos números da pandemia, por conta do avanço da vacinação, que pode levar a alguma recuperação da popularidade de Jair Bolsonaro, abrindo espaço para o avanço da agenda de reformas no Congresso. "Esta janela está condicionada ao ambiente lá fora permanecer tranquilo. Caso o ambiente exterior se deteriore com as expectativas inflacionárias crescentes, as coisas aqui ficam bem mais difíceis."

Esta janela para a melhora do real e outros ativos brasileiros, como o Ibovespa, que nesta segunda-feira tocou os 123 mil pontos, avalia Godoi, pode durar no máximo até outubro, quando deve começar a ganhar ainda mais forte o debate das eleições de 2022 e os ativos tendem a ficar mais voláteis. "Não é estrutural essa melhora, mas conjuntural. O Brasil não fez a lição de casa no fiscal", afirma o executivo da Kairós.

Nesta segunda, declarações do vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Richard Clarida, ajudaram a enfraquecer o dólar mundialmente, além de números positivos da China. O dirigente voltou a reforçar que a economia americana precisa dos estímulos extraordinários do Fed. Uma das provas é o mercado de trabalho, ainda com 8 milhões de postos perdidos na pandemia.

A diretora de estratégia de câmbio da gestora BK Asset Management, Kathy Lien, observa que indicadores mais fracos que o esperado da economia norte-americana estão ajudando a fortalecer outras moedas ante o dólar, como as ligadas a commodities. Mas o mercado vai seguir monitorando os dados de inflação, que passou a virar uma preocupação mundial nesta retomada da economia. Alguns bancos centrais estão mais propensos a agir do que outros, destaca ela. As moedas que mais vão se apreciar são justamente a destes países. No Brasil, o real vem reagindo ao aumento de juros pelo Banco Central e sinalização de mais altas pela frente.

Juros

Os juros futuros começaram a semana em baixa, a despeito do clima de cautela que prevaleceu no exterior com os rendimentos dos Treasuries em trajetória de alta. Após pressão inicial pela manhã, favorecida pela disparada do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) acima das estimativas, as taxas foram se acomodando em queda, alinhadas ao desempenho positivo dos demais ativos locais, com investidores apostando no "kit Brasil". Os ganhos nas commodities favoreceram o real e acabaram ajudando indiretamente a curva a fechar, a despeito dos receios com a inflação e dúvidas sobre o processo de normalização da Selic.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 ficou em 4,94% no fim da sessão regular, de 4,96% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 6,778% para 6,73%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 8,19% (de 8,275%) e a do DI para janeiro de 2027 fechou em 8,77%, de 8,854%.

O economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, afirmou que houve algum estresse na abertura dos negócios em função da agenda da inflação, mas depois o "bom humor com Brasil" ajudou o mercado a digerir. "Há um certo otimismo hoje com o Brasil, que ajuda também a Bolsa e o câmbio", disse.

O IGP-10 de maio subiu 3,24%, acima do teto das estimativas (3,11%), e a pesquisa Focus trouxe ajustes para cima nas medianas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021 (5,06% para 5,15%) e em 2022 (3,61% para 3,64%).

O economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, afirma que o que chamou de "pacote Brasil", com o dólar em queda, acabou por suavizar o impacto das preocupações com a inflação sobre a curva, que vinham mantendo especialmente a parte curta pressionada nos últimos dias.

Ele lembra que a sessão foi de ganhos para petróleo e minério de ferro, o que contribuiu para a alta do real, na medida em que favorece o fluxo exportador, a despeito do impacto da inflação importada. "Se continuar entrando dólar, as pressões inflacionárias ficam mais limitadas. São dois aspectos que se equilibram", explicou Vieira, lembrando que, nas últimas leituras, se os preços ao produtor têm surpreendido negativamente, por outro lado, os IPCs estão mais acomodados, assim como o dólar.

De todo modo, na reunião com os diretores do Banco Central, o tom era de preocupação com a inflação entre os analistas que participaram do encontro, na qual também foi consenso um maior otimismo com o crescimento do País. No entanto, houve divisão sobre que efeito tais fatores vão produzir de ajuste na Selic, com um grupo alinhado à ideia de que a recomposição será parcial e outro acreditando que será completa.

Bolsa

Na contramão de Nova York desde o início do dia, o Ibovespa recuperou não apenas a linha de 122 mil pontos, mas também chegou a beliscar a de 123 mil, não vista desde meados de janeiro, emendando assim o terceiro ganho após a queda de 2,65% da última quarta-feira, quando se curvou aos receios globais sobre o avanço da inflação ao consumidor nos Estados Unidos. Nesta segunda-feira, favorecido desde cedo por novos dados positivos sobre o nível de atividade na China, fechou em alta de 0,87%, aos 122.937,87 pontos, após avanços de 0,97% e de 0,83% nas duas sessões anteriores. Commodities e siderurgia mantiveram o Ibovespa em terreno positivo na maior parte da sessão, entre mínima de 121.680,47 e máxima a 123.074,21 pontos (+0,98%), com giro a R$ 31,3 bilhões. No mês, o índice sobe 3,40% e, no ano, ganha 3,29%.

No meio da tarde, o Ibovespa passou a renovar máximas, atingindo seu maior nível intradia desde 15 de janeiro, quando foi a 123.471,59 pontos no pico daquela sessão. A máxima mais recente era a do último dia 11, em que atingiu 122.964,01 pontos durante a sessão. Nesta segunda, o índice da B3 foi carregado por mineração e siderurgia, em recuperação da correção de 12% do fim da semana passada no minério de ferro, quando prevaleceram temores de intervenção da China sobre os preços do aço, que estariam se descolando demais dos custos, em movimento que chamou a atenção de autoridades locais - o receio de intervenção nos preços resultou em temor e forte correção da commodity.

"A produção de aço, atingindo novos recordes na China, comprova a forte demanda por minério de ferro no país, levando o Ibovespa novamente para a faixa de 123 mil pontos", aponta Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, chamando atenção para a alta de 4% na produção de aço bruto na China em abril, com expansão de 16%, para 375 milhões de toneladas, acumulada no ano, o que "demonstra o apetite das siderúrgicas chinesas pelo minério de ferro".

"Hoje, a recuperação dos preços do minério contribuiu para o desempenho de Vale (ON +2,62%), CSN (ON +3,00%) e Gerdau (PN +3,48%), que estiveram entre os destaques do dia desde a manhã. Como pano de fundo, o dia negativo em Nova York, já sinalizado pelos futuros antes da abertura por lá. A semana é importante após a volatilidade da anterior, marcada pela incerteza em torno da inflação nos Estados Unidos, e o que o Fed poderá fazer em relação a isso daqui pra frente. O grande evento da semana, assim, é a ata do Fomc (comitê de política monetária do BC americano), além de falas de seus dirigentes", diz Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos.

Nesta segunda, o vice-presidente do Federal Reserve, Richard Clarida, disse que o Fomc deve "ficar atento" às expectativas de inflação à medida que a economia dos Estados Unidos se recupera, a fim de evitar um descontrole dos preços. Ainda que veja os efeitos inflacionários como "transitórios" na maior parte, Clarida diz "não ter dúvidas" de que o Fed usará seus instrumentos caso as expectativas apontem para inflação acima da meta de cerca de 2% por um longo período.

Na B3, além do desempenho positivo observado desde cedo nas ações de mineração e siderurgia, o avanço de Petrobras (PN +1,45%, ON +1,17%, ambas na máxima da sessão no fechamento) e a virada positiva observada à tarde na maioria das ações de bancos (BB ON +1,77%, Santander +0,48%) deram um fôlego a mais para o Ibovespa, enquanto os índices de Nova York também se afastavam das mínimas do dia. Na ponta do índice da B3, destaque para alta de 4,87% em JHSF, à frente de Gerdau PN (+3,48%) e de Iguatemi (+3,21%). No lado oposto, Totvs (-2,06%), Magazine Luiza (-1,51%) e B3 (também -1,51%).

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