Dólar começa outubro em alta e encerra terça-feira em R$ 4,16
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Dólar começa outubro em alta e encerra terça-feira em R$ 4,16

Com investidores monitorando a votação da reforma da Previdência, moeda americana sobre 0,16%

Por
AE

Ibovespa acompanha Wall Street e fecha em queda de 0,66%

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O dólar começou outubro em alta, com os investidores monitorando a votação da reforma da Previdência no Senado. A valorização foi influenciado também pela repercussão negativa da piora do índice de atividade industrial dos Estados Unidos (ISM, na sigla em inglês) de setembro, que aumentou temores de fraqueza da economia mundial e provocou fuga de ativos de risco. O indicador teve em setembro o pior número em 10 anos. Com isso, o dólar se enfraqueceu perante moedas fortes, como o euro e o iene, e subiu perante a maioria dos emergentes. Aqui, a moeda americana terminou o dia cotada em R$ 4,1619, em alta de 0,16%.

A moeda americana operou em alta durante todo o dia e bateu máxima pela manhã, a R$ 4,1847, e só chegou a ensaiar queda no momento do anúncio da aprovação da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, sem desidratação fiscal adicional. Com isso, caiu a R$ 4,1536 (-0,03%). O movimento durou pouco, mas o ritmo de alta à tarde foi menor que pela manhã, com as mesas de câmbio monitorando as discussões da Previdência em Brasília. Houve ameaça de parar a tramitação do texto após a votação em primeiro turno, em meio a uma insatisfação no Senado com o temor da divisão dos recursos do megaleilão da cessão onerosa ser alterada na Câmara.

O diretor de câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, ressalta que o interesse principal do mercado era acompanhar eventual redução do impacto fiscal da reforma. Havia ainda o temor de novos atrasos na tramitação, como ocorreu na semana passada e provocou estresse no mercado. O texto começou na Câmara com economia de R$ 1,2 trilhão em 10 anos e está com R$ 870 bilhões. A votação no primeiro turno deve acabar nesta terça até 22h e, segundo o presidente da casa, Davi Alcolumbre, não deve ocorrer mais redução do impacto fiscal.

O dólar tem oscilado nos últimos dias entre R$ 4,15 e R$ 4,19, sem um catalisador mais forte para tirar deste patamar, nem para cima nem para baixo. Cavalcante diz que as atenções estão voltadas para próximo dia 10, quando China e Estados Unidos se reúnem para discutir um acordo comercial. Se o resultado da reunião for favorável, a moeda americana pode cair para perto de R$ 4,10. Já se as conversas não evoluírem, o dólar pode testar novas máximas.

Dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Internacional de Finanças (IIF), com sede em Washington, mostram que os fluxos internacionais de capital para emergentes este ano oscilaram ao sabor das conversas entre a Casa Branca e Pequim. Em maio e agosto, com piora da tensão comercial, houve forte saída de recursos dos emergentes, pressionando as moedas destes países. Em setembro, com a sinalização de progressos, houve entradas de US$ 37,7 bilhões nestes mercados, dando alívio às moedas.

Ibovespa

A volta dos temores de recessão nos Estados Unidos, na esteira de dados decepcionantes da indústria americana em setembro, derrubou as bolsas em Wall Street e, por tabela, o mercado acionário doméstico. Afora um movimento ascendente pela manhã, quando chegou a testar os 105 mil pontos, o Ibovespa trabalhou em terreno negativo o restante da sessão. Já em grande parte refletida nos preços das ações, a aprovação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado não teve forças para tirar a bolsa doméstica do vermelho.

Com máxima de 105.121,16 pontos e mínima de 103.837,47, o principal índice da B3 encerrou esta terça-feira, 1º de outubro, em baixa de 0,66%, aos 104.053,40 pontos. O volume negociado atingiu R$ 13,9 bilhões. Entre as blue chips, as perdas mais elevadas foram do setor financeiro, com queda de 2,28% das PN do Itaú e de 1,36% das PN do Bradesco.

"O Ibovespa seguiu o comportamento bolsas americanas, que caíram com a volta ao radar das preocupações com uma recessão nos Estados Unidos", afirma o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, ressaltando que o dia prometia ser de ganhos para os ativos de risco, dada a expectativa de retomada das negociações comerciais entre China e Estados Unidos na próxima semana.

Os índices em Nova York até abriram em alta, mas viraram para o negativo logo após a divulgação, às 11h, do índice de atividade industrial dos EUA medido pelo Instituto da Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês). Na contramão das expectativas do mercado (alta para 50,1), o índice caiu de 49,1 em agosto para 47,8 em setembro, indicado contração da atividade. Foi a pior leitura do índice desde junho de 2009.

Por aqui, a nova versão do parecer da reforma da Previdência foi aprovada com facilidade na CCJ do Senado - 17 votos a favoráveis e 9 contrários - e sem perda da economia em 10 anos em relação ao texto que saiu da Câmara, já que foram rejeitadas todas as tentativas de mudanças no relatório. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse que pretende concluir a votação da reforma em primeiro turno na Casa até as 22h. Alcolumbre disse que senadores vão montar o calendário para votação da reforma em segundo turno, que deve ocorrer até o próximo dia 15. O prazo anterior colocava o segundo turno para o dia 10.

Para Laatus, a aprovação da reforma da Previdência é algo já assimilada pelos investidores. As atenções se voltam agora para outras medidas, como a reforma tributária e a agenda de privatizações. "Aos poucos a economia reagindo, mas é muito devagar. Essa lentidão faz com que o investidor estrangeiro não tenha estímulo para aplicar no Brasil", afirma o estrategista.

Na agenda econômica, o IBGE divulgou pela manhã que a produção industrial subiu 0,8% em agosto ante julho, acima da mediana de 0,20% dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, mas dentro do intervalo das estimativas (de -0,50% a 1%). Apesar de vir após um dado positivo da geração de empregos, o resultado da indústria está longe de prenunciar uma recuperação mais firme de atividade capaz de dar um fôlego extra ao Ibovespa.

Dentro da carteira teórica do Ibovespa, as maiores altas foram Marfrig ON (+5,72), Ultrapar ON (+4,16%) e MRV ON (1,81%). Segundo analistas, as ações da Marfrig se beneficiam da intenção do BNDES - que tem 33,75% de participação na empresa - de acelerar a liquidação de sua carteira de ações. As piores baixas foram da ON da Multiplus (-2,60%), da PNA da Braskem (-2,46%) e da ON das Lojas Renner (-2,31%).

Taxas de juros

O movimento moderado de alta dos juros não se sustentou ao longo da tarde, na medida em que os trâmites para aprovação da reforma da Previdência foram evoluindo no Senado e diante do enfraquecimento do dólar. No fechamento da sessão regular, as taxas estavam de lado, com viés de baixa. A nova versão do relatório do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) foi aprovada por 17 votos a 9 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a expectativa é de que passe pelo plenário ainda nesta terça, sem alterações que comprometam a potência fiscal, estimada em R$ 870 bilhões pelo governo.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou em 4,960%, de 4,949% na segunda no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 encerrou em 6,04%, de 6,051%. A do DI para janeiro de 2025 caiu de 6,671% para 6,64% (mínima). O DI para janeiro de 2027 voltou a fechar com taxa abaixo de 7%, em 6,99%, de 7,001% no ajuste.

A aprovação da reforma da Previdência pelo Senado já está há algum tempo embutida no preço dos ativos. Porém, após a frustração na semana passada com o adiamento da votação da PEC para esta semana, pela manhã o mercado ficou meio ressabiado ante um risco de novo atraso no processo, além de cautela com a possibilidade de alterações que pudessem comprometer a potência fiscal. A postura defensiva embutiu prêmio de risco à curva e as taxas subiram, também alinhadas ao dólar que, na primeira etapa, chegou novamente perto dos R$ 4,19.

No fim da manhã, porém, o avanço das taxas foi perdendo força, tanto porque o texto do Senado avançava, quanto por um fator externo. O índice de atividade industrial dos Estados Unidos, medido pelo ISM, caiu para 47,8 em setembro, o pior resultado desde junho de 2009, reforçando o receio de recessão no país, o que exigiria uma política monetária ainda mais relaxada por parte do Federal Reserve. As taxas então foram para as mínimas, acompanhando o rendimento dos Treasuries, mas buscaram novos pisos à tarde.

"O dólar esteve forte ante as demais moedas, então a curva subiu bem de manhã, principalmente a parte longa e as NTN-B, mas aliviou ao longo do dia. Pontos importantes da reforma, como é o caso da emenda do abono, com impacto de quase R$ 80 bilhões, foram caindo", disse o trader do Sicredi Asset, Cassio Andrade Xavier. Ele se refere à emenda que buscava manter o abono salarial a todos os trabalhadores que recebem até dois salários mínimos, que poderia reduzir a economia em um período de dez anos em R$ 76,4 bilhões, conforme cálculos apresentados pelo governo.

O governo acredita ter entre 56 e 60 votos para aprovar a reforma nesta terça no plenário do Senado, acima dos 49 necessários. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse que quer finalizar a votação até as 22h. "Os senadores vão montar calendário para votar o 2º turno da Previdência até 15/10", disse ainda.