Dólar fecha a R$ 4,09 e Ibovespa sobe pelo 4º pregão seguido
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Dólar fecha a R$ 4,09 e Ibovespa sobe pelo 4º pregão seguido

Ibovespa terminou esta segunda-feira em alta de 0,24%, aos 103.180,59 pontos

Por
AE

Moeda americana operou em alta na maior parta do dia

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Após uma manhã de alta firme, em que chegou a superar os 104 mil pontos, o Ibovespa perdeu fôlego na segunda etapa de negócios nesta segunda-feira, em meio à hesitação dos principais índices em Nova York, e se situou momentaneamente em território negativo. Segundo operadores, um forte movimento de realização de lucros em papéis de varejo e, em menor medida, do setor elétrico se contrapôs à alta firme de papéis da Petrobras, Vale e do bloco financeiro, limitando os ganhos do principal índice da B3. Apesar da desaceleração ao longo da tarde, o Ibovespa terminou esta segunda-feira em alta de 0,24%, aos 103.180,59 pontos, emendando o quarto pregão seguido de valorização. No acumulado do mês, o índice já registra ganhos de 2,02%.

Sem indicadores domésticos de peso para guiar os negócios, investidores operaram de olho no cenário externo e no noticiário corporativo. Dados fracos das exportações chinesas em agosto deram lugar à visão de que o gigante asiático adote medidas de estimular a economia e levaram o preço do minério a subir mais de 4% no porto de Qingdao. Crescem também as apostas que o Banco Central Europeu (BCE) e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) afrouxem ainda mais a política monetária para combater a desaceleração da atividade, em meio ao impactos negativos do impasse comercial sino-americano e do Brexit.

Pegando carona na alta do preços do minério, as ações da Vale subiram 3,10% e as siderúrgicas registraram ganhos de mais de 4%, com destaque para o papel da Usiminas, que subiu mais de 8% e liderou os ganhos na carteira teórica do Ibovespa. Entre as demais blue chips, os bancos tiveram nova sessão de ganhos, embalados na expectativa de redução dos depósitos compulsórios.

Já os papéis da Petrobras avançaram mais de 1%, impulsionados pela valorização do petróleo e a publicação do edital do megaleilão de óleo excedente da sessão onerosa, que será realizado no dia 6 de novembro. Outro ponto positivo foi a aprovação do acordo para encerrar ação coletiva contra a Petrobras nos Estados Unidos. Também teria contribuído para impulsionar as ações da petroleira declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, dando conta de que deseja privatizar todas as estatais.

Os principais papéis de varejo e do setor imobiliários amargaram fortes quedas, com ações de Cyrela, B2W e Via Varejo perdendo mais de 5%. O Índice de Consumo (Icon) caiu 1,71%, e o Índice Imobiliário (Imob), 3,47%. Outro destaque negativo foi a JBS, que perdeu 3,53%. Com quase 3% de peso no índice, a ação do frigorífico foi abalada pelo fato de não ter unidades entre as que foram habilitadas a exportar carnes para a China.

Segundo a analista-chefe da Coinvalores, Sandra Peres, com a expectativa de retomada do crescimento doméstico e de aprovação das reformas, o Ibovespa tem caminho aberto para continuar sua escalada até o fim do ano, buscando algo entre 115 mil e 120 mil pontos. O que pode barrar o movimento de alta é sobretudo o ambiente externo, ainda tomado pela cautela em relação à falta de avanços nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China.

"Mesmo atrasando um pouco, as reformas domésticas estão sendo encaminhadas, a inflação está controlada e a Selic tende a ser reduzida. Tudo isso é positivo para a bolsa", diz Sandra. "A grande preocupação é a questão da guerra comercial, com os tuítes do Trump (Donald Trump, presidente dos EUA) e a dúvida sobre até onde vai o corte de juros nos EUA", acrescenta.

Dólar

O dólar começou a segunda-feira em queda, mas o movimento durou pouco e a moeda operou em alta na maior parta do dia. A sessão foi de volume baixo de negócios e marcada pela escassez de notícias capazes de influenciar os mercados, aqui e no exterior. Por isso, operadores atribuem a alta da moeda a fatores técnicos, que inclui saída de capital do país e um movimento de recomposição de posições após as mudanças da semana passada. No mercado à vista, o dólar terminou em alta de 0,46%, a R$ 4,0987. No mercado futuro, era negociado a R$ 4,10 na tarde desta segunda-feira.

A falta de notícias contribuiu para esfriar o volume de negócio, que somou US$ 15 bilhões no mercado futuro, ante média de US$ 18 bilhões. Além disso, os investidores aguardam o principal evento da semana, que é a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira (12). "Será uma reunião de importância crucial", observam os estrategistas do banco americano Wells Fargo. Eles preveem corte de juros e o anúncio de um novo programa de compra de ativos, da ordem de US$ 45 bilhões por mês, ambos para tentar reaquecer a fraca economia da zona do euro.

No mercado doméstico, o dólar abriu em baixa e tocou na mínima do dia, a R$ 4,0485 após dados piores que o previsto de exportações da China alimentarem expectativas de que Pequim vai anunciar medidas de estímulo. O movimento, porém, durou pouco e a moeda americana passou a subir.

Profissionais no mercado de câmbio dizem que neste momento o nível de R$ 4,05 atrai compradores, pois é considerado "barato" dadas as incertezas que rondam a economia mundial. À tarde, o dólar bateu em R$ 4,10. "Teve fluxo de saída e de recomposição de posições. Vimos alguns agentes que venderam dólar na semana passada comprando", observa o operador da CM Capital Markets, Thiago Silêncio. O dólar acumulou queda de 1,5% na semana passada.

No exterior, o dólar tinha leve queda ante moedas fortes, com o índice DXY cedendo 0,11%. Ante emergentes, a moeda americana operava mista, subindo ante a lira turca (+0,70%) e o peso mexicano (+0,26%) e caindo na Rússia (-0,33%) e na África do Sul (-0,17%).

Taxas de juros

O mercado de juros começou a semana com oscilação restrita das taxas e liquidez baixa, refletindo a agenda doméstica fraca e o compasso de espera pelo desenrolar da semana, que tem como destaque a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira. As taxas oscilaram nesta segunda-feira entre a estabilidade e leve queda, mas no fechamento dos negócios só os contratos de curto e médio prazos preservaram algum alívio enquanto os longos, mais sensíveis ao cenário internacional, terminaram perto da estabilidade, influenciados pela piora do câmbio e alta do rendimento dos Treasuries.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020, que melhor reflete as expectativas para as reuniões do Copom em 2019, encerrou na mínima de 5,305%, de 5,328% no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 fechou em 5,34%, de 5,368%. A do DI para janeiro de 2023 caiu de 6,451% para 6,42%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 6,98%, de 7,001%.

"As taxas curtas seguem amparadas nos fundamentos, com o mercado colocando um pouco mais de expectativa de nova queda de 0,5 ponto porcentual da Selic na próxima reunião", disse a gestora de renda fixa da Mongeral Aegon Investimentos, Patricia Pereira, para quem, contudo, o mercado no geral teve um dia fraco.

Pela manhã, havia expectativa de que os ativos reagiriam mal a dados frustrantes do comércio exterior da China, que acusam os efeitos da "trade war" com os Estados Unidos, mas acabou prevalecendo a leitura de que os indicadores podem incentivar a adoção de estímulos econômicos pelo governo chinês. Neste sentido, também há expectativa pela reunião do BCE, na quinta. Com isso, a manhã foi de taxas em queda, refletindo também a leitura das declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que pretende adotar um "fast track" para as privatizações, em entrevista ao jornal Valor Econômico. Ainda, na pesquisa Focus, divulgada pela manhã, a mediana para o IPCA deste ano caiu de 3,59% para 3,54% e chegou a 3,50% no Grupo Top 5.

À tarde, o fluxo de 'inputs' positivos cessou, o dólar passou a subir e as taxas se acomodaram. Os curtos ainda preservaram um viés de baixa, amparados na aposta firme de que o Copom, que se reúne na próxima semana, vai cortar novamente a Selic em 0,5 ponto porcentual, mesmo com o dólar a R$ 4,10. "O comunicado, no entanto, deve vir com um aviso de que os próximos passos vão depender do cenário internacional, que está mais turbulento desde o último Copom mas, ao mesmo tempo, com vários sinais deflacionários", disse Patricia.