Em casa ou no aeroporto, aeroviários enfrentam problemas
capa

Em casa ou no aeroporto, aeroviários enfrentam problemas

Setor diretamente afetado por coronavírus passa por momento delicado

Por
Christian Bueller

Aeroviários enfrentam problemas com coronavírus


publicidade

Setor diretamente afetado pelo novo coronavírus, os aeroviários passam por um momento delicado. Com uma redução de 91,61% da malha aérea em abril, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), poucos funcionários seguem em atuação no Aeroporto Internacional Salgado Filho. Mesmo sem filas e baixo movimento, os trabalhadores da área estão tendo que conviver com a falta de paciência de alguns usuários que não conseguem voos para seus locais de origem.

“Para quem ficou na linha de frente, é o principal problema que enfrentamos. Grosseria de passageiros que tiveram voos cancelados. Os mais atingidos são os trabalhadores do check-in”, relata o diretor de Comunicação do Sindicato de Aeroviários de Porto Alegre, Osvaldo Rodrigues. A entidade quer conscientizar a população de que o momento é delicado, mas os trabalhadores precisam ser tratados com respeito e educação. “As empresas estão paradas, há um número mínimos de voos acontecendo”, acrescenta.

A Fraport, concessionária do aeroporto, diz não receber demandas desta natureza. Segundo Rodrigues, não passa de 30% o efetivo das empresas no aeroporto, onde os funcionários seguem as medidas de prevenção, como a distribuição de álcool em gel e o estabelecimento de uma distância mínima de um metro entre trabalhadores e passageiros.  

Para os que estão em casa, a situação é delicada. A Latam já realizou um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) aprovado em assembleia pelos trabalhadores que resultou em uma Licença Não Remunerada Compulsória (LNRC). Com isso, salários foram reduzidos, apesar da manutenção de alguns direitos trabalhistas, como plano de saúde. É o caso de uma aeromoça que falou com a reportagem, mas não quis se identificar. Ela e o marido, colegas de profissão, buscam trabalhos temporários para poder lidar com a redução de 80% nos ganhos. “Pode ser fábrica, farmácia, produção, mercado, recepção. Tenho duas crianças pequenas”, conta. As empresas Gol e Azul estão trabalhando com escalas diferenciadas, mas funcionários ficam em casa sem remuneração.


“Estamos em busca de acordos, tentando manter os empregos, mas com os salários, para que os trabalhadores tenham como se manter. Nosso setor é muito importante. Se a economia crescer 1%, a aviação cresce, no mínimo 2,5%”, contextualiza Rodrigues. Nesta quinta-feira, o sindicato fará uma assembleia para debatera proposta da Azul, que chega a 70% na redução de carga horária e, por consequência, de salários.