Entidade gaúcha auxilia empresas na renegociação de dívidas frente à pandemia

Entidade gaúcha auxilia empresas na renegociação de dívidas frente à pandemia

Assunto foi abordado por empresários do setor econômico em videoconferência da Lide-RS

Christian Bueller

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Com as reduções de receita e demanda por conta da pandemia, empresas tiveram a chance de repactuar seus contratos. Mas, para elas coube conhecer seu negócio para seguirem em frente. Este foi o recado da 10ª edição do Lide Talks, promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide-RS). O vice-presidente e conselheiro do Banrisul, Irany de Oliveira Sant’Anna Júnior, o sócio-diretor da área Special Situations do BTG Pactual, Alexandre Câmara, e o sócio-fundador das empresas Tarvos Partners e Martins Rillo Advogados, Roberto Martins, foram os palestrantes.

Irany lembra que a crise não surgiu do sistema financeiro, e sim da saúde, o que pegou todos da área econômica de surpresa e os protocolos de segurança contra a Covid-19 impuseram restrições de demanda. “De forma generalizada, há reduções de faturamento dos mais variados setores. A maioria penalizada. O primeiro movimento do Banrisul foi perceber que os clientes precisavam de fôlego, de tempo, até a poeira baixar e reorganizar o negócio”, disse o vice-presidente do banco. Uma das primeiras medidas tomadas pelo Banrisul foi propor renegociações e estender prazos. “O Programa Repac foi implantada quase que automático. E, após 60 dias, um prazo adicional foi colocado. A taxa de incerteza é elevada e todos estão buscando caminhos”, afirmou.

A grande pergunta, segundo Irany, é como agora voltar do “novo normal” e sair das renegociações. “O banco do Estado deve ter um olhar especial a todas as empresas que tenham importância na cadeia produtiva. A gente precisa ter soluções para o devedor, planos que sejam factíveis. Que o devedor tenha a sua saúde financeira restabelecidas”, explicou.

O vice-presidente do Banrisul, no entanto, alertou que as pessoas, sejam físicas ou jurídicas, que precisam renegociar contrato, devem ter um planejamento para apresentar os esforços que os ajudarão a manter seu negócio. “O banco público não pode entrar em apostas. Não adianta levar morto para o hospital. Tem que haver sinais vitais. O empreendedor precisa avaliar a viabilidade de se manter como estava, se o negócio perdeu ou buscou oportunidades”, orientou Irany, que vê o cenário com mais otimismo agora do que no início da pandemia.

Alexandre Câmara recordou que houve outras crises, mas desta vez foi diferente. “Esta foi muito abrupta. Antes, era possível buscar ajuda em algum setor que não foi afetado, mas agora foi global”, comentou. Para o diretor do BTG Pactual, o início da pandemia apontava para um “novo modus operandi” em um tempo específico. “No entanto, o ‘novo normal’ tende a continuar até vir a vacina. O bom empresário foi o que fechou a escotilha e soube se preparar para o pior. Algumas companhias ficarão pelo caminho”, lamentou.

Segundo a avaliação de Roberto Martins, as empresas precisam ficar atentas a este período de crise. São muitas as transformações do mercado e elas precisam se adaptar da forma mais rápida possível. “Neste sentido, uma reestruturação eficaz, com diagnóstico preciso, pode ser a saída para esta adaptação tão necessária”, disse ele.

O encontro virtual foi mediado pelo presidente do Lide-RS, Eduardo Fernandez. “A renegociação e a reestruturação podem auxiliar no crescimento e manter a empresa saudável, em tempos de crise”, afirmou.


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