Especialistas analisam alternativas para potencializar energias solares e hídricas no Brasil

Especialistas analisam alternativas para potencializar energias solares e hídricas no Brasil

Tema foi o enfoque da última edição do especial Debates Correio do Povo e Rádio Guaíba sobre Energias Renováveis

Correio do Povo

Série de três programas foram comandados pelo jornalista Guilherme Baumhardt

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O encerramento do especial “Debates Energias Renováveis”, promovido por Correio do Povo e Rádio Guaíba, ocorreu nesta sexta-feira. Abordando como tema as energias solar, hídricas e alternativas, o ciclo virtual teve como painelistas o superintendente executivo da Unidade de Produtos de Desenvolvimento e Microcrédito do Banrisul, Ivair Damiani, o gerente de Desenvolvimento de Negócios de Energia da Braskem, Robson Casali, o presidente da Associação Gaúcha de Fomento às Pequenas Centrais Elétricas Hidroelétricas (AGPCH), Roberto Zuch, e o empresário e consultor em tecnologia e sustentabilidade energética Neuto Jordano Marques.

Conduzido pelo jornalista Guilherme Baumhardt, o evento debateu por três dias sobre as energias baseadas em recursos naturais com transmissão ao vivo pela rádio e pelas plataformas digitais do Correio do Povo e da Rádio Guaíba. 

Para Casali, é uma característica tanto da energia solar quanto da eólica o baixo custo na implementação de geradores atrelado à maior eficiência no aproveitamento para o consumidor final. “É possível se empregar um investimento pequeno e, mesmo com capital menor, se gera mais capacidade de energia”, reiterou.

O gerente da Braskem lembra que as duas fontes de energia mudaram de patamar em relevância no planeta, apesar de não serem controláveis. “Já as usinas hídricas passam por menos intermitências e são as melhores baterias do mundo. Todas as fontes têm algum problema de impacto ambiental, por mais limpas que sejam. Não tem a escolha perfeita, mas podemos escolher a melhor possível. Atualmente, existem soluções em grande escala para avançar na sustentabilidade”, salientou. Casali considera esta década fundamental para o setor e acredita que o RS pode ser um polo. “O Rio Grande do Sul, hoje, é um estado importador de energia, o que não era no passado, e vai ser cada vez mais”.

O presidente da AGPCH reforça que há espaço para todas as fontes de energia no país. “Temos aquela síndrome de vira-latas mas, no Brasil, a produção da energia elétrica com fonte renovável representa 80%, uma das maiores do mundo. Já apanhamos muito em questões ambientais mas houve um avanço tecnológico significativo”, pontuou Roberto Zuch. Um dos entraves ainda é o grande número de empreendimentos de usinas de energia hídrica à espera de licenciamentos. “Há 80 projetos aguardando, alguns há dez anos ou mais. Estamos conseguindo solucionar junto à Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental no RS), mas junto ao estoque parado vieram projetos novos. Acredito que o diálogo melhorou e vamos melhorar isso”, assinala Zuch, que é também integrante do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul, o Sindienergia-RS. 

Especialistas também discutiram durante a programação da Rádio Guaíba as soluções hídricas e alternativas | Foto: Reprodução / CP

A busca por linhas de crédito por parte de fornecedores de equipamentos para energia solar é recorrente no Banrisul desde 2017, segundo o representante do banco Ivair Damiani. “Eles relatam que 90% dos equipamentos eram importados, não havia produção nacional. Os valores dos importados ainda são menores, mas está mais parelho. Trabalhamos em muitas frentes, até mesmo com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)”, explica o superintendente. Damiani diz que, pensando em médio ou longo prazos, o custo-benefício para investir em energia renovável vale a pena. “Daqui a sete anos, pagando-se por mês, o equipamento estará funcionando e liquidado, restando somente o custo da conta”.

Neuto Jordano Marques é otimista quanto à potencialidade gaúcha no uso das energias renováveis. “O Estado é abençoado, multifacetado e multidisciplinar. Ao contrário do restante do mundo, que está correndo para poder usufruir destas fontes plenamente, o RS não precisará esperar: em dez anos poderemos estar 100% com energia limpa, com toda a cadeia e de maneira sustentável”, prevê.

Diretor na empresa de consultoria Useful Percentage lda, ele mora em Portugal e afirma que nem mesmo na Europa é possível agregar valor humano e econômico com tantas possibilidades. “Raros locais no mundo têm as condições que o RS tem”, garante. Marques destacou que as energias solar e eólica não são tão firmes quanto a hídrica, mas que as três se complementam: “Esta pauta tem que estar em qualquer projeto político. Alguns investidores ainda têm inseguranças, principalmente jurídicas. O maior investimento que o Estado pode fazer é em energia”.

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