Guedes diz não ter apego a cargo, mas sinaliza que não sai na primeira derrota
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Guedes diz não ter apego a cargo, mas sinaliza que não sai na primeira derrota

Ministro da Economia destacou ainda que o principal opositor do governo no Congresso tem sido o próprio governo: "É assustador"

Por
AE

Ministro da Economia voltou a reiterar a importância da Reforma da Previdência para as futuras gerações

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Após ser questionado se deixaria o governo, caso a reforma da Previdência não for aprovada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse não ter apego ao cargo. Sinalizou, entretanto, que não sairá do ministério na primeira derrota. Guedes ainda disse que não brigará para ficar no cargo.

"Estou aqui para servi-los, se ninguém quiser o serviço, terá sido um prazer ter tentado. Não tenho apego ao cargo, mas não a terei irresponsabilidade de sair na primeira derrota", afirmou, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Mais uma vez, ele colocou sua permanência no ministério nas mãos do presidente Jair Bolsonaro. "Acredito em uma dinâmica virtuosa da democracia, não tenho dúvida de que poderes cumprirão seu papel. Se o presidente (Bolsonaro) apoiar coisas que acho que podem resolver o Brasil, estarei aqui.

Se o presidente ou Poderes não assumirem, eu tenho vida fora daqui", completou o ministro.


Paulo Guedes responde questionamentos dos senadores



Em outro momento, Guedes foi questionado sobre parlamentares da base do governo que contrariariam a equipe econômica. O ministro reconheceu que o principal opositor do governo no Congresso tem sido o próprio governo. "Está falhando algo em nós. É assustador. Ontem, tomei susto quando falaram que partido do governo ia jogar pedra na CCJ da Câmara", afirmou, em referência à audiência pública à qual desistiu de ir.


Orçamento

Guedes avaliou a aprovação na terça-feira na Câmara dos Deputados de uma proposta de emenda constitucional que engessa ainda o orçamento - com ampla maioria no plenário - foi uma "exibição de poder político". "Ontem aconteceu uma demonstração de poder de uma casa legislativa. Foi um recado ao governo que diz que quer aprovar a reforma da Previdência em seis meses, mas também mostrou que PECs podem ser aprovadas em dois dias", afirmou, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Guedes disse ainda que esperava fechamento de questão dos principais partidos da base - PSL e DEM - sobre aprovação da previdência. "Há um choque de acomodação. O grupo que está chegando ainda não sabe onde está a cadeira e o grupo que já estava aí está sentado na janela. Mas acho que esse choque de acomodação no parlamento será superado", completou. 

Onyx prega muita calma e muita paciência

Após aparecer de surpresa na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que é preciso ter "muita calma e muita paciência" nas tratativas pela reforma da Previdência. Ele repetiu o mantra dos últimos dias quando perguntado sobre se o governo estava criando oposição que não existe, como acusou mais cedo o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). 

Reforma para todos

O ministro da Economia argumentou que a reforma da Previdência atinge a todos, citando militares, mulheres e trabalhadores do campo. "O Congresso é que decide (sobre idade mínima da mulher). Fizemos nossa proposta. É uma proposta forte em que todo mundo contribui", afirmou.

Guedes lembrou que o próprio presidente Jair Bolsonaro, de maneira transparente, admitiu ter votado contra reformas anteriores e defendeu publicamente idades menores para a aposentadoria das mulheres. Segundo ele, porém, o presidente foi convencido pela equipe econômica. "Considero a reforma uma questão de responsabilidade nossa com as futuras gerações, que não podem cair na mesma armadilha.

Por isso peço uma transição para o regime de capitalização, que era citado inclusive por outros candidatos na campanha", repetiu Guedes. "Se tivermos R$ 1 trilhão de economia, conseguimos potência para que o foguete consiga vencer a força da gravidade", comparou. O ministro reiterou que a nova carteira verde e amarela será opcional.