Ibovespa fecha em leve alta com reação positiva de NY ao Fed e dólar cai a R$ 4,11

Ibovespa fecha em leve alta com reação positiva de NY ao Fed e dólar cai a R$ 4,11

Com comunicado da Fed sobre taxa básica de juros, dólar a vista fechou em baixa de 0,72%

AE

Com coletiva de Powell, Ibovespa terminou o dia com ganho de 0,26%, aos 110.963,87 pontos

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O Ibovespa teve um dia modorrento, mantendo-se bem perto da estabilidade em boa parte da sessão, à espera de decisões de política monetária nos EUA e no Brasil - a do Copom foi conhecida logo após o fechamento desta quarta-feira. O principal índice da B3 chegou a tocar a mínima do dia logo após o anúncio da decisão do Federal Reserve, quando o gráfico de pontos mostrou que quatro formuladores consideram que a taxa de juros dos EUA pode subir em 2020, para a faixa de 1,75% a 2,0%. A ampla maioria (13 de 17 integrantes), contudo, vê estabilidade ao longo do próximo ano na faixa atual, de 1,50% a 1,75%, conforme antecipavam os analistas. Nenhum formulador vê novos cortes antes de 2022.

No minuto seguinte ao comunicado do Fed, o Ibovespa tocava mínima, a 110.529,50 pontos, em leve baixa de 0,13%, para logo em seguida oscilar em direção à estabilidade. Na ausência de outros catalisadores e à espera do Copom, após dois dias de perdas moderadas o principal índice da B3 acabou por se firmar em alta, acompanhando os índices de Nova York durante a coletiva de Jerome Powell, para fechar a sessão com ganho de 0,26%, aos 110.963,87 pontos, tendo chegado a 111.226,71 pontos na máxima do dia, mais cedo. O giro financeiro foi de R$ 19,3 bilhões. Na semana, o Ibovespa tem perda de 0,15%, com ganho de 2,52% no mês e de 26,26% no ano.

O Fed manteve a projeção de crescimento do PIB dos EUA em 2,2% para 2019 e em 2,0% para o próximo ano, assim como para a inflação pelo índice PCE, respectivamente em 1,5% e 1,9%. Em entrevista coletiva após a decisão de política monetária, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse haver similaridades entre os anos 90 e o momento atual, no qual cortes de juros não sinalizaram fim do ciclo de expansão econômica. Apesar da conjuntura externa, marcada pela longa disputa comercial entre as duas maiores economias do globo, Powell avaliou que a perspectiva para a economia americana permanece positiva.

"O sinal é de que não há mais cortes nos EUA e o próximo movimento por lá, quando houver, será de elevação, o que reforça a perspectiva de que após o aguardado corte da Selic de 5,0% para 4,5%, hoje, os juros por aqui tendem a permanecer nisso mesmo", diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. Ele considera que, para "marcar posição", o Copom pode promover um corte adicional de 0,25 ponto porcentual, colocando a Selic a 4,25% em 2020. "Mas isso não muda substancialmente (o quadro para os juros)", acrescenta.

"A incerteza sobre o cenário exterior permanece no cálculo do Fed, mas o externo tende a ficar menos predominante à medida que se encaminhar uma solução" para a disputa EUA-China, observa o economista do Fator. "O recado me pareceu claro: não estão contando com novos cortes de juros por lá. E é preciso ver, amanhã, como o Banco Central Europeu reagirá a isso", diz Gonçalves, chamando atenção para as taxas de juros, ainda negativas, na zona do euro.

Dólar

O dólar operou toda a quarta-feira em queda e chegou a recuar para R$ 4,10 na mínima do dia. A sinalização de que os juros vão ficar no nível atual nos Estados Unidos nos próximos meses, a abertura de capital bem sucedida da XP em Nova York e os dados de varejo contribuíram para retração da moeda americana, que também recuou ante outros emergentes, de acordo com operadores. O dólar à vista fechou em baixa de 0,72%, a R$ 4,1190.

A quarta-feira era um dos dias mais aguardados da semana, por conta da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do Banco Central. Como esperado, o Fed manteve os juros e sinalizou que não mexerá nas taxas no futuro próximo. O BC cortou a Selic em 0,50 ponto, para 4,5%, nova mínima histórica.

"O Fed está firme em manter os juros por agora", afirma o economista do banco canadense CIBC Economics, Andrew Grantham. Para ele, mesmo que existam alguns dirigentes prevendo alta dos juros já em 2020, o número é pequeno. Na entrevista à imprensa após a reunião, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou ainda que deseja ver "uma alta persistente na inflação", antes de decidir por uma futura elevação nos juros. Durante a entrevista de Powell, o dólar ampliou o ritmo de queda aqui, voltando para a casa dos R$ 4,11.

Desde o início dos negócios, o sucesso da abertura de capital da XP em Nova York, com a ação abrindo em alta de 21% na Nasdaq, ajudou a manter o dólar em queda. A perspectiva é que a operação deve trazer recursos externos ao país. O fundador e CEO da XP Inc, Guilherme Benchimol, disse hoje a jornalistas em Nova York que os US$ 2,2 bilhões da oferta serão investidos no Brasil.

Logo de manhã, a divulgação de dados das vendas no varejo de outubro ajudaram a estimular as vendas de dólares, com a visão de que eram mais um número a mostrar avanço da recuperação da economia. "Os dados vieram sólidos, e a economia está no caminho para mais um trimestre sólido", afirma o economista para América Latina da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia.

Em meio aos recentes indicadores positivos, o BTG Pactual divulgou hoje revisão para cima na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de 2020, de 2,3% para 2,5%. Com esse cenário mais benigno, o banco vê chance de o real ficar mais apreciado no ano que vem, a R$ 4,10 em dezembro. Para o encerramento de 2019, a previsão é de dólar a R$ 4,15. Os estrategistas do BTG ressaltam que um limitador importante para a apreciação do real é a queda dos juros. Além de cortar a taxa hoje, o Banco Central pode fazer corte adicional em 2020, levando a Selic para 4%, na estimativa do BTG.

Juros

A "Super quarta-feira", com decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e também do Federal Reserve (Fed), foi de oscilação tênue na curva de juros futuros no Brasil. As taxas renovaram as mínimas intraday em leve queda durante a sessão estendida, momento em que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, concedia entrevista coletiva. O entendimento de agentes do mercado é que o cenário traçado por Powell descarta um aumento dos juros nos Estados Unidos no curto prazo. O presidente da autoridade monetária americana afirmou que quer ver o que chamou de "alta persistente na inflação" dos Estados Unidos antes de uma nova elevação da taxa. "Há altas de juros no futuro, mas é difícil saber como será", ressaltou o banqueiro central, que reforçou a visão positiva sobre a atividade econômica americana, apesar da conjuntura do exterior. Uma igualmente leve reação no mercado doméstico de câmbio - com perdas maiores do dólar ante o real - também contribuiu para as taxas dos DIs baterem as mínimas por volta das 17h20.

Até o encerramento da sessão regular, entretanto, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) pouco oscilavam visto que a maioria das apostas do mercado para a decisão do Banco Central brasileiro já havia sido feita. A agenda macroeconômica da "Super quarta-feira" também não trouxe novidades capazes de mudar os preços. O resultado do varejo nacional veio dentro do esperado, como revelou hoje cedo o IBGE, e a primeira prévia do IGP-M de dezembro, mais forte do que novembro, mas dentro das expectativas.

Ainda durante a sessão regular, o Fed também cumpriu o esperado e anunciou a manutenção das taxas dos Fed Funds. A maioria dos dirigentes do Fed vê a taxa americana estável, na faixa entre 1,50% e 1,75%, até o fim de 2020, e quatro esperam que os juros subam para o intervalo entre 1,75% a 2,0%. Nenhum dirigente vê novos cortes de juros antes de 2022.

Assim, o DI para janeiro de 2021 fechou a 4,62% ante 4,61% do ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2025 fechou a 6,35%, mesma taxa do ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2027 encerrou a 6,70% ante 6,71% do ajuste de ontem. Nesses níveis, a curva precifica, de forma majoritária, um novo corte de 0,50 ponto porcentual da Selic pelo BC brasileiro - que foi confirmado.

Após o fechamento dos mercados doméstico, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou que cortou a Selic de 5% para 4,5% ao ano, como esperado de forma quase unânime. O comunicado do Copom sobre a decisão, entretanto, dividiu os agentes econômicos. Alguns entenderam que um novo corte da Selic está descartado, enquanto outros reforçaram a projeção de corte de 0,25 ponto porcentual já em fevereiro.


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