Ibovespa sobe 0,83% e dólar fecha em R$ 3,72
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Ibovespa sobe 0,83% e dólar fecha em R$ 3,72

Índice Bovespa chegou aos 104.716,59 pontos

Por
AE

Dólar caiu para menor valor desde 19 de fevereiro

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Em meio à agenda escassa, o Índice Bovespa encontrou fôlego para uma alta moderada, retomando o patamar dos 104 mil pontos. A expectativa de liberação de recursos do FGTS continuou a impulsionar ações de setores ligados ao consumo, incluindo bancos. O cenário externo também deu contribuição positiva, com reforço na expectativa de corte de juros nos Estados Unidos. Ao final do pregão, o principal índice de ações da B3 teve alta de 0,83%, aos 104.716,59 pontos.

A paralisação da tramitação da reforma da Previdência, por conta do recesso parlamentar, continua a ser apontada como fator a desestimular uma evolução importante do mercado de ações. Também seria o motivo para a saída de recursos externos da Bolsa, que segue firme, contrariando algumas previsões. Na última terça-feira, os estrangeiros retiraram R$ 759,3 milhões da B3, levando o acumulado de julho a um saldo negativo de R$ 1,7 bilhão.

Para Vitor Miziara, gestor da Criteria Investimentos, o recesso parlamentar faz com que a reforma da Previdência deixe de ser um "driver" nesta segunda quinzena de julho, o que leva o investidor estrangeiro a evitar o mercado nesse período. "Os recursos que estão saindo da Bolsa não estão deixando o País. Eles estão em conta corrente, à espera da retomada da reforma", afirma. Para o gestor, há expectativa por divulgação de novas medidas de estímulo econômico, com poder de influenciar o mercado como um todo, e não apenas alguns setores, como acontece desde a notícia da liberação de recursos do FGTS.

No cenário internacional, o destaque do período da tarde foi a fala do presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, que vota nas reuniões de política monetária da instituição. No discurso, considerado "dovish" (suave), o dirigente regional falou da necessidade de uma ação rápida dos bancos centrais em caso de estresse e comentou sobre "manter juros baixos por mais tempo" em quadros adversos da economia. As declarações trouxeram as bolsas de Nova York do terreno negativo para o positivo e contribuíram para o Ibovespa firmar-se em alta. Na máxima do dia, o índice atingiu 104.773,05 pontos (+0,88%).

Na análise por ações, destaque para ações do setor de commodities, com Petrobras ON e PN registrando perdas de 1,09% e 0,61%, enquanto Vale ON recuou 0,19%. Nos dois casos, as quedas foram influenciadas pela queda dos preços do petróleo e do minério de ferro. Nos dois casos, pesaram preocupações com um possível impasse nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China, que levem a uma redução da demanda global. O Iconsumo (ICON), que reúne 53 ações de consumo, teve alta de 1,09%.

Dólar

O dólar teve novo dia de queda nesta quinta-feira, puxada principalmente por declarações do presidente da regional de Nova York do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), John Williams, que recomendou "agressividade" na política monetária americana. A fala do dirigente, que vota nas reuniões de decisão de juros, foi interpretada por Wall Street como sinalização de redução mais agressiva de juros em breve. Com isso, a moeda americana aprofundou a queda no mercado financeiro internacional, ante divisas fortes e de países emergentes. O dólar à vista fechou em baixa de 0,84%, a R$ 3,7290, o menor valor desde 19 de fevereiro deste ano (R$ 3,7164).

A moeda americana caía desde cedo, mas em ritmo moderado e com baixo volume de negócios. Foi após o discurso de Williams, a partir das 15 horas, que a queda se acentuou e o dólar bateu várias mínimas, recuando até R$ 3,7239. O dirigente disse que é preciso "agir mais rápido" para gerar estímulos econômicos em cenários com a taxa de juros próxima de zero. "Deveríamos ser agressivos quando confrontados com cenário adverso."

Para o estrategista do banco canadense BMO, Ian Lyngen, após a fala de Williams, um corte de 0,50 ponto porcentual de juros pelo Fed não seria mais uma surpresa. Um corte de 0,25 ponto já está precificado, ressalta ele. "William recomendou que o Fed seja agressivo", destaca Lyngen. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar perante uma cesta de divisas fortes, que já caía antes das declarações, aprofundou o ritmo de baixa e testou os menores níveis de julho.

O volume de negócios no mercado doméstico, que estava bem fraco pela manhã, repetindo os dias anteriores desta semana, melhorou na parte da tarde. Mas ainda seguiu mais fraco em relação a dias normais. No mercado futuro, o giro financeiro foi de US$ 15 bilhões. No mercado à vista, o giro foi de US$ 1 bilhão, o maior da semana. O dólar para agosto fechou em baixa de 1,19%, a R$ 3,7220.

Operadores observaram alguma entrada de fluxo externo hoje, em dia de fechamento da venda de ações do IRB Brasil Re, que pode render R$ 8 bilhões. A operação será precificada hoje e os estrangeiros podem ficar com parte importante dos papéis, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Já a Cosan iniciou reuniões com investidores que podem resultar em emissão na casa dos US$ 500 milhões.

Juros

Depois de passar a maior parte do dia girando ao redor da estabilidade, os juros futuros engataram um movimento de queda na reta final do pregão em meio ao aprofundamento das perdas do dólar após declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano). Apesar do movimento de ajuste de posições à tarde ter incrementado o número de negócios, a liquidez se manteve reduzida, com alguns contratos girando menos da metade do observado na semana passada.

O sócio e gestor de renda fixa da Quantitas, Matheus Gallina, observa que a paralisação da tramitação da reforma da Previdência no Congresso, por conta do recesso parlamentar, tirou apetite dos investidores. "O mercado tem passado por dias monótonos. Mesmo essa questão do Fed impactou mais o dólar que os juros futuros", diz Gallina, ressaltando que as negociações podem se intensificar à medida que se aproxime a reunião do Copom (dias 30 e 31).

A mudança no rumo dos negócios hoje veio após declarações do presidente da regional de Nova York do Fed, John Willians, trazerem de volta as apostas de que redução em 0,50 ponto porcentual dos Fed funds - hoje na faixa entre 2,25% e 2,50% - no fim deste mês.

Com direto a voto, Williams disse que, em um cenário "desafiador" como o atual, é preciso tomar "medidas rápidas" em resposta a "condições econômicas adversas". Além disso, ele afirmou que a política monetária tem que estar de prontidão diante de casos de estresse, já que "a expectativa de taxa de juros menores no futuro reduz os rendimentos dos títulos", o que cria "condições econômicas mais favoráveis" e apoia o crescimento econômico no médio prazo.

Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos - benchmark global da renda fixa - recuaram, o que contribui para o fechamento da curva a termo doméstica. Na ponta longa da estrutura a termo, mais sensível à percepção de risco, o DI para janeiro de 2025 caiu de 6,96% para 6,93%.

"A queda do rendimento dos Treasuries de 10 anos deu um alívio para os emergentes", diz Paulo Nepomuceno, estrategista de renda fixa da corretora Coinvalores, ressaltando que, para um recuo mais forte das taxas longas depende agora da retomada da tramitação da reforma da Previdência no Congresso, em agosto.

No miolo da curva a termo, DI para janeiro 2021 caiu de 5,578% para 5,53% e DI para janeiro de 2023 foi de 6,38% para 6,35%. Entre os curtos, DI para janeiro de 2020 - que capta mais diretamente as apostas para o rumo da taxa Selic - fechou a 5,695%, ante 5,709% no pregão anterior.

Com o dólar mais fraco, a atividade doméstica estagnada e a aprovação da Previdência em primeiro turno na Câmara, o mercado conta com um corte da Selic na reunião do Copom deste mês. Por ora, as taxas refletem aposta majoritária em redução da taxa básica em 0,25 ponto porcentual, para 6,25% ao ano.

Segundo Gallina, da Quantitas, tanto a liberação de recursos do FGTS quanto um possível reajuste nos preços das loterias não afetam as expectativas para o ciclo de afrouxamento monetário, já que trariam impactos marginais na atividade e na inflação no curto prazo. "Para a decisão do Copom, essas duas medidas têm impacto zero", diz.