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Ibovespa tem leve alta e dólar sobe no último pregão do mês

Moeda norte-americana fechou cotada a R$ 3,84

Por
Estadão Conteúdo

Semestre teve recuo da moeda dos EUA frente ao real

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Um otimismo cauteloso conduziu os negócios no mercado brasileiro de ações nesta sexta-feira e o Índice Bovespa teve alta leve, de 0,24%, após um pregão de baixa volatilidade. Apesar do clima de prudência, os resultados de junho e do semestre foram comemorados. O índice fechou aos 100.967,20 pontos, com avanço de 4,06% no mês - o segundo maior do ano - e de 14,88% no semestre. O dólar fechou junho com queda de 2,17%, a segunda maior de 2019, atrás apenas de janeiro, quando a moeda norte-americana recuou 5,4%. A semana agitada para o mercado de câmbio terminou com um dia mais calmo, numa sessão em que o dólar pouco oscilou, mesmo com a disputa entre investidores pela definição da Ptax de junho. Fechou em leve alta de R$ 3,8404.

Para Vítor Miziara, gestor da Criteria Investimentos, três fatores foram determinantes para o bom desempenho do Ibovespa em junho: melhora da expectativa de entendimento comercial entre Estados Unidos e China, avanço na tramitação da reforma da Previdência e aposta em corte de juros no Brasil e no exterior. "Mas a próxima quinzena será decisiva para as questões domésticas, uma vez que se espera aprovação da reforma antes do recesso parlamentar e ainda não há definição sobre Estados e municípios. Além disso, teremos em julho nova reunião do Copom, a primeira em que se espera corte de juros, que depende do avanço concreto da reforma", diz.

Na avaliação de Victor Beyruti, da equipe de análise da Guide Investimentos, um dos pontos altos do mês foi a apresentação do relatório da reforma da Previdência com economia fiscal próxima do R$ 1 trilhão em dez anos desejado pelo ministro da Economia, o que surpreendeu positivamente o mercado, que esperava desidratação maior. Quanto ao cenário internacional, ele lembra que, apesar da expectativa pelo encontro dos presidentes dos Estados Unidos e China na reunião do G-20, não se espera um entendimento concreto agora, mas apenas uma indicação de trégua na guerra comercial.

As indicações de afrouxamento monetário nos Estados Unidos e na Europa também aumentaram o apetite por risco naqueles mercados e nas bolsas de países emergentes em junho. Depois de terem amargado pesadas perdas em maio, os índices das bolsas de Nova York terminam junho com ganhos superiores a 6%. No pregão desta sexta-feira, as altas foram puxadas principalmente pelas ações de commodities e de energia elétrica. Entre essas, destaque para Eletrobras PNB (+2,59%), Petrobras PN (+0,66%) e Cesp PNB (+2,92%). Entre os bancos, o dia foi mais fraco, com os papéis seguindo direções opostas. Banco do Brasil ON subiu 0,26%, Itaú Unibanco PN ficou estável (+0,03%) e Bradesco PN perdeu 0,42%.

Na semana, o dólar acabou subindo apenas 0,40% e no primeiro semestre, caiu 0,80%. O dólar fechou a sexta-feira em leve alta de 0,18%, a R$ 3,8404. O dia foi de noticiário esvaziado, mas mesas de câmbio operaram no final da tarde com certa prudência, no aguardo de eventos importantes do final de semana. O mais esperado é a reunião neste sábado entre o presidente dos Estados Unidos Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, para tentar resolver a questão comercial entre as duas maiores economias do mundo.

No aguardo da reunião, o dólar era negociado praticamente estável ante divisas fortes, com o índice DXY recuando 0,02%. Perante emergentes, a moeda americana operava mista, mas também com oscilações mais contidas. "Com a deterioração das relações comerciais entre os EUA e a China causando estragos nos mercados globais, todos os olhos estão voltados para a cúpula Trump-Xi deste fim de semana na reunião do G-20", destaca a economista da corretora norte-americana Stifel, Lindsey Piegza.
O que for definido na reunião de sábado deve ser decisivo para os movimentos do dólar no mercado internacional na segunda-feira, com impacto direto aqui. Entre os analistas, persistem dúvidas sobre os resultados. "Não fiquem tão entusiasmados", alertam os estrategistas do grupo financeiro canadense Scotiabank. Para os economistas da consultoria inglesa Capital Economics, qualquer trégua entre Trump e XI Jinping acertada no Japão "não deve durar" por muito tempo. Mas caso um acordo seja fechado neste sábado, no curto prazo os mercados podem reagir positivamente, observam.