Indústria automotiva projeta crescimento de 13% em vendas até o fim do ano

Indústria automotiva projeta crescimento de 13% em vendas até o fim do ano

Anfavea espera comercializar 2,32 milhões de veículos em 2021

Felipe Samuel

Anfavea espera comercializar 2,32 milhões de veículos em 2021

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Impactado duramente pela pandemia de coronavírus, o setor automotivo espera recuperar o fôlego no segundo semestre deste ano. Com avanço da vacinação contra a Covid-19 no país, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) espera melhorar as vendas, com projeção de comercialização de 2,32 milhões veículos até o fim de 2021, o que representa um crescimento de 13% em relação ao ano passado.

Entre os desafios enfrentados pelo setor está a crise global de fornecimento de semicondutores, materiais usados em todos os componentes eletrônicos que equipam os veículos. Apesar de um primeiro semestre abaixo da expectativa do segmento, que registrou 1,074 milhão de veículos emplacados no Brasil, a entidade aposta na melhoria dos índices de vacinação e num ambiente mais favorável para os negócios. Na avaliação do presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, a pandemia afetou o setor automotivo "do mundo inteiro", refletindo em queda da produção e das vendas.

Mesmo com o impacto da epidemia, o Brasil ocupa o 9º lugar em produção de veículos e é o 7º em tamanho de mercado. Em coletiva de imprensa por videoconferência, Moraes explica que em curto espaço de tempo não "tem solução pra enfrentar a falta de semicondutores", o que pode impedir a retomada plena do setor. Além da falta de componentes, Moraes revela preocupação com aumento de custos do aço, do frete marítimo e aéreo, entre outros. "Esperamos entrar 2022 com crescimento mais robusto, com pandemia sob controle, área de serviços funcionando, economia voltando a crescer de forma mais robusta sobre uma base de 2021 que já é muito melhor que a de 2020", destaca.

Conforme Moraes, o otimismo do setor tem base nas projeções envolvendo o cenário atual da economia e do combate à pandemia. Ele ressalta, no entanto, que essa tendência positiva tende a se confirmar caso não 'haja nenhuma surpresa' que possa desestabilizar o setor. "Esperamos que Brasília não crie nenhuma instabilidade no ano eleitoral e que a gente volte a acelerar, volte a falar em mais de 3 milhões de veículos, esse é nosso desafio", assinala. "Esperamos que no ano que vem a gente fale em um número mais perto de 3 milhões (veículos vendidos) o mais rápido possível. É nosso desejo", completa.

Entre os problemas enfrentados pelo setor, Moraes destaca o debate sobre a reforma tributária e os reflexos de um cenário econômico incerto. "Tem algumas preocupações ainda, como a inflação alta, consequência da pandemia, do aumento do aço e das commodities", alerta. Por outro lado, Moraes afirma que a balança comercial está 'muito positiva' por conta do agronegócio, o que pode refletir no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5%, acima da expectativa inicial. "A pandemia continua sendo uma preocupação, assim como os juros que vão aumentar", salienta.


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