Inflação atinge menor patamar para março desde início do Plano Real, aponta IBGE

Inflação atinge menor patamar para março desde início do Plano Real, aponta IBGE

Pesquisa mostra que índice ficou em 0,07% no mês, frente a 0,75% no mesmo período de 2019

R7

Grupo de transportes foi o principal responsável pela inflação em março, resultado puxado pela queda nos preços das passagens aéreas

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O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, atingiu o menor patamar para março desde o início do Plano Real – em julho de 1994 –, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na primeira coleta de preços realizada em sites de Internet, por telefone ou por e-mail devido à pandemia de Covid-19, o indicador registrou taxa de 0,07%, frente a 0,75% no mesmo mês do ano anterior. Também perdeu ritmo em comparação a fevereiro deste ano (0,25%). 

O grupo de transportes foi o principal responsável pela inflação em março, resultado puxado pela queda nos preços das passagens aéreas (-16,75%) e dos combustíveis (-1,88%). O gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov, afirma que os preços das passagens aéreas já estavam em queda nos últimos meses e, por isso, ainda não é possível dizer se o resultado de março tem relação com a pandemia de coronavírus. 

“A variação de março reflete uma coleta de preços que foi feita em janeiro para quem ia viajar de avião no mês de março, portanto, não podemos afirmar se há relação com a pandemia. Parece que foi pela demanda mesmo”, afirma.  A Covid-19 foi considerada pandemia pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 11 de março deste ano.

Kislanov afirma que a suspensão da coleta presencial reduziu a quantidade de preços coletados, mas isso não gerou problemas para a análise. “Conseguimos contornar as dificuldades com a coleta remota. Em alguns casos, a resposta foi muito positiva, como nos postos de combustíveis, em que boa parte dos preços foram coletados por telefone. Assim como outros institutos de estatísticas do mundo, estamos buscando maneiras de evitar uma redução drástica da nossa amostra”. 

Em contrapartida, o brasileiro passou a gastar mais para comer no mês. A inflação passou de 0,11% em fevereiro para 1,13% em março, principalmente por conta da alimentação no domicílio (1,40%). Kislanov afirma que "os números sugerem que as pessoas estão comprando mais para se alimentar em casa, o que indica que não estão saindo para comer". Os alimentos que pesaram mais no bolso do brasileiro em março foram cenoura, cebola, tomate, batata-inglesa e ovo.

Já a carne ficou mais barata pelo terceiro mês consecutivo. A inflação acumula alta de 0,53% de janeiro a março deste ano e de 3,3% nos últimos 12 meses. 


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