capa

O círculo virtuoso da Braskem na Feiplastic

Empresa demonstra a economia circular na maior feira de plásticos da América Latina

Por
Christian Bueller

publicidade

Dona Maria vai ao mercado e compra um pacote de sacos de lixo. Em outros tempos, aquele material que vai dentro do plástico que ela comprou seria jogado fora e o processo de descarte seria o fim, após produção e distribuição até chegar ao uso do consumidor. A essa cadeia, chamamos de economia linear. Pois, grandes empresas têm voltado os olhos a outra ideia, a da economia circular, que busca formar um ciclo sustentável da produção ao descarte. É o mote principal da Braskem durante a 17ª Feiplastic, maior feira do setor plástico da América Latina, que acontece até amanhã, em São Paulo.

No Expo Center Norte, o público pode conferir a ampliação de soluções em pós-consumo da companhia, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas e líder mundial na produção de biopolímeros. “Já falamos de economia circula na empresa há cerca de dez anos.  Acreditamos que a Feiplastic será um importante canal para ampliarmos a discussão a favor deste tema, sensibilizando a cadeia onde estamos inseridos", explica Edison Terra, vice-presidente da Unidade de Poliolefinas América do Sul e Europa. A empresa assumiu, em novembro de 2018, um compromisso público onde comunica oito iniciativas em favor da Economia Circular, como esforços para o desenvolvimento de parceiras com os clientes na concepção de novos produtos para ampliar a eficiência e facilitar a reciclagem e a reutilização de produtos plásticos.

A feira, que tem cerca de mil expositores de mais de dez países, foca no plástico como a principal matéria prima para suprir um novo mercado de alta tecnologia e inovação. Em um tour é possível ver iniciativas da Braskem neste sentido. Uma delas é a Wecycle, que visa estimular negócios valorizando o resíduo plástico pós-consumo. O desenvolvimento de produtos e soluções a partir de resíduos plásticos é realizado por meio de parcerias com clientes, recicladores, cooperativas e grandes empresas como o Grupo Pão de Açúcar, a Condor, a Embalixo e a Martiplast. “Começou dentro da empresa, com copos descartáveis de polipropileno e, agora desenvolvemos com brand owners”, lembra Terra. Caixas organizadoras, embalagens de cosméticos e até kits de pintura de casas integram os produtos que passam por este processo.

Outras soluções sustentáveis da companhia também são destaque no evento, como o portfólio renovável I'm green, que conta com o Plástico Verde e o EVA Verde, ambas resinas produzidas a partir da cana-de-açúcar e que contribuem para a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa. “Temos uma parceria com a empresa dinamarquesa Haldor Topsoe, líder mundial em catalisadores e tecnologia para as indústrias química e de refino, em um comissionamento pioneiro no desenvolvimento de monoetilenoglicol (MEG) a partir do açúcar. A partir daí, vamos confirmar a viabilidade técnica e econômica desse processo de produção de MEG renovável”, conta José Augusto Viveiro, diretor de vendas de Químicos Renováveis da Braskem.  Da mesma forma, a linha Maxio, composta por resinas que proporcionam redução do consumo de energia, é exposta na feira para mostrar a maior produtividade e redução de peso do produto final, o que garante mais eficiência e, consequentemente, ganhos ambientais.

No espaço da Braskem, os participantes da feira ainda podem conferir soluções para o mercado de embalagem em stand-up pouch monomaterial, produto que facilita o processo de reciclagem. A empresa também destaca os portfólios para os segmentos de embalagens rígidas para produtos químicos e agroquímicos, tampas e resinas para produção de baldes de tintas. Uma casa com diversas peças em PVC, como batentes de porta, janelas, pisos e até telhas mostra possibilidades alternativas mais duráveis em relação a materiais que têm madeira como matéria-prima.

25% aqui contra 99% no Japão

Ciente da necessidade da informação e da educação em um país que separa pouco seu lixo, a Braskem mostra na Feiplastic o Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), uma série de atividades que promovem ações sobre a importância do consumo consciente e do descarte adequado de resíduos. Já, o projeto "Reciclar é Transformar" demonstra todo o processo para o consumidor, desde a etapa de separação do resíduo até chegar na transformação de um novo produto.

Para Edison Terra, é um desafio para o setor mostrar ao maior número possível de pessoas esse ciclo para que a economia circular se perpetue. “No Brasil, os índices de reciclagem de plásticos, em torno de 22 a 25%. No Japão é 99%. Temos quatro pilares para que haja uma evolução: criar mais matéria-prima disponível, melhorar o processo de reciclagem mecânica, olhar a cadeia como um todo para vislumbrar a redesenhar continuação desse ciclo e engajar a sociedade em geral como campanhas, parcerias com o varejo, recicladores e o cliente final”.  A liderança da Braskem acredita que, se não houver estrutura para a separação e coleta de lixo, não é possível iniciar o círculo virtuoso. “Não é uma questão de classe social, é cultural. Japão e países europeus estão mais adiantados, mas não podemos obrigar o cidadão a ter um conhecimento ultrassofisticado sobre plástico. Às vezes, a pessoa separa o resíduo e o caminhão da coleta não passa”, reflete Edison Terra.

Canudo, o novo “vilão”

As recentes polêmicas com o uso do canudinho, desaconselhado por defensores da sustentabilidade, são vistas com tranquilidade por Terra. “Primeiramente, temos que lembrar que economia circular começa com consumo consciente. O banimento é sempre a pior solução. Em um hospital, por exemplo, trata-se de um utensílio de higiene”. O vice-presidente da Braskem reconhece que as pessoas não querem ver plástico no meio ambiente ou oceano e que a indústria precisa resolver o que chama de “equação do pós-consumo”. Mas uma outra ótica do mesmo tema. “Uma hora, o vilão é a sacola, outro é o canudo. Da mesma maneira, ninguém questiona uma bolsa de soro, bolsa de sangue ou seringa descartável. É preciso combinar o uso para aquela aplicação, quão essencial ele é e a destinação possível. É um assunto complexo. Só não se pode ser radical neste debate, que está aberto”, opina.   

Investimento no RS

A Braskem investirá R$ 50 milhões na expansão da sua estrutura de inovação no Brasil. A iniciativa engloba a construção de um novo prédio de 2,8 mil metros quadrados de área no Centro de Tecnologia e Inovação da Braskem no Polo Petroquímico de Triunfo no RS para receber novos equipamentos e laboratórios em que serão desenvolvidas e testadas tecnologias para a fabricação de resinas termoplásticas em todo o mundo. Os novos equipamentos e técnicas a serem implementados com a expansão são complementares às competências existentes no local, que já conta com seis plantas piloto.

O CTI em Triunfo é o maior dos quatro centros de tecnologia da Braskem, e um dos principais centros de pesquisa em polímeros do América Latina. Das cerca de 300 pessoas que compõem o time de Inovação & Tecnologia da Braskem no mundo, 170 atuam em Triunfo.  De acordo com o diretor Global de Inovação da Braskem, Gilfranque Leite, a expansão aproveita a expertise desenvolvida na região ao longo dos últimos 16 anos, desde que o CTI foi inaugurado. “Foi lá que ocorreu o desenvolvimento de tecnologias como o polietileno verde, que continua a ser aprimorada dando origem a materiais, como o EVA Verde, ano passado", comente Leite. A conclusão do prédio está prevista para dezembro deste ano.