Opep e sócios vão reduzir produção de petróleo em mais 500 mil barris diários
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Opep e sócios vão reduzir produção de petróleo em mais 500 mil barris diários

Após anúncio da medida, preços de dois barris que são referencia mundial subiram 2%

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AFP

Objetivo dos países é sustentar os preços da commodity frente à debilidade da demanda mundial

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Os membros da Opep e outros dez países petroleiros - entre eles a Rússia - concordaram nesta sexta-feira em reduzir a produção em mais meio milhão de barris diários, na tentativa de sustentar os preços da commodity frente à debilidade da demanda mundial. O corte total deste grupo de 24 Estados, que representam cerca de metade da produção mundial, será agora de 1,2 milhão de barris diários em relação aos níveis de outubro de 2018.

Os ajustes começarão a ser aplicados em janeiro de 2020, indicou o cartel em um comunicado após dois dias de negociações em Viena. Em uma mensagem aos mercados sobre seu compromisso, a Arábia Saudita - primeiro exportador mundial de petróleo cru - prometeu fazer reduções "voluntárias", o que elevaria este total para 2,1 milhões de barris diários.

A finalidade da chamada OPEP+ é, por meio de cotas, influenciar os preços para que sejam "justos e estáveis para os produtores", em um contexto global de demanda frágil provocada pela guerra comercial e pela desaceleração do crescimento. Após o anúncio, os preços do barril de WTI, referência nos Estados Unidos, e do Brent, seu equivalente na Europa, subiram 2%.

Embate

Os membros da Opep haviam acordado no final de 2016 com outros dez países petrolíferos em limitar a produção para lidar com o boom do gás de xisto americano. Diante do enfraquecimento da demanda global e da concorrência americana, o cartel de países exportadores deseja continuar restringindo a produção para apoiar os preços.

A Arábia Saudita suporta sozinha a maior parte do ônus e já está produzindo abaixo de sua cota. Riad não está satisfeita com o não cumprimento das metas de produção de vários países, como Iraque, Nigéria e Rússia, e essas tensões prolongaram as negociações iniciadas na quinta-feira na capital austríaca.

Brasil

O Brasil participou como observador da reunião da Opep e dos sócios da organização, poucas semanas depois do presidente Jair Bolsonaro ter afirmado que recebeu um convite de adesão ao cartel. Na reunião com os 14 países da Opep e de outros dez produtores, também esteve presente um representante do Brasil, o diplomata André João Rypl. "Obrigado por unir-se a este esforço comum", disse o ministro do Petróleo da Venezuela, Manuel Quevedo, em referência a Brasil e África do Sul.

Em outubro, o presidente Bolsonaro disse que gostaria "pessoalmente que o Brasil se tornasse membro da Opep" durante um fórum na Arábia Saudita, país líder de fato do cartel. "Acredito que o potencial existe. Temos enormes reservas petroleiras", declarou na ocasião.

De acordo com Bolsonaro, o Brasil recebeu um convite formal que poderia ser "o primeiro passo" para entrar na organização. Mas o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou em entrevista à agência Bloomberg que o Brasil não está considerando a possibilidade no momento. Em agosto, o Brasil produziu 2,9 milhões de barris diários, um aumento de 7,7% na comparação com o mês anterior.