Rio Grande do Sul é o quarto estado com mais perdas no setor de turismo
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Rio Grande do Sul é o quarto estado com mais perdas no setor de turismo

Pesquisa aponta que impacto do novo coronavírus tem potencial para eliminar 727,8 mil postos de trabalho no setor até junho

Por
Felipe Samuel

Dados da pesquisa apontam que o Rio Grande do Sul acumulou perdas de R$ 4,79 bilhões no turismo


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Os desdobramentos da pandemia do novo coronavírus em todo Brasil começam a ser sentidos também em outros setores da economia. Desde março, quando os primeiros casos da doença foram confirmados, o segmento do turismo perdeu R$ 87,79 bilhões, conforme estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Dados da entidade apontam que o Rio Grande do Sul acumulou perdas de R$ 4,79 bilhões no setor, sendo o quarto estado com maior prejuízo por conta da Covid-19.  

O estudo da CNC calculou as perdas mensais do setor desde o início pandemia em março. São Paulo lidera o ranking com perdas estimadas em R$ 31,77 bilhões, seguido de Minas Gerais (R$ 7,09 bilhões) e Rio de Janeiro (R$ 12,48 bilhões).

O economista Fabio Bentes, responsável pelo estudo da CNC, revela que o impacto do novo coronavírus tem potencial para eliminar 727,8 mil postos de trabalho no setor até junho em função das medidas de isolamento social. E destaca que essa projeção pode ser confirmada a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Conforme Bentes, dos 21 setores da economia, o de alojamento e de alimentação - que envolve hotéis e restaurantes - foi o que mais "destruiu"  postos de trabalho atingindo 11% da força de trabalho, ou seja, eliminou 211,7 mil postos formais de trabalho entre março e abril.

"Não tem na economia brasileira hoje quem esteja demitindo mais do que o setor de alojamento e alimentação. Justamente por conta dessa queda inimaginável há poucos meses atrás", observa. Ao garantir que o turismo de 'longe é o que mais sofre', Bentes afirma que o setor é o para-choque da crise econômica deflagrada pelo início da pandemia.

Crise

O economista observa que o cenário seria outro se não existisse a pandemia e o setor conseguiria se recuperar da crise enfrentada em 2015 e 2016, uma vez que as projeções apontavam para nível de volume de receitas semelhante ao de dezembro de 2014.

"Agora a gente desceu a ladeira de novo. E pior, para um ponto mais baixo ainda. A gente já pode dizer que é a maior crise do turismo não só no Brasil, mas no mundo. A indústria turística do mundo sofreu um baque esse ano sem precedentes, ninguém se salvou", justifica.

Para sair da crise, o economista sugere que o governo federal ofereça linhas de créditos 'mais audaciosas' para equilibrar fluxo de caixas das micro e pequenas empresas. Ele lembra que atualmente o setor está operando com menos de 10% da sua receita.

"Sem isso vai ser muito difícil a gente não ter uma quebradeira muito grande", alerta. Mesmo com flexibilização da quarentena, Bentes destaca que o setor deve ser um dos últimos a recuperar o fôlego, uma vez que a circulação da população está restrita. "Isso vai fazer com que esse setor seja um dos últimos infelizmente a se recuperar da recessão", afirma .

As dificuldades econômicas sem precedentes, Bentes aposta em crescimento nos próximos anos. Mas ressalta que é importante observar quando o setor vai recuperar o nível de receita de antes pandemia. "A economia vai crescer no ano que vem, provavelmente o turismo também, por conta do efeito estatístico. Como tomou um tombo enorme esse ano, a base de comparação é muito maior, então o crescimento acaba acontecendo", compara. Este ano, no entanto, as previsões para o mercado de trabalho são as piores possíveis.

Empregos

Em termos de emprego formal, Bentes destaca que o próprio governo federal admite a eliminação de 3 milhões de postos de trabalho. "Estamos falando de uma queda de 7% do mercado formal de trabalho, é muita gente. Infelizmente uma característica dessa crise é que ela vai reverberar por algum tempo, ela foi muito rápida, mas foi muito mais profunda do que foi a recessão de 2015 e 2016, que já não foi brincadeira", frisa. E destaca que antes da pandemia começar a gente o mercado de trabalho estava praticamente 'travado'.

Ao cobrar linhas de créditos para micro e pequenos empresários, uma vez que as medidas atuais "não estão surtindo efeito, são muito tímidas", Bentes explica que o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) vai oferecer R$ 16 bilhões de linha de crédito mais abrangente.


"Só que só o varejo perdeu R$ 200 bilhões até agora. Só o turismo perdeu R$ 88 bilhões, ou seja, a quantidade de recursos para salvar esses setores é muito tímida ainda", frisa. "O cenário para setor nos próximos meses é bastante sombrio mesmo, muito preocupante, não só por conta da queda de receitas mas pelo reflexo que isso vai ter no mercado de trabalho", completa.