Trump volta a pressionar China com novo aumento tarifário e provoca queda nas bolsas de valores
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Trump volta a pressionar China com novo aumento tarifário e provoca queda nas bolsas de valores

Ameaça da retomada da guerra comercial teria causado constrangimento aos chineses

Por
AFP

Presidente norte-americano voltou a pressionar a China com novo aumento tarifário


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Donald Trump anunciou nesse domingo um novo aumento tarifário sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses, correndo o risco de prejudicar as negociações comerciais com Pequim, que, no entanto, assegurou que as discussões vão continuar. A ameaça de retomada da guerra comercial entre as duas maiores economias mundiais provocou uma queda das bolsas de valores e da moeda chinesa, que contaminava nesta segunda-feira as praças asiáticas e europeias. Mas, contrariamente às informações veiculadas pela imprensa, Pequim anunciou que sua equipe de negociação está pronta para viajar a Washington - sem confirmar uma data específica, nem se o vice-premiê Liu He continuará a liderar a delegação chinesa. 

Uma nova reunião em Washington está programada para quarta-feira, após uma décima sessão que aconteceu em Pequim na semana passada. Desde um encontro entre o presidente dos Estados Unidos e seu colega chinês, Xi Jinping, no início de dezembro, o ambiente era tranquilo entre os dois gigantes econômicos. Pequim sempre se recusou a discutir "com uma arma na cabeça", enquanto as novas sanções comerciais americanas devem entrar em vigor na sexta-feira. 

Constrangimento 

Um sinal do constrangimento de Pequim é o fato de a imprensa oficial ainda não ter comentado as observações feitas pelo presidente dos Estados Unidos. Com frequência, Donald Trump ameaça adotar tarifas para forçar Pequim a aceitar suas exigências. Para aumentar a pressão, ele voltou a assegurar que está pronto para taxar todas as exportações chinesas para os Estados Unidos (US$ 539,5 bilhões em 2018) se não conseguir um acordo. "Por 10 meses, a China pagou tarifas nos Estados Unidos de até 25% sobre 50 bilhões de dólares em (bens) tecnológicos, e 10% sobre 200 bilhões de outros bens", escreveu Trump no Twitter. "Os 10% serão aumentados para 25% na sexta-feira", anunciou, justificando essa medida pelo fato de que as negociações não estão avançando rápido o suficiente. 

 

O presidente republicano havia decidido no início de dezembro suspender o aumento dessas tarifas por causa da retomada das negociações comerciais, apresentadas até esta semana como "frutíferas", com grandes chances de chegar a um acordo. "O acordo comercial com a China está avançando, mas muito lentamente, enquanto (os chineses) estão tentando renegociar. Não!", reclamou Donald Trump no Twitter. 

 

O presidente pretende reequilibrar o comércio entre os dois países e reduzir o colossal déficit bilateral dos Estados Unidos (US$ 378,73 bilhões em 2018, incluindo o excedente de serviços). Além de abrir ainda mais o mercado chinês aos produtos americanos, ele exige mudanças estruturais para acabar com as transferências forçadas de tecnologia americana, o roubo de propriedade intelectual e os subsídios a empresas estatais. 

Guerra comercial 

Se as próximas negociações em Washington acontecerem, essas tratativas poderiam fazer com que Trump anuncie uma cúpula com Xi Jinping para assinar um tratado comercial potencialmente histórico, ou levarem a uma retomada da guerra comercial. Enquanto isso, os índices chineses afundaram nesta segunda-feira. A bolsa de Xangai perdia mais de 5% em seu fechamento e a de Shenzhen mais de 7%. A moeda chinesa, o yuan, chegou a perder mais de 1% esta manhã em relação ao dólar, mas se recuperou no período da tarde para terminar em queda de apenas 0,7%. 


Por enquanto, a administração Trump garante que a economia dos EUA não é afetada pelo conflito, ao contrário da economia chinesa, que registrou no ano passado seu crescimento mais fraco em quase trinta anos. No domingo, o presidente americano mais uma vez afirmou que as tarifas pagas pela China contribuíram, "em parte, aos excelentes resultados econômicos" dos Estados Unidos, enquanto que o crescimento no primeiro trimestre subiu a 3,2%.