Vale tem prejuízo de US$ 1,6 bi no primeiro trimestre após Brumadinho
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Vale tem prejuízo de US$ 1,6 bi no primeiro trimestre após Brumadinho

Despesas da empresa em relação à tragédia alcançaram US$ 4,5 bi de janeiro a março de 2019

Por
AE

Maior produtora de minério de ferro do mundo, empresa apresentou balanço negativo na comparação com mesmo período do ano passado

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A Vale teve prejuízo líquido de US$ 1,642 bilhão no primeiro trimestre deste ano, revertendo o lucro de US$ 1,590 bilhão na comparação anual. No trimestre imediatamente anterior, a empresa havia reportado lucro de US$ 3,786 bilhões. Segundo a companhia, o resultado deveu-se sobretudo aos eventos relacionados à barragem de Brumadinho, como provisões. 

Conforme apontou a empresa, as questões envolvendo Brumadinho levaram a empresa a apresentar o seu primeiro Ebitda (índice usado para cálculo de lucros de empresas de capital aberto) negativo na história, de US$ 652 milhões no trimestre. Nos primeiros três meses de 2018, a empresa reportou Ebitda de US$ 3,926 bilhões. Já nos últimos três meses de 2018 a empresa reportou Ebitda de US$ 4,467 bilhões. A margem Ebitda ajustada ficou negativa em 8% ante positiva em 46% na relação anual e trimestral. 

No balanço, a empresa explicou que o impacto financeiro da ruptura da barragem de Brumadinho no Ebitda do trimestre foi de US$ 4,954 bilhões devido às "provisões para os programas e acordos de compensação/remediação (US$ 2,423 bilhões); provisão para descomissionamento ou descaracterização de barragens de rejeito (US$ 1,855 bilhão); despesas incorridas diretamente relacionadas a Brumadinho (US$ 104 milhões); volumes perdidos (US$ 290 milhões); despesas de parada (US$ 160 milhões); outros (US$ 122 milhões)", destacaram. 

A receita operacional líquida, por sua vez, chegou em US$ 8,203 bilhões, queda de 4,6% ante o mesmo intervalo do ano passado. Em relação ao último trimestre de 2018, houve queda de 16,4%. 

Despesas por Brumadinho 

As despesas da Vale relacionadas à tragédia de Brumadinho alcançaram US$ 4,504 bilhões de janeiro a março de 2019. 

O rompimento da barragem ocorreu no fim de janeiro. Desse montante, a maior parcela, de US$ 2,423 bilhões, teve como origem provisões feitas para acordos, multas e doações. A maior dessas reservas foi destinada ao acordo com a Defensoria Pública, que recebeu US$ 1,777 bilhão.