Ensino

Alunos e professores protestam contra corte de verbas na educação

Mobilização antecipa manifestações em defesa da educação que ocorrerão nesta quinta-feira, em todo país

Manifestantes colocaram três faixas de 30 metros na sede do IFRS, em Porto Alegre
Manifestantes colocaram três faixas de 30 metros na sede do IFRS, em Porto Alegre Foto : Felipe Bornes Samuel

Dezenas de alunos e professores do Instituto Federal do RS protestaram nesta terça-feira contra o corte de 30% do orçamento do Ministério da Educação (MEC) para verbas de custeio e investimentos das instituições federais. Do décimo andar da sede do IFRS, em Porto Alegre, os manifestantes desfraldaram três faixas de 30 metros - com auxílio de dois instrutores de rapel - que levavam a imagem de educadores brasileiros como Paulo Freire e Darcy Ribeiro - e ocuparam toda a entrada da sede no Centro. 

A mobilização antecipa as atividades programadas para esta quinta-feira, quando haverá manifestações por todo país em defesa pela educação. Professor do IFRS, Lúcio Vieira explica que as faixas são alusivas a educadores brasileiros e internacionais que defendem a educação pública como direito à cidadania. "O anúncio de 30% de corte de verba para educação inviabiliza o IFRS e as universidades também. Não teremos dinheiro para pagar segurança, luz, água e os insumos que mantêm os laboratórios funcionando", alerta.

Ao destacar que o IFRS conta com mais de 16 mil alunos no Estado, dos quais mais de mil no campus de Porto Alegre, Vieira garante que a mobilização visa sensibilizar o governo federal sobre a importância dos investimentos e impedir a redução no orçamento, que praticamente põe fim ao ano letivo. "Esses 30% vão representar quase 40%, porque uma parte dele não pode ser tocado, felizmente, que é aquilo que representa o auxílio estudantil. Da parte de manutenção da escola, vai representar quase 40%. Isso inviabiliza o ano letivo", completa. 

Renata Becker dos Santos, estudante de Química, reforça que o ato tem por objetivo dar visibilidade ao campus e mostrar à população os cortes anunciados em maio pelo MEC. Renata, 23, observa que as faixas foram pintadas pelos próprios alunos da instituição. "Tem uma faixa com o berço da democracia, com o Sócrates, de pessoas que foram perseguidas por se posicionar sobre alguma coisa", destaca, numa alusão à imagem da vereadora carioca Marielle Franco, executada em 18 de março do ano passado. "Foi uma forma de mostrar o que está acontecendo", conclui.