Painel discute em Porto Alegre o "futuro das universidades e institutos federais no Brasil"
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Painel discute em Porto Alegre o "futuro das universidades e institutos federais no Brasil"

Segundo o presidente da Adufrgs-Sindical, Paulo Machado Mors, o programa Future-se é "uma ameaça ao Ensino Superior do país"

Por
Christian Bueller

Professores, estudantes, reitores e trabalhadores da educação discutiram o futuro das universidades e institutos federais

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O painel “O futuro das universidades e institutos federais no Brasil”, no salão nobre da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), nesta terça-feira, abriu a agenda de manifestações em defesa da educação pública. Promovido pelo Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior de Porto Alegre (Adufrgs-Sindical), reuniu professores, estudantes, reitores e trabalhadores de diversas instituições de Porto Alegre e do interior do Rio Grande do Sul.

O evento debateu o Future-se, programa proposto pelo Ministério da Educação (MEC) que prevê a contratação de Organizações Sociais (OSs) para gestão dos institutos e universidades federais com investimentos do Estado. Segundo o presidente da Adufrgs-Sindical, Paulo Machado Mors, a iniciativa do governo federal serviu para unir entidades da esquerda. “Movimentos que não se cumprimentavam estão do mesmo lado. O Future-se é uma ameaça ao Ensino Superior do país. Estamos numa guerra”, opinou.

O programa estimularia que as instituições captassem recursos próprios, que auxiliassem na sua manutenção. Mors rechaça. “É um negócio, respaldado pelo capital. Temos que estar atentos e vigilantes”, frisou.

A reitora da UFCSPA, Lúcia Pellanda, explicou aos presentes do que se trata o programa sugerido pelo MEC, destacando problemas que detectou. “O que foi apresentado tanto aos reitores, quanto à imprensa, tem textos diferentes”, relatou.

Três eixos centrais do Future-se já são praticados nas universidades, segundo Lúcia. “Governança, transparência e gestão já fazemos, assim como pesquisa e inovação. Ainda, a internacionalização já é uma realidade”, afirma a reitora.

Para ela, ainda há pontos a esclarecer. “As fundações de apoio, por exemplo, não são citadas no texto. Sem falar que não houve diálogo com reitores, pesquisadores, alunos e comunidade”, salientou.

A vice-presidente do Cpers, Solange Carvalho, destacou os salários atrasados dos professores e a falta de reajuste desde 2014. “Estou falando isso porque vai acontecer o mesmo com os educadores das universidades públicas”, frisou. “Estamos sendo perseguidos e difamados, como sendo seres perigosos, que doutrinam. Querem transformar as universidades em meros transportadores de lucros para as OSs. A quem servirá esta universidade, se ela vai perder o caráter social de uma universidade pública? Ela vai servir ao mercado”, finalizou Solange.

Representando Associação de Mães e Pais pela Democracia, o advogado Renato Nakahara, lamentou que, ao invés de debater temas importantes do ensino, é preciso “defender o óbvio”.